No dia seguinte, já era quase meio-dia quando Serena se curou da ressaca, e as memórias da noite anterior imediatamente a assaltaram.
Meia hora depois, de rosto coberto, saiu às escondidas da mansão da Família Nobre.
Somente quando já estava fora do condomínio, dirigindo, foi que seu rosto em brasa começou a esfriar.
Ela não se lembrava de tudo quando bebia, mas conseguia recordar o essencial, como o fato de ter pulado para todo lado tentando pegar borboletas. Disso ela se lembrava. Mas, depois, parecia que alguém a havia carregado escada acima, e essa parte era nebulosa. Parecia ser um... homem bonito.
Contudo, a memória do “homem bonito” devia ser fruto de sua imaginação. Ninguém na Família Nobre se encaixava minimamente na descrição de bonito.
Enquanto tentava se lembrar melhor da aparência do tal homem, Cláudio lhe telefonou para dizer que Ângela acabara de sair da Sol Dourado.
— O que ela foi fazer aí?
— Entregar o projeto de design.
Serena ficou um pouco surpresa.
— Tão rápido?
— Quando a senhora vir o projeto dela, entenderá o porquê.
Serena chegou rapidamente à Sol Dourado e foi direto para o escritório de Cláudio.
Quando Cláudio lhe entregou o projeto de Ângela, bastaram alguns olhares para que suas sobrancelhas se franzissem.
Era esse o tal “design totalmente novo” de Ângela?
Ignorando todas as exigências do cliente, o relatório de pesquisa de campo e até mesmo a realidade, ela havia criado aquele esboço baseando-se unicamente na própria imaginação!
E, em apenas uma semana, veio entregá-lo cheia de confiança!
— Se a Orion tivesse nos apresentado este projeto inicialmente, acredito que não teríamos precisado de meio ano de ajustes. O resultado teria saído no mesmo dia. Não colaboramos, e jamais colaboraremos, com uma empresa que trata o design como uma brincadeira de criança — comentou Cláudio, perplexo.
Naquele momento, Serena sentiu vergonha pela Orion.
Ela jogou o projeto sobre a mesa.
— Ligue diretamente para a Orion. Dado o nível deste projeto, nossa Sol Dourado passou a ter sérias dúvidas sobre a competência geral da empresa deles. Portanto, a colaboração está cancelada. Não há necessidade de continuar.
Cláudio assentiu e, na frente de Serena, pegou o telefone.
Um novo pensamento passou pela mente de Serena. Eles estavam tão felizes na noite anterior; não deveria ela lhes dar uma grande surpresa?
— Se há algum problema com o projeto, podemos modificá-lo.
— Tendo em vista este projeto, nossa empresa considera que não vale a pena modificá-lo.
— Diretor Elvas, trabalhamos neste projeto por mais de meio ano! Vocês não podem simplesmente dizer que vão parar a colaboração! Isso não é ético!
— E vocês nos enganarem com um projeto desses, por acaso é ético?
— Isso...
— Nossa empresa não é uma lixeira. Enviaremos alguém para devolver este projeto a vocês. A colaboração está cancelada. Encontraremos novos parceiros.
Dito isso, sem esperar por mais nada da outra parte, Cláudio desligou o telefone.
Ouvir aquilo foi um alívio tão grande para Serena que ela não pôde deixar de fazer um sinal de joia para Cláudio.
Cláudio respirou fundo.
— Eu também fiquei muito irritado. Não esperava que eles nos apresentassem um projeto tão sem qualidade para enrolar nossa empresa. Isso é um desperdício do nosso precioso tempo!

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