Para garantir uma entrada deslumbrante, Wilma fez Ângela experimentar vários vestidos de festa, e a maquiagem foi refeita diversas vezes. Por fim, optaram por um longo vestido branco de chiffon tomara-que-caia, esvoaçante e leve, com uma grande flor branca na cintura, que acentuava sua silhueta esguia e adicionava um toque de requinte.
Wilma também contratou um estilista para ela, que fez cachos finos em seu cabelo, deixando-o solto sobre os ombros. Com um colar de pérolas, ela parecia graciosa, nobre e etérea.
— Ângela, veja como você está linda. É que no dia a dia você não se arruma, por isso sempre fica em segundo plano.
Serena ficou sem palavras. Ela estava sentada em sua própria casa, e a culpa ainda recaía sobre ela?
Ângela olhou para seu reflexo no espelho, muito satisfeita, e disse timidamente:
— Será que o Xavier vai gostar?
— Com certeza vai.
As duas voltaram ao seu drama de mãe e filha. Serena olhou para o relógio; de fato, já estava tarde. Então, levantou-se e subiu.
Pegou do armário um longo vestido de alças finas na cor vinho, prendeu o cabelo de forma casual, colocou dois colares de diamantes de comprimentos diferentes e fez uma maquiagem leve. Então, desceu.
Quando desceu, Xavier estava entrando pela porta.
Ao vê-la, ele ficou momentaneamente deslumbrado, mas a raiva logo retornou.
— Na festa de hoje à noite, eu não pretendia te levar!
Serena ergueu uma sobrancelha.
— E eu não posso ir sozinha?
— Ha! A festa anual da Construção Verde Vento só terá convidados importantes da Cidade Lumia. Você acha que consegue entrar sem mim? — ele disse friamente.
Serena pensou por um momento e disse de propósito:
— Então você me leva?
— Você ainda ousa me agredir! Xavier, olhe para ela! Olhe para a mulher que você sempre protegeu! Ela quer bater na sua mãe!
Xavier também ficou com o rosto sombrio de raiva.
— Serena, não passe dos limites!
— Você é cego? Foi ela quem me xingou e me atacou primeiro! — Serena gritou para Xavier.
— Mesmo assim, você não deveria agredir uma pessoa mais velha! — Ângela correu para amparar Wilma e repreendeu Serena. — Se eu fosse você, não importa como a tia me xingasse, eu não ousaria dizer uma palavra. Mesmo que ela me batesse, seria merecido. Porque você errou! Mas, em vez de sentir vergonha, você grita e até agride. Não tem nenhum remorso.
As palavras de Ângela tocaram Wilma, que segurou a mão de Ângela com força.
Wilma apontou novamente para Serena, mas, ao ver seu olhar gélido, instintivamente recuou a mão.

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