Isabella
Assim que encerrei minha conexão com Ravena, me conectei com Gabriel. Ele disse que estava chegando, mas eu não podia esperá-lo, estava aliviada sabendo que Ravena cuidaria da minha mãe, sentia o carinho dela por Angel. Mas uma urgência surgia dentro de mim sabendo que Ethan tinha armado para Logan. Por todo caminho tentei me conectar com ele, mas ainda estava bloqueada, o que só aumentava minha frustração. Cheguei na alcateia de Alfa Lucas, estava um verdadeiro caos, eles eram agricultores não guerreiros.
Vi alguns lycans amedrontar um grupo de mulheres e crianças, Ártemis e eu agimos no mesmo instante, nossas mentes, e vontades estavam totalmente unificadas. Em um único movimento derrubamos os três. Pedi para o grupo se esconder, e corri em direção a casa da alcateia, provavelmente é lá que Logan deve estar.
— Ártemis, você os sente.
— Sim, estamos perto. — Ela respondeu como uma certeza que me tranquilizava.
Quando nos aproximamos de onde Ártemis disse que Logan estava, meu coração apertou. Vi uma loba marrom, ela me era tão familiar, por um instante fui transportada ao dia do meu aniversário. Um lobo cruzou a pista, fazendo meu carro derrapar. Ártemis rosnou para a loba.
— Agora não Ártemis, precisamos encontrar Logan. — Meu tom era autoritário, não podíamos desviar nosso foco.
— Isabella, onde você está? — A voz de Gabriel ecoou em minha mente.
— Casa da alcateia, você conseguiu falar com Logan? — perguntei sentindo a necessidade de saber se ele estava bem.
— Já avisei ele sobre Ethan. — Respirei aliviada, pelo menos Ethan não o pegaria de surpresa.
Mas meu alívio durou pouco, de repente, surgiram alguns lycans ao meu redor. Três em forma lupina, selvagens e impiedosos, com garras afiadas e olhos famintos, e dois ainda em sua forma humana, empunhando armas. Eles cercaram Ártemis, mas ela não se moveu. Ela era implacável, sentia a ferocidade pulsar em nossos olhos ametistas.
O primeiro Lycan avançou, tentando rasgar sua garganta com as garras, mas Ártemis desviou com a agilidade de um raio, atacando-o com uma fúria selvagem. Suas garras cortaram o ar, e o Lycan caiu, ensanguentado. Ela não sentiu prazer na matança, mas a necessidade de sobreviver.
Eu sentia cada golpe que minha loba dava. Nossa conexão se intensificava a cada movimento, como se nossas almas estivessem entrelaçadas. Eu não só via a luta pelos olhos de Ártemis, mas sentia a força que pulsava em suas veias.
Enquanto Ártemis destruía os Lycans um por um, eu sentia uma energia crescente dentro de mim. Não havia mais hesitação, vulnerabilidade. Agora, eu sentia a força da minha loba crescendo em minha alma. Um rugido profundo ecoou dentro de mim. Quando um dos Lycans humanos tentou me atacar por trás, senti a presença dele antes de ver. Com uma rapidez impressionante, Ártemis se virou e, com a força de um predador, derrubou-o, não com violência cega, mas com uma precisão controlada, guiada pela sabedoria que agora fluía em seu sangue.
Não era apenas a luta de Ártemis; era minha também. O último Lycan avançou, feroz e determinado, mas Ártemis o enfrentou de frente. Ele tentou atacá-la com uma mordida fatal, mas ela, com a habilidade de uma caçadora, se esquivou e cravou suas garras no peito dele, levando-o ao chão.
Enquanto os Lycans caíam, fiquei ali, observando, respirando profundamente. Agora eu entendia. Não era só sobre força física, mas sobre a sabedoria e o controle da fúria. O que Gabriel, e Ravena tem me ensinado dia após dia. Ártemis e eu estávamos amadurecendo, nossa conexão se tornando mais forte, mais visível. O medo que tive ontem, hoje parecia nunca ter existido.
Eu sentia os olhos das pessoas ao nosso redor, alguns demonstravam medo, outras uma certa admiração pelo que Ártemis e eu acabamos de fazer. Senti quando Gabriel se aproximou. Ele olhou para os Lycans destruídos no chão e se voltou para mim.
— Você está bem? — Assenti, antes de dizer.
— Preciso achar Logan.
— Vamos, eu já sei onde ele está. — Nos viramos e seguimos para a casa da alcateia.
— Não sinto Ethan, será que Noah mentiu para mim? — A raiva estava presente em minha voz
— Ele estava aqui, sinto seu cheiro. — Gabriel disse com a certeza evidente em sua voz. — Deve ter recuado, assim como Vicent. Soube por Dandara, que por lá estão todos bem.
E mais uma vez o alívio tomou conta de mim, assim que chegamos na cada da Alcateia fomos recebidos por Marcos.
— Princesa. — Ele me cumprimentou, não gostava desse título. Mas depois da aparição de Ravena em meu aniversário, era inevitável que as pessoas me chamassem assim.
— Isabella, Beta. Prefiro que me chame pelo meu nome, por favor. — Ele assentiu
— Alfa Logan está lá dentro, nossa Luna foi gravemente ferida. — Sentia o pesar em sua voz, a Luna, na maioria das vezes era o coração das alcateias.
— Pedirei que preparem algo para vestirem, e os conduzirei até lá.
Agradeci e seguimos com ele, logo que entramos, a governanta da casa nos levou até um cômodo. Entrei primeiro, voltei a minha forma humana, e coloquei as roupas que me deram. Não eram meu estilo, mas servia por enquanto. Gabriel foi depois de mim, o aguardei do lado de fora, quando terminamos, a mesma mulher nos levou de volta ao hall.
— Vamos? — Marcos disse, e concordamos. A casa ao mesmo tempo que era acolhedora, ela tinha uma aura hostil. O que não fazia sentido, pois um contradizia ao outro.
— Sinto o mesmo. — Gabriel disse em minha mente.
— Consegue explicar? — Ele negou com a cabeça, quando chegamos na porta do quarto. Marcos parou e nos olhou
— Peço que não reparem, mas nossa Luna ficou irreconhecível. — Marcos suspirou — Mas temos fé que sua loba a ajudara.

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