Logan
A raiva que sentia de Isabella por ter me enfrentado e ido até Eduardo era o combustível que eu precisava para acabar com alguns Lycans. Quando Liam me avisou que o Alfa Lucas precisava de ajuda, não pensei duas vezes. Assim que cheguei em Crescente Moon, deixei Orion emergir. Sua fúria incontrolável destruía tudo à nossa frente, e parecia que até as flores do campo próximo à casa da alcateia murchavam na nossa presença. Nossa aura de Alfa exalava poder, preenchendo todo o ambiente. Mas, assim como aquele caos começou de forma abrupta, ele terminou na mesma velocidade.
Ainda não havia superado as ameaças de Megan contra Isabella, mas era admirável ver sua grande loba marrom lutando por sua alcateia. Ela era uma verdadeira Alfa. Assistir Megan daquela maneira me transportou para a noite anterior, quando Isabella lutou brutalmente para me defender. A vontade de desbloqueá-la e saber como ela estava gritava em cada fibra do meu ser, mas aquela pestinha ainda tinha muito o que aprender. Sentia a presença de Ethan, mas o covarde permaneceu nas sombras.
Quando pensamos que todos os Lycans haviam recuado, a Luna de Alfa Lucas foi surpreendida por um deles. Corri para defendê-la, mas foi inútil. Assim que dei cabo do maldito, vi as marcas dele espalhadas pelo rosto e corpo da Luna. O desespero de Lucas e Megan era quase palpável. Gabriel me conectou, dizendo que Isabella estava chegando, mas eu não sentia sua presença. Ainda assim, esperaria que ela viesse me procurar para resolvermos nossas questões.
Carreguei Megan para dentro. Apesar de não concordar com suas últimas ações, reconhecia que tínhamos uma história. Nunca foi amor, mas ainda existia um resquício de respeito por ela, e eu compreendia sua dor. Estávamos no quarto do Alfa, e eu tentava consolá-la quando meus olhos se encontraram com duas safiras. Não precisei sentir suas emoções para entender o que ela estava passando — seus olhos disseram tudo.
Ela saiu correndo antes que eu pudesse me levantar. Tirei Megan gentilmente de meus braços e fui atrás da minha companheira. Recebi uma mensagem de Liam, informando que Isabella trombou com ele sem nem mesmo reconhecê-lo. Ele disse que a viu se desviar da fronteira em direção à estrada. Nesse instante, suas emoções me atingiram como um raio: culpa, dor, medo. Era como se algo dentro de mim tivesse sido partido ao meio.
Corri para encontrá-la como se minha vida dependesse disso — e, de fato, dependia. Ela era tudo para mim. Como pude deixá-la chegar a esse ponto? Se algo acontecesse, jamais seria capaz de me olhar no espelho novamente. Meu coração parou. Não era possível. Não podia ser ela... Mas era. Desconcertada, perdida, como uma chama prestes a se apagar.
A buzina do caminhão era como um aviso de morte. Tudo o que eu conseguia pensar era em alcançá-la, senti-la viva, trazê-la de volta para mim. Minha mente gritava que eu era rápido o suficiente, mas o medo me dizia o contrário. Cada músculo do meu corpo ardia, mas nada importava.
Consegui alcançá-la a tempo. Sentir seu corpo contra o meu... Era como se o universo tivesse me dado uma segunda chance. Uma chance de corrigir meus erros, de não perder aquilo que eu mais amava. Eu sabia que, se perdesse Isabella, eu perderia tudo. Naquele momento, ela estava ali, nos meus braços, e tudo o que eu queria era fazer o impossível para nunca mais deixá-la escapar. Mas a fragilidade que via em seus olhos me despedaçava. Eu sabia que a dor que ela sentia era culpa minha.
Mas foram suas palavras... A dor em sua voz que pareceram arrancar pedaços de mim.
— Eu te libero, Alfa Logan, para viver com a mulher que você ama.
Meu coração parou enquanto aquelas palavras ecoavam, cravando-se em minha alma como facas. Ela estava me libertando... ou me condenando? Como ela não conseguia ver que era ela quem eu amava?
— Isabella, o que você está dizendo? — Minha voz saiu como um sussurro.
— Alfa Logan, não me faça repetir. Já doeu demais dizer isso uma vez. — Ela suspirou, os olhos marejados por lágrimas que ameaçavam transbordar.
— Amor, então não diga. Por favor, nunca mais diga algo assim. — Um nó apertado se formou em minha garganta, dificultando até a respiração.
Eu a abracei com toda a força que tinha, como se pudesse segurá-la para sempre. A noite já havia caído, e os sons dos carros na estrada ecoavam ao nosso redor. Os faróis nos iluminavam de relance, mas era a lua que nos observava em silêncio. Ela apertou os braços ao meu redor, soluçando contra meu peito, e suas lágrimas encharcavam minha camiseta. Odiava-me profundamente por tê-la feito pensar, nem que por um segundo, que ela não era a mulher da minha vida. Beijei sua cabeça, tentando transmitir em cada gesto, em cada toque, o amor que palavras não podiam explicar.
Afastei-me ligeiramente, apenas o suficiente para olhar para ela, mas Isabella virou o rosto, recusando-se a me encarar.
— Amor, olha para mim. — Minha voz era um apelo, suave, quase inaudível.
Ela balançou a cabeça em negativa, mas segurei seu rosto com delicadeza, guiando-o para mim.
— Por favor... — O murmúrio de dor escapou antes que eu pudesse contê-lo. Como chegamos a esse ponto? Essa montanha-russa de emoções, esses extremos de amor e dor... Tentava, de todas as formas, acalmá-la, fazê-la parar de chorar, mas era inútil.
Quando ela finalmente cedeu, olhei fundo em seus olhos, permitindo que visse minha alma.
— Você não precisa me pedir perdão por nada. Eu entendo tudo o que você tem passado. — Com meus polegares, sequei suas lágrimas enquanto sentia sua hesitação em manter o olhar fixo no meu. Mas precisava que ela soubesse, precisava que acreditasse em cada palavra.
— Sei que estamos longe de resolver tudo, mas eu tenho tanto orgulho de você. — Minha voz carregava uma sinceridade que não podia ser contida. Depois de tudo o que enfrentamos, a força com que Isabella lidava com cada obstáculo me fazia admirá-la mais a cada dia.
Ela fechou os olhos, e eu aproveitei o momento para encostar meu rosto no dela. Passei meu nariz pela sua pele macia, aspirando aquele cheiro doce que mexia com cada fibra da minha alma. Ela soltou um suspiro baixo, como se aquilo fosse a confirmação de que me escutava, e então continuei:
— Sou eu quem deve pedir perdão. — Ela abriu os olhos, e sua expressão de confusão partiu meu coração.
— Por permitir que você pensasse, nem que por um segundo... — Inclinei-me e depositei um beijo na ponta de seu nariz. — Que não é você o amor da minha vida. — Encontrei seus olhos novamente, deixando que toda a intensidade do que sentia por ela transparecesse.
Sem dizer nada, ela ergueu a mão, tocando meu rosto com delicadeza. Sua hesitação se transformou em determinação quando seus lábios buscaram os meus, e naquele momento tudo desapareceu — o medo, a dor, as dúvidas.
O beijo começou suave, como um pedido de desculpas silencioso, mas logo se transformou. Ela retribuía com uma intensidade que igualava a minha, como se tentasse me mostrar, através do gesto, tudo o que não conseguia dizer.
Minhas mãos deslizaram para sua cintura, puxando-a para mais perto, enquanto suas mãos subiam até meu pescoço, enterrando os dedos em meu cabelo. Cada movimento era carregado de amor, de redenção, e de um desejo profundo de nos encontrarmos novamente, apesar de todas as barreiras.
Quando nos separamos, sua testa permaneceu colada à minha, e o som de nossas respirações entrecortadas parecia a única coisa que existia.
— Você é tudo para mim, Isabella. Tudo. — Minha voz era um sussurro, mas sabia que ela sentia o peso de cada palavra.
Ela fechou os olhos, um sorriso leve surgindo em seus lábios, e respondeu:
— E você é meu mundo, Logan. — Sorri para suas palavras
— Eu te amo. — Murmurei, depositando um beijo suave em seus lábios.

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