— Jamile, não se deve falar assim.
— Por que não?! Ela me machucou! Tem que ir pra cadeia!
Anan soltou um muxoxo.
— Eu não cometi nenhum crime. Você está me difamando, quem está infringindo a lei é você.
— Você que está! Você me empurrou!
— Você me empurrou primeiro.
— Você quis roubar o meu gato!
— Você já pagou por ele?
— Eu... eu... Titio, você vai comprar pra mim, não vai? Compra logo, vai!
Adler olhou para o gato e balançou a cabeça.
— Você não pode ter um bicho de estimação.
Não era por pena de gastar o dinheiro. A Família Campos era rica, o problema não era o custo, mas sim o fato de a sobrinha ser completamente incapaz de cuidar de um animal.
Ela já havia tido mais de dez gatos, e todos acabaram morrendo.
Mimada desde muito nova, a garota não tinha a menor compaixão pela vida.
Adler sempre tentava intervir, mas os mais velhos da família passavam a mão na cabeça da menina. Como resultado, aos seis anos de idade, Jamile não apresentava nenhuma melhora, tornando-se cada vez mais incontrolável.
— Titio! Você também está sendo ruim comigo! Eu vou contar pro papai! Vou contar pro vovô!
Anan alfinetou:
— Só os covardes vivem ameaçando contar pros outros. Você sabe fazer mais alguma coisa além de dedurar?
— Sua... sua chata! Eu odeio você!
Jamile deu um pulo e tentou arranhar o rosto de Anan.
— Jamile!
Anan, obviamente, não ficaria parada esperando o ataque. Ela se esquivou de forma ágil, fazendo Jamile passar direto e bater com força na vitrine de vidro logo atrás.
Tum.
O barulho foi alto.
— Ah! Que dor!
— Jamile!
Adler correu para ajudá-la a se levantar, mas viu que a testa da criança estava coberta de sangue.
Havia aberto um corte.
Ela chorava desesperadamente.
— Tô sangrando, eu vou morrer, buaaaa eu vou morrer...
— Você não vai morrer, vou te levar pro hospital.
— Sim, sim! O bisavô com certeza vai amar!
— E o que é?
— É segredo, no dia do aniversário do bisavô a mamãe vai ver.
A desculpa era exatamente a mesma de Heitor.
As duas crianças trocaram olhares, ambas transbordando confiança.
Até Adriana Pires não conseguiu conter a curiosidade.
— Tudo bem, estão com fome?
— Sim!
— Vamos, vou levar vocês para comer.
Ela segurou a mão de cada um e saiu do shopping.
Mal sabiam eles que, na mansão da Família Campos, a notícia do ferimento de Jamile havia caído como uma bomba.
A Família Campos tinha poucos descendentes, e Jamile era a única menina da nova geração. Era tratada como uma joia rara, protegida a todo custo.
Apesar de Adler ter explicado diversas vezes que foi a própria Jamile quem se jogou contra o vidro, ninguém quis entender.
O primo de Adler foi direto ao ponto:
— E daí que a Jamile esbarrou nela? Custava a menina ficar parada? Por que precisava desviar? Uma criança com coração de víbora!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Flores Que Florescem Na Lama
Gostaria de ler mais não consigo porque tenho que pagar...