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Flores Que Florescem Na Lama romance Capítulo 838

Heitor suspirou, impressionado.

— Uau, que papagaio inteligente! A minha irmã é a melhor! Acho que eu perdi essa.

Anan balançou a cabeça em discordância.

— A sua cadeira de rodas também é incrível. Eu sei que você ficou um tempão montando e ajustando tudo. O bisavô também amou.

Como Adriana Pires já esperava, o velho jamais seria capaz de escolher entre os dois. Ele amou ambos e não conseguia parar de sorrir.

Adriana Pires também entregou o seu presente.

Era uma bengala.

Apoiada sobre um suporte dourado, emanava uma presença majestosa, capturando a luz do ambiente.

O corpo da bengala era feito de uma madeira nobre e escura. Polida ao ponto de adquirir um brilho metálico suave, suas veias lembravam névoas condensadas, exalando um ar profundo e misterioso. Ao toque, era macia e fresca, com um peso significativo que evidenciava a densidade e a raridade do material.

O topo da bengala era a cabeça de uma águia, finamente esculpida e delineada em ouro puro.

O bico curvado e afiado havia sido lapidado de uma única e rara peça de obsidiana, enquanto os olhos da águia eram adornados com duas safiras minúsculas, porém incrivelmente radiantes.

Adriana Pires gastara uma fortuna encomendando a peça a um artesão especializado. Cada centímetro era uma verdadeira obra de arte.

O velho segurou a bengala para testá-la e o encaixe em sua mão foi perfeito. Ele ficou fascinado e a elogiou repetidamente:

— Excelente, excelente, excelente.

— Que bom que o senhor gostou.

O velho olhou para ela e depois para as crianças. Seus olhos marejaram, e ele desviou o olhar, tentando esconder a emoção.

— Obrigado, Adriana.

Ele acreditava que, após a ruína da Família Assis, um velho inútil como ele não passaria de um estorvo ignorado por todos, indigno de ser lembrado.

Mas, contra as suas expectativas, eles não apenas se lembraram, como também prepararam presentes cheios de dedicação para o seu aniversário.

Cada um daqueles presentes tocou profundamente o seu coração.

Que imensa sorte Ezequiel tinha para possuir uma mulher e filhos tão maravilhosos!

Ah, aquele neto irresponsável!

Anan correu até o bisavô para consolá-lo.

— Não chore, bisavô. Tudo vai ficar bem daqui para a frente!

O silêncio tomou conta da sala.

Tratava-se da cabeça de um Buda esculpida em jade.

A peça era feita de uma rara peça única de jade branco, com uma textura tão suave e delicada que parecia o brilho da lua solidificado, emanando uma luz etérea e pura. O rosto era pleno, com traços harmoniosos. Os olhos semifechados passavam a sensação de meditação e, ao mesmo tempo, de uma compaixão profunda a observar a humanidade.

A perfeição e os detalhes da escultura indicavam um valor incalculável; era uma relíquia digna de ser passada de geração em geração.

Bastou um olhar para que o velho percebesse o quão cara aquela peça era.

Por isso, ficou perplexo.

— A esta altura, quem poderia me presentear com uma joia dessas?

Estava claro que o velho adorara o presente, mas era justamente isso que o tornava estranho.

Acertar em cheio o seu gosto com tamanha ostentação não seria novidade na época do apogeu da Família Assis. Porém, dadas as atuais circunstâncias, o presente era extremamente bizarro.

Adriana Pires observou a peça por um momento, abaixou a cabeça e soltou uma risada contida.

— Avô, consegue adivinhar quem o enviou?

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