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Flores Que Florescem Na Lama romance Capítulo 839

O velho estava prestes a responder que não fazia ideia de quem enviara o presente, mas, quando as palavras chegaram aos lábios, ele congelou.

Em um lampejo, ele pareceu compreender.

Ele olhou para Adriana Pires, abriu a boca para falar algo, mas engoliu as palavras.

Adriana Pires aproximou-se e disse em voz baixa:

— Aceite, por favor.

O velho murmurou:

— Aquele moleque...

Sem sombra de dúvidas, aquela cabeça de Buda havia sido enviada por Ezequiel Assis.

Mas agora, até mesmo Adriana Pires estava confusa sobre as intenções de Ezequiel Assis.

Como ele conseguira enviar aquele presente de forma tão secreta, mesmo estando preso?

Com todos os bens da Família Assis confiscados e congelados, como ele tivera acesso a uma relíquia daquelas?

A situação à frente deles parecia envolta em uma névoa, tornando impossível ver as coisas com clareza.

O velho quis falar, mas as palavras lhe faltaram. Por não conseguir decifrar os planos de Ezequiel Assis, acabou apenas murmurando secamente:

— Tudo vai ficar bem...

Adriana Pires escondeu seus pensamentos e sorriu.

— Sim, vai.

Eles levaram a cabeça de Buda para casa, junto com os demais presentes, e guardaram tudo com cuidado no quarto do velho.

Os dias que se seguiram foram tranquilos, mas ela sentia o presságio iminente de uma tempestade.

O temor enraizou-se no seu coração, como uma espada suspensa prestes a cair.

E, finalmente, a espada despencou.

O julgamento do caso da Família Assis chegou ao fim.

Todos os bens foram totalmente confiscados, e até mesmo a mansão centenária foi a leilão.

Os antigos magnatas agora não passavam de prisioneiros.

Tobias Assis foi condenado por uso e tráfico de drogas. Recebeu a pena mais severa: prisão perpétua.

Por outro lado, após dez dias de detenção, Ezequiel Assis foi finalmente liberto.

No entanto, ele saiu de lá sem nada.

Já não era mais o inatingível herdeiro dos Assis.

Agora, estava na mais absoluta miséria.

No dia de sua libertação, Adriana Pires foi buscá-lo pessoalmente.

Mas ela aguardou do lado de fora por muito, muito tempo, e a silhueta familiar jamais apareceu.

Seu coração foi esfriando gradativamente.

Suas mãos apertaram o volante com força até que, por fim, ela deu partida e foi embora.

Aquela seria a última vez em que ela tomaria a iniciativa.

Em casa, o velho e as duas crianças esperavam ansiosamente, com os olhos fixos na porta e repletos de esperança.

Finalmente, a porta se abriu.

Adriana Pires entrou.

— Mamãe!

Heitor e Anan gritaram em uníssono e, instintivamente, olharam para trás dela.

Mas não havia ninguém lá.

O velho também notou que algo estava errado, mas tentou se iludir.

— Ele foi tomar um banho e se arrumar antes de vir? Faz sentido. Depois de tantos dias preso, deve estar em péssimas condições. É melhor tomar um bom banho para tirar o mau agouro antes de nos ver.

Adriana Pires respondeu secamente:

— Ele não virá.

— Como assim?

— Ele não vem. Não precisam mais esperar, vamos comer.

Ela adentrou a sala com calma e pediu à babá que servisse a comida.

Anan e Heitor trocaram olhares apreensivos.

Mas Adriana Pires permanecia perfeitamente serena. Ela até colocou porções de comida nos pratos dos filhos, encorajando-os:

— Comam logo. Não estão com fome? Já vai dar uma hora da tarde.

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