Thiago tinha 28 anos, e Helena tinha 50, sendo exatos 23 anos mais velha que ele.
O rapaz tinha quase a mesma idade de Aimée, mas estava a chamando de prima, o que era um pouco constrangedor. Helena sorriu e o seguiu para dentro.
Graças à receptividade calorosa de Thiago, Helena não foi completamente posta de lado.
A idosa passou o tempo todo puxando conversa com Aimée, ignorando deliberadamente a existência da filha.
Nesse momento, a idosa levou Aimée até um salão de coleções. Ela girou a chave e abriu a porta para uma sala cheia de joias, pedras preciosas, antiguidades e obras de arte famosas.
— Aimée, olhe aqui. O que você gostar, pode pegar. Não há limite. Considere como um presente de boas-vindas da sua avó.
Aimée ficou surpresa. Ao olhar para todas as antiguidades que estavam ao alcance das mãos, ela finalmente percebeu que sua avó devia ser extremamente rica!
— Eu não sabia que você vinha, caso contrário teria preparado um presente de boas-vindas especial. Você não pode me culpar por não ter caprichado nisso.
Enquanto falava, a idosa pegou uma caixa onde repousava um par de brincos antigos que guardava em sua coleção há muitos anos: — Olhe, este vai ficar bem em você. Gostou?
Aimée não tinha cabeça para escolher presentes. Ela só queria dizer algumas palavras em nome da mãe: — Vovó, esses brincos parecem muito maduros para mim, combinam melhor com a minha mãe.
— Humpf, ela nunca valorizou as minhas coisas. Ela sempre tratou o dinheiro como se não valesse nada, nunca deu valor a riquezas.
A idosa soltou um som de indignação pelo nariz e virou de costas. — A propósito, e o seu pai? Por que ele não veio? Será que não teve sucesso na vida e ficou com vergonha de vir me ver?
— Meu pai... ele já não está mais entre nós. — O coração de Aimée apertou.
A idosa congelou. Virou-se de volta, querendo entender o que o 'não está mais entre nós' significava.
Aquele homem que havia roubado a sua amada filha simplesmente não existia mais?
Ao se deparar com as lágrimas nos olhos de Aimée, a idosa com lábios trêmulos ficou tomada pela raiva. — Como ele partiu? O que ele me prometeu na época? Ele prometeu que, não importasse o que acontecesse, daria uma boa condição de vida a Helena. Ele não cumpriu! Com que direito ele morreu?
Não era como se a idosa fosse cega!
Quando a mãe foi presa, Aimée ainda era muito pequena.
Todas as oportunidades de conseguir salvar a mãe foram cortadas por Mauro e pelo resto da família.
Além disso, a mãe dela continuava se recusando a vê-la.
Assim, Aimée não fazia ideia de que ainda existia o outro lado da família, a família de sua avó materna.
— Por que a sua mãe não pediu para alguém me contatar? Se ela tivesse me procurado, como eu a deixaria ficar presa sem fazer nada?
A idosa batia na própria coxa, cheia de indignação.
Aimée segurou as mãos dela com dor no coração: — Talvez ela quisesse me proteger ou estivesse com medo de envergonhá-la.
— Heh, é tão difícil assim ceder um pouco? Ela preferiu ficar mais de dez anos na cadeia do que vir me pedir ajuda, então o que ela está fazendo aqui agora?

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