Passando pelo portão e contornando o muro da tela espiritual, um pequeno lago com águas brilhantes deixava a casa ainda mais bonita. Debaixo da montanha artificial de pedras, nadavam peixes coloridos que chamavam muita atenção.
Caminhos pavimentados com ardósia desenhavam trilhas serenas; gazebos e corredores estendiam-se amplamente, dando acesso a um espaçoso saguão. Cada detalhe engenhoso guardava a aura de famílias de prestígio, ocultando o apreço e a persistência pela cultura oriental.
Aquele lugar era como um enclave familiar nas terras da Nova Zelândia.
Desde que atravessou o portão principal, Aimée teve a sensação de ter retornado ao Brasil.
O vovô Albano as conduziu através dos gazebos e pelos lagos até chegarem, finalmente, à casa principal.
De longe, avistaram um grupo de pessoas em pé. Entre elas estava uma senhora de cabelos grisalhos que usava um qipao de peônias de cores vivas e deslumbrantes e um xale de seda branca.
No pulso esquerdo da idosa, havia uma pulseira de jade de tom verde profundo, transparente como vidro e de qualidade excepcional; no braço direito, uma pulseira de ouro com um desenho mais discreto.
Ela olhava na direção delas. Embora houvesse uma infinidade de saudades guardada em seus olhos, à medida que Aimée e Helena se aproximavam, ela se conteve e não deu um passo à frente.
Vendo a atitude fria, Helena tampouco ousou fazer qualquer som.
Por um instante, o ambiente foi tomado por um constrangimento indizível.
O Sr. Albano rapidamente cortou o silêncio: — Senhora, esta é a neta mais nova. Olhe para ela. Não é a sua cara quando jovem?
Dona Aurora finalmente olhou para Aimée, analisando-a da cabeça aos pés. Ela não conseguia esconder a felicidade no olhar; até se aproximou de Aimée e gentilmente segurou a mão dela.
— Qual é o seu nome?
— Vovó, meu sobrenome é Cavalcante. Meu nome é Aimée.
— Aimée?
Dona Aurora sussurrou o nome, parecendo se lembrar de algo, com o olhar vago por um instante que, no entanto, passou num piscar de olhos.
Ela parecia muito feliz. Acariciou a cabeça de Aimée e depois seu braço, tocando-a com o encanto de quem se depara com um tesouro precioso de inestimável valor. — Que maravilha. A nossa Aimée é tão linda.
Aimée sorriu, sem se esquecer de agradá-la: — É porque eu herdei os excelentes genes da vovó e da minha mãe.
Ao notar que Aimée olhava para ele, piscou e deu um sorriso encantador; seus lábios avermelhados e dentes brancos traziam uma dose extra de fascínio e sedução.
A idosa, então, os apresentou: — Este sujeito que nem parece nem age como se devesse, é o filho temporão do seu tio-avô. Você devia chamá-lo de tio.
— Que coisa feia chamar de tio. Me chame só de Thiago, sobrinha querida! — O homem estava descontente com a formalidade.
Aimée concordou. — Oi, Thiago.
O homem abriu um sorriso: — E a voz também é linda. A nossa Aimée é realmente um doce.
— Viu, ele é totalmente sem noção. A gente ignora ele. A vovó vai te levar para dentro.
Enquanto falava, a idosa pegou Aimée pela mão e a conduziu casa adentro, como se não tivesse notado a presença da filha nem por um segundo.
Aimée quis protestar, mas Helena lhe lançou um sorriso acompanhado de um movimento de negação com a cabeça, indicando que ela devia entrar na casa.
Logo que elas se afastaram, Thiago finalmente se aproximou de Helena e pegou os presentes das mãos dela: — Prima, eu ajudo você a levar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Herdeiro Arrependido