Na verdade, quando o grupo deles se reunia, sempre pegavam o isqueiro errado, e ainda havia quem gostasse de levar o isqueiro dos outros.
Mas ninguém ligava muito para isso.
Você usa o meu, eu uso o seu, ninguém se importava com isso.
Não era só um isqueiro? Se sumisse, era só comprar outro.
Porém, pensando bem, Jonas parecia guardar o seu isqueiro como um tesouro.
Uma vez, Vico marcou de jogar cartas, e os cigarros e o isqueiro de Jonas estavam ao alcance da mão.
Alguém tentou usar o isqueiro dele de forma casual e foi advertido com um olhar de Jonas, que o mandou soltar e não mexer naquilo.
Na época, Vico nem pensou muito, apenas achou que Jonas era possessivo com qualquer coisa que lhe pertencesse.
Mas, agora, vendo a obsessão nos olhos dele, ele finalmente percebeu que não parecia ser apenas uma questão de possessividade.
Jonas estava todo desanimado, a voz rouca e trêmula ao sair de seus lábios. — Foi ela quem me deu esse isqueiro. Todas as emoções me dominavam, e sentia meu coração se despedaçando pouco a pouco.
A garganta de Vico deu um nó, sentindo-se um pouco mal.
Estava tudo arruinado!
Esse garoto não tinha mais salvação.
Jonas olhou para o lixo espalhado por toda parte, e não havia sinal de seu isqueiro ali.
Aimée foi embora.
O isqueiro também foi perdido.
Não sobrou nada.
Isso parecia um presságio, indicando que ele e Aimée estavam destinados a se separar.
Seu coração parecia estar vazio, e a força de todo o seu corpo foi drenada.
Aimée não disse que ele só não aceitava o término?
Mas por que a falta de aceitação também trazia uma dor tão real?
— Mande alguém limpar isso.
Ele deu a ordem e começou a voltar.
Seus ombros estavam caídos, ele arrastava os pés, e suas costas passavam uma sensação de desânimo indescritível.
Vico suspirou, pegou o celular e procurou o número de Aimée.
Felizmente, Aimée não o havia bloqueado.
A ligação foi atendida rapidamente.
Vico: ...
Ele foi bloqueado?
— Se Priscila adiantasse de alguma coisa, eu não estaria te procurando. — Reclamou Vico.
...
Aimée desligou o telefone. Letícia notou que ela não estava com uma boa expressão: — O que foi? Quem ligou?
— Nada, foi a ligação de um louco.
Letícia sorriu, não fez mais perguntas sobre assuntos pessoais e retomou a conversa de antes: — Eu acho que, naquela licitação do outro dia, não tinha quem a gente estava procurando.
Aimée relembrou os detalhes daquele dia: — Mas com uma oportunidade tão boa, ele iria aguentar não aparecer?
— É porque ele também sabe que aquele terreno não é ideal para ser arrematado agora. Ele já esperou por tantos anos, claro que consegue aguentar. — Letícia serviu chá para ela e continuou: — Vamos esperar mais um pouco, não dá para ter pressa com isso. Eu também falei com a Gerente Helena, ela está mais tranquila do que eu pensava.
A Gerente Helena de quem Letícia falava era Helena Cavalcante.
Falando em Helena, Letícia ficou curiosa: — Aimée, o que sua mãe fazia quando era mais nova?
— Administrava a empresa para a minha avó, e depois ajudou meu pai a abrir um negócio.
— Não é à toa. Embora ela não trabalhe há muitos anos, dá para sentir que antes ela era durona.

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