Letícia, na verdade, queria que Helena assumisse o comando da empresa.
Mas Helena não queria se expor por enquanto, e como ela esteve desconectada do mercado por muitos anos, queria estudar mais nos bastidores primeiro.
Nesse exato momento, Helena estava em casa lendo todos os documentos dos projetos desses últimos anos.
— Letícia, pode me chamar só de Aimée. Eu sou mais nova que você, ficar me chamando de Srta. Cavalcante é muito distante.
— Tá bom, Aimée.
As duas se olharam e sorriram.
— A propósito, a Gerente Helena não quer assumir o comando da empresa, e você? Não quer vir para cá? Eu arranjo um cargo para você.
— Ah, acho melhor não.
Aimée olhou para a pilha de documentos na mesa: — Cada pessoa tem sua área de atuação e o que faz de melhor. Esse ambiente é o seu lugar, mas o meu espaço é o hospital.
Ela estudou medicina por todos esses anos, o que a tornou quem ela é hoje.
Apenas em seu posto no hospital ela conseguia encontrar um senso de pertencimento e dar o seu melhor.
Letícia assentiu: — Então você planeja voltar a trabalhar no hospital?
— Ainda não pensei direito. Se o inimigo for fraco, não vai tomar muito do meu tempo. Depois que a vingança for concluída, eu ainda vou ter que sair. — Ela fez uma piada descontraída.
Letícia também riu: — Então descanse por enquanto, eu vou cuidando da empresa. No dia em que a Gerente Helena puder assumir, eu passo a vaga para ela.
Ela disse isso com tanta leveza, sem demonstrar a mínima relutância.
...
À noite, às dez horas.
Aimée estava assistindo à televisão com a mãe.
Sua mãe era viciada em trabalhar. Ela passou o dia todo lendo documentos de projetos em casa e não sabia relaxar.
Agora, ao ser obrigada por Aimée a sentar na sala e ver série, Helena se sentia péssima.
— Aimée, que tal você ir dormir?
— Não. Se eu for dormir, você vai continuar lendo os documentos. Já te digo logo hoje: nem pense em esperar eu dormir para ler escondida debaixo das cobertas.
— Eu não vou ler, é sério, eu prometo. — Helena levantou a mão para jurar.
Aimée a avaliou, cerrando os olhos.
— Ué, parece que tem alguém te chamando. — Helena olhou em direção à varanda.
Aimée disse: — Tão tarde, quem me chamaria?

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