Aquele isqueiro que custou mais de mil já era o melhor que Aimée poderia dar naquela época.
Mas, para ele, não passava de algo para fazê-lo passar vergonha.
Daquele momento em diante, Aimée nunca mais havia lhe dado presentes, no máximo ia para a cozinha cozinhar alguma coisa boa durante as festas.
Mas agora, ele dizia: — O isqueiro é muito importante para mim. Você não tem ideia do quanto eu gosto dele.
— É? Não percebi.
Aimée mantinha um sorriso suave e distante. Jonas sentiu o peito se apertar de dor e soltou um suspiro pesado: — Você não consegue entender o quanto ele significa para mim.
— Talvez não. Aqui, pegue isto. — Ela entregou o guarda-chuva para ele. — Volte para casa. Você está fazendo muito barulho no meio da noite, os vizinhos vão reclamar.
Ela estendeu o guarda-chuva, mas ele se recusou a pegar.
Aimée colocou direto na mão dele. — Não precisa me devolver. Minha mãe ganhou de brinde no supermercado.
— E não venha mais até aqui. É melhor a gente não se ver. Você já é um homem com noiva, isso não pega bem.
Ao dizer isso, ela segurou o próprio guarda-chuva e foi embora, sem olhar para trás.
Jonas viu ela entrar pela outra escada e sumir da sua vista.
Era verdade. Ela já tinha deixado claro que nunca aceitaria ser a amante de ninguém, nem ser a amante escondida de um homem que já tem uma noiva marcada.
O que ela sempre quis foi um relacionamento oficial.
Por isso ela se incomodava com o noivado com a Priscila Hoffman.
Esconder a verdade para que continuassem juntos era simplesmente impossível.
Arrastando o cansaço consigo, Jonas voltou para casa.
Assim que entrou, encontrou um rosto familiar na sala.
O homem se virou e, vendo o desespero dele, disparou: — O que aconteceu? Por que você está nesse estado deplorável?
A diferença é que havia determinação em seu rosto. — Eu quero desfazer o noivado.
O homem arregalou os olhos. Franzindo a testa, olhou sério para ele: — E qual o motivo?
Colocou o charuto no cinzeiro, levantou-se e parou bem na frente de Jonas. — Não me diga que é por causa daquela médica.
O olhar de Jonas hesitou. Ele não queria colocar Aimée no meio daquilo.
— Eu e a Priscila Hoffman não damos certo.
— Como assim não dão certo? Eu sei que você não gosta dela, mas e daí? Vai garantir que vai gostar dessa médica para o resto da vida?
— A Família Hoffman é a sua grande parceira. O senhor Hoffman vai dar à Família Valente os contatos dele. Ele vai poupar problemas e te abrir oportunidades, está entendendo?
Assim que alguma lei fosse promulgada.
A Família Valente seria a primeira a saber!

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