Stella
— Mas doutor, eu nunca fiquei sem menstruar, como posso estar entrando no quarto mês de gestação?
— Na verdade, você não menstruou, porque a mulher só menstrua quando está ovulando, que não era o seu caso.
— Mas… — Ele me corta dizendo. — Em média, quinze a vinte e cinco por cento das mulheres têm sangramentos no início da gravidez. Embora essas pequenas manchas possam pegá-la desprevenida, elas não imitam o fluxo de um período menstrual. Quando você menstrua, começa com um sangramento leve, que depois se torna mais pesado antes de diminuir. No entanto, se você estiver sangrando o suficiente para encharcar um absorvente, isso é alarmante.
— Eu nunca fui de ter um ciclo muito grande, geralmente é dois ou três dias.
— Por isso se confundiu então. — Ele diz calmamente.
Como queria estar tranquila como ele, porque nesse omento um furacão de emoções está fazendo um estrago dentro de mim.
— Mas isso é perigoso para o bebê? — Pergunto.
— Isso é muito relativo, existem diversos motivos para acontecer o sangramento, como implantação do embrião no endométrio, gravidez ectópica, doença trofoblástica, entre outras como o aborto e deslocamento da placenta ou até mesmo alguma infecção. — Começo a chorar com a mão na barriga, — calma, vamos fazer um exame de ultrassonografia e ver como está o bebê. Desculpa se te assustei, mas como médico tenho que te dizer as possibilidades.
— Amiga, vamos fazer o exame e vai ver que vai estar tudo bem — Emma diz, me lançando um sorriso encorajador que não chegava à preocupação descrita em seus olhos
— Stella, Durante as primeiras vinte semanas de gravidez, vinte a trinta porcento das mulheres têm sangramento vaginal. Para muitas dessas mulheres, há um problema com a gravidez, mas algumas mulheres que apresentam o sangramento têm uma gravidez normal e saudável. Então aconselho a vermos o que está acontecendo para depois nos preocupar. — Faço que sim com a cabeça, pois neste momento perdi o chão e a voz.
Observo-o pegar o telefone e ligar para alguém, para saber se tem alguma sala disponível.
— Prontinho, temos uma sala vaga, mas só pode entrar um acompanhante.
— Pode entrar com ela, Emma, eu aguardo na recepção. — Emma lhe dá um abraço e seguimos o doutor até a sala de exame.
— Coloque aquele avental e deite-se aqui. — Ele aponta para a maca.
Faço o que ele disse e deito na maca. Ele pega um gel gelado e passa por cima da minha barriga, logo ele começa a passar um aparelho, e a imagem surge no televisor.
O silêncio se instala, se caísse um alfinete, com toa certeza daria para ouvir.
O doutor continua mexendo de um lado para o outro, ele está sério, eu nem respiro, olho para minha amiga que está chorando, olhando sem piscar para o televisor.
Alguns minutos torturantes se passam quando do nada o doutor diz:
— Como previa, não é nada de mais, teve uma pequena deslocamento e uma possível infecção.
— Meu bebê está bem, doutor?
— Seus bebês estão bem,
— O senhor falou bebês? — Emma diz chorando mais ainda. — Vou ser tia de duas bolinhas lindas.
“Estou assustada, feliz, preocupada, muito feliz, meu Deus, como estou feliz!”
— Sim, dois bebezinhos, olha esse é um — De repente se escuta um som acelerados de batidas rápida de um coração, — e este é o outro — o mesmo som pode ser ouvido e as grandes comportas de lagrimas são despejadas pelo meu rosto.


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