Vejo o carro se distanciando, e grito:
— O que estão fazendo parados aí, porra! Vão atrás dela.
Volto para dentro de casa com muita raiva.
— Viu o que você fez! Ela não deve ter ouvido toda a nossa conversa e entendeu tudo errado. — Pego Lily pelos ombros e a chacoalho no ar como uma boneca de pano, a jogo no sofá.
Ela está segurando um papel, amassando-o com muita força, eu tiro o papel da sua mão, quase o rasgando.
Preciso ler mais que uma vez, está escrito bem grande “POSITIVO”.
— Que porra é essa? — Pergunto para mim mesmo.
— Eu avisei, que era golpe da barriga, ela só quer seu dinheiro…
Lily continua a tagarelar na minha orelha e a única coisa que consigo pensar é que “minha namorada está grávida, que a mulher que amo está carregando um filho meu… não tem como amá-la mais, preciso encontrá-la.”
— Cala a porra da boca e suma da minha frente, não apareça nunca mais!
— Mas Edu, ela quer…
— Me amar, aumentar minha família, ser minha mulher! E me tornar o homem mais feliz do mundo inteiro. Retire-se da minha frente, ou não respondo por mim! Você acabou de destruir um dos momentos mais importantes da minha vida e da Stella. Suma Liliane!
Ela sai correndo, cambaleando, atordoada, assusta, Lily cai sobre os pacotes jogados pela Stella, levantando-se com dificuldade e correndo para fora.
Abigail me olha assustada, mas ao encará-la, ela corre para a cozinha sem dizer nada.
Caminho até às coisas deixadas por Stella e vejo um embrulho cor de rosa.
“Acho que é para a Bella” — Penso sorrindo.
Vejo um pacote menor, da loja que costumo comprar, e um lindo conjunto de gravata, com lenço, abotoaduras e um prendedor.
“Eles são lindos” — Penso com carinho.
Vejo algumas roupas novas, para ela e uma caixinha, ao abrir sento ao chão e choro, há dois pares de sapatinhos e uma foto dá ultrassom, onde tem duas bolinhas, arregalo os olhos me dando conta que serei pai de gêmeos! Começo a rir feliz e choro com o simples bilhete, com a linda caligrafia da minha mulher.
“Parabéns papai, estamos a caminho!”
Pego o telefone e ligo para o Ernandes.
— Onde está a minha mulher?
— Senhor ela sumiu da nossa vista, mas estamos seguindo o GPS.
— Como uma mulher delicada, grávida, e emocionalmente abalada consegue fugir de segurança teoricamente treinados? Porra, pago vocês para quê? ENCONTREM A MINHA MULHER.
— Senhor, eu trouxe um copo de água, quer ajuda?
— Leve essas coisas para o meu quarto, por favor. E não quero água, obrigada. Sabe para onde Stella possa ter ido?
— Talvez na amiga que ela estava hoje mais cedo? — Abigail responde, vou até ela e lhe dou um beijo na bochecha.
— Você é um anjo, por favor busque a Bella para mim, vou encontrar a minha mulher.
Pego o carro e dirijo em direção à casa de Paloma.
No caminho pego trânsito, escuto algo como um acidente de trânsito, mas sinceramente sinto pelo acidente, mas o que importa agora é minha ninfa, e ela está muito chateada no momento.
Chego ao apartamento da Paloma e aperto o interfone incessantemente.
— Jesus amado, está querendo tirar o pai da forca?
— Meu nome é Stella Melfi e preciso sacar tudo o que tem na minha conta.
Ela faz o mesmo que a operadora de caixa, checa meus documentos, depois mexe no computador e diz:
— É uma quantia muito alta. Não prefere fazer uma transferência?
— Não, quero sacar mesmo — digo sem rodeios.
— Certo — ela começa a digitar algo, me olha discretamente e me estende um bilhete.
“Se estiver sendo ameaçada, mexa a cabeça levemente.”
— Ninguém está me obrigando. Eu só quero ir embora e levar o meu dinheiro.
— Ok, me siga, por favor.
Acompanho-a até um caixa mais distante, onde ela mexe mais uma vez no computador e pede para eu aguardar. Após alguns minutos, ela volta e me chama para uma sala reservada. A gerente está com uma maleta preta e me entrega um papel para assinar.
“Estou sacando oitocentos mil dólares. Jesus amado, por favor, me proteja!”
Assino o papel e olho para aquele monte de notas dentro da maleta. Fecho-a e a coloco dentro da mala, guardando algumas notas no bolso.
“Acho que assisti muita série policial.”— Sorrio com meus pensamentos.
Estou atravessando a rua quando escuto um barulho alto de pneus. Olho para o lado e vejo um carro vindo em minha direção. Instintivamente, coloco a mão na barriga e fecho os olhos, incapaz de me movimentar.
Estou paralisada pelo pânico, enquanto o carro em alta velocidade parece se mover em câmera lenta.
De repente, começo a ver a vida que nunca vou ter. Meus filhos brincam com sua irmã Bella, e eu toco canções infantis no violão, com Eduardo cantando junto.
Sinto lágrimas escorrerem pelo meu rosto e, de repente, tudo fica preto

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços do Coração.A babá do Destino.