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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 113

Stella

Acordo assustada em uma maca de hospital, imediatamente coloco a mão na barriga. Lembro que estava atravessando a rua, e depois não lembro mais nada. Tento lembrar como cheguei aqui, olho para os lados e vejo Matteo.

Ele está sentado numa cadeira ao lado da cama, com os olhos cheios de preocupação. Quando percebe que estou acordada, levanta-se rapidamente e aproxima-se da maca.

— Fica tranquila, está tudo bem com você e com os gêmeos. Sério que engravidou daquele babaca? — Sorrio, um sorriso sem humor, mas ainda assim, é um sorriso.

— O que aconteceu, como me encontrou, Matteo?

— Na verdade, te vi quando você estava atravessando a rua, e aquela louca jogou o carro em cima de você. Não me pergunte como, mas consegui te puxar segundos antes dela te atingir, fazendo-a colidir com um poste mais à frente. Chamaram o resgate e nos trouxeram para cá, mas deixei um dos meus homens no local do acidente. Acabei de saber que ela foi…

Ele faz uma pausa, hesitando, como se ponderasse o que deve ou não dizer.

— Ela foi detida — continua ele, finalmente. — A polícia chegou logo depois e a levou. Você está segura agora.

Suspiro, sentindo um peso sair dos meus ombros. Embora ainda haja muita incerteza no meu futuro, pelo menos sei que estou a salvo, e os meus gêmeos também.

— Obrigada, Matteo — digo, com sinceridade na voz. — Não sei o que faria sem você.

Ele aperta minha mão e sorri, desta vez com mais calor.

— Estarei sempre aqui para você, independentemente de tudo — responde ele, e pela primeira vez desde que acordei, sinto uma onda de esperança.

— Você sabe quem é ela? Por que queria me matar? — Sempre tentei ser o mais correta possível, até mesmo quando Richard me traiu eu não criei nenhuma confusão.

— Não sei, Stella, mas respondo à primeira pergunta: ela é a Chloe…

— Meu Deus, a que ponto chega a loucura e obsessão das pessoas. — De repente, me dá um estalo. Eduardo! Não quero que ele fique comigo por pena, por eu estar grávida dele, ou pelas crianças. O que tinha com Eduardo, para mim, era especial, mas pelo jeito era uma via de mão única. Seco algumas lágrimas e digo:

— Matteo, estou bem, me tira daqui.

— Não, você desmaiou, está grávida, precisa ser monitorada. E para onde ia com tanto dinheiro?

— Estou fugindo do Eduardo. — Ele me olha confuso. — Preciso sumir sem rastros, ele não pode saber para onde vou e já deve ter seus homens atrás de mim. Por quanto tempo fiquei apagada.

— Ele fez alguma coisa contra você? — Matteo pergunta com a voz grossa e tensa. — Eu mato, se ele pensar em te fazer mal.

— Relaxa, ele só foi babaca demais, e estou grávida, não quero me estressar. Me tire daqui Matteo, por favor!

— Certo, vou pedir a um amigo para emprestar o jatinho dele, você vai para França, fica no meu apartamento, e me liga se precisar.

— Merda, vou precisar de um celular novo, e sumir quanto antes, Eduardo deve ter colocado um exercício atrás dos filhos dele.

— Não vai me dizer o que aconteceu?

— Não consigo agora, talvez um dia eu conte.

— Ok, vamos logo então, mas tem que me prometer que vai se cuidar e me explicar certinho.

— Prometo.

— Não sei porque me ajuda assim, mas serei imensamente grata.

Matteo olha em meus olhos e diz:

— Descobrirá em breve, e eu te amo muito, não como mulher, mas como família.

— Não entendo. — Digo sincera.

— Não tenho tempo para explicar. Vá eles devem vir para o aeroporto em breve.

— Ok, obrigada mais uma vez.

Entro no avião sozinha, sentindo-me completamente perdida. A confusão na minha mente é avassaladora, dividida entre retornar e permitir que Eduardo participe da gestão, ou partir definitivamente e nunca mais olhar para trás.

Enquanto o avião começa a andar pela pista, pronto para decolar, olho pela janela e vejo a minha cidade ficando cada vez menor, já considero Boston como minha casa, Hinghan ficou

no passado, uma metáfora perfeita para a diminuição da minha própria identidade e certezas. Penso nos momentos bons e ruins que passei até aqui, e em como cada escolha moldou a pessoa que sou hoje.

Será que sou forte o suficiente para recomeçar do zero em um lugar desconhecido? Ou estaria sendo covarde ao fugir dos problemas em vez de enfrentá-los?

Meu pai com certeza escolheria a segunda opção.

Essas perguntas martelam na minha mente, enquanto sinto o avião decolar, levando-me para uma nova fase da minha vida, onde as respostas só poderão ser encontradas se eu tiver a coragem de buscar dentro de mim mesma.

— Desculpa, meus amores, mas preciso pensar sem ninguém para me influenciar. Mas prometo que um dia eu irei voltar e apresentar o seu pai e irmã! Tenho certeza que Bella irá amar vocês, assim como o seu pai. — Eu acaricio minha barriga enquanto digo e tento concretizar isso na minha mente e coração.

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