Stella
Canso de encarar o aparelho e envio uma mensagem para o Matteo, assim ele anota meu novo número.
“Oi, sou eu. A Stella. Chegamos bem, senhor Yang é um amor, vou roubá-lo de você! (Risos) A Monalisa então nem se fala, é um amor de pessoa! Obrigada Matteo, eu não tenho palavras para agradecer o que fez por mim!”
Aguardo alguns minutos então chega à resposta.
“Finalmente resolveu dizer que está viva! Estava quase pegando um avião e indo pessoalmente ver se estava bem! Fico feliz que tenha gostado deles, e não dou o senhor Yang não, ele é meu companheiro desde que era criança. Já o deixei avisado que você precisa ir a uma clínica hoje, se estiver disposta ele já a espera.”
Sorrio com a preocupação e carinho, de Matteo, e respondo:
“Certo senhor, vou me arrumar e já vou à clínica. Risos”.
Não demora para vir a resposta dele:
“Estou falando sério Stella. Vai ver se os bebês e você estão bem! Ainda estou me sentindo culpado em ser seu cúmplice nessa loucura, deveria ter colocado seguranças na porta, e ter deixado passar às vinte quatro horas recomendadas aqui em Boston.”
Reviro os olhos para o drama dele e escrevo sorrindo:
“É sério, estamos bem graças a Deus e a você. Prometo que vou à clínica. Nunca me esquecerei do que está fazendo por nós, muito obrigado! Você arriscou sua vida, nos tirando da frente do carro daquela louca. Matteo, você nos salvou!”
“Não fiz nada de mais, faria com qualquer um que estivesse atravessando a rua. Agora mocinha, não pense que vai me enrolar ou ficar de boa, se o doutor liberar, na segunda-feira você começa a trabalhar no meu restaurante, o Pierre já está ansioso à sua espera. Ele continuará o seu programa, como se estivesse aqui, claro, mais leve devido a sua gestação”. — Matteo escreve, e ainda bem que não pode ver meu rosto.
Como uma boa grávida, os hormônios falaram mais alto, e chorei emocionada, pois ao fugir de Boston achei que não estava apenas desistindo do meu amor, mas também da minha carreira.
“Você é um anjo que entrou na minha vida, enviado por Deus! Muito obrigado mesmo!”
Escrevi com as mãos tremendo, tamanha emoção que sentia naquele momento. Confesso que não sei se estou fazendo certo, mas no momento é o que preciso. Escutar o Eduardo dizendo amar Lily, depois de tudo que passamos juntos e de tudo que ela fez, me dói muito! Ele nunca disse que me ama. Sou despertada de meus devaneios com mais uma mensagem do Matteo.
“Não precisa agradecer, você tem talento, tenho que explorar em meus restaurantes e sempre que precisar estarei aqui”.
“Tonto, não querendo abusar, mas já abusando, posso te pedir outro favor?” — Pergunto envergonhada, já que ele me ajudou tanto.
“O que não faço chorando o que me pede sorrindo!” — Ele responde em seguida.
“Acho que inverteu esse ditado aí!” — Escrevo rindo e chorando ao mesmo tempo.
— Deus, esses hormônios vão me enlouquecer. — Resmungo para mim mesma.
“Agora é sério, compra um chip, e manda uma mensagem para o meu irmão, por favor! Tenho certeza que Edu foi me procurar lá, e ele deve estar preocupado. Eu mandaria daqui, mas eles saberiam onde me procurar”.
“Claro, está se saindo uma bela fugitiva, me deu até medo. Sabe esconder corpos também?”
Dou risada sozinha, e respondo:
“Claro, sou uma futura Chef esqueceu! Posso sumir com um corpo de várias formas, ácido ou um belo ensopado!”
Vou à clínica que o senhor Yang disse ser boa, e o faço entrar comigo, para traduzir o que o médico dizia, pois como disse antes meu francês é péssimo.
Após responder a todas as perguntas de praxe em uma consulta, conto o que conheço sobre a minha gestação. Como saí correndo e tropecei no vaso, provavelmente deixei cair todos os documentos sobre a gestação, como guias de exames, receitas, carteirinhas do pré-natal. Enfim, preciso começar do zero aqui na França.
— Certo, vou fazer alguns exames e depois faremos uma ultra.
— Doutor, ontem eu quase fui atropelada, graças ao bom Deus, fui salva por um amigo, eu desmaie e quando acordei vim para cá.
— Certo, vamos fazer a ultrassonografia, assim veremos como estão os bebês, já que pelo exame clínico você me parece bem. Quanto tempo faz que comeu pela última vez?
— Acho que faz umas duas horas mais ou menos.
— Não é o ideal, mas para uma primeira avaliação vai servir, pedirei para virem tirar o seu sangue, mas quero que repita os exames depois, com o tempo de jejum correto. Pronta para ver os bebês?
— Sim, por favor.
Senhor Yang está sendo maravilhoso, traduzindo para mim, ele é calmo e me passa confiança, como imagino que um avô seja com a neta. Não conheci meus avôs, então acho que seria assim.
Deito-me na maca para o exame com a ajuda do senhor Yang, levanto minha blusinha e o doutor começa a passar o gel gelado, me arrepio um pouco, mas sigo ansiosa para ver meus pequenos.
Passam-se alguns minutos e o doutor não diz nada, mais alguns e continua aquele silêncio ensurdecedor, que chega dar frio na espinha, não estou gostando das feições dele.
— Ah, algum problema, doutor? — Ele me olha de volta, mas não diz nada, está concentrado no monitor onde contém a imagem dos meus filhos.

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