Stella
Passei boa parte do voo chorando e a outra parte dormindo ou deprimida.
A aeromoça do jato foi muito solícita, me deu muito chocolate, para tentar me acalmar.
Quando desembarco sinto o friozinho de outono, ajeito o casaco, respiro fundo, sem saber ao certo o que fazer agora.
Matteo está sendo muito gentil, me ajudando, mas o que ele me disse não sai da cabeça.
“Descobrirá em breve, e eu te amo muito, não como mulher, mas como família”
O que ele quis dizer com “Descobrirá”, “Te amo não como mulher”?
— Senhorita Melfi?
Olho para o senhor robusto, com seus olhinhos puxados e um sorriso gentil.
— Me chamo Yang Kanji, sou o motorista da família Bonavalle.
— Oh! Sim. Eu não sabia que Matteo havia solicitado.
— Não, não, foi a senhora Bonavalle.
Arregalo os olhos surpresa!
“Caramba, será que ele falou para a mãe dele que eu iria vir? Mas a família dele não é da Itália?”
— A senhorita está pronta? — Ele pergunta me trazendo de volta.
— Sim, vamos! — Digo sorrindo, tentando ser simpática.
— Só está mala? — Ele pergunta segurando minha mala repleta de dólares.
— Hum, sim. Posso pedir um favor antes? — Pergunto receosa.
— Claro, estou à disposição para a senhorita.
— Uol, por essa eu não esperava. Certo preciso ir a uma casa de câmbio, e comprar roupas. — Finalizo com um sorrisinho sem graça.
— Claro! Tem uma no shopping, e lá pode fazer compras.
— Perfeito.
— Você pode ficar à vontade para sentar na frente ou atrás, mas se serve a dica de um velho japonês, eu iria na frente.
— Acho que vou pegar dica do velhinho. — Falo rindo.
Eu nunca vim a França, na verdade, nunca havia ido tão longe até ir para Boston, e depois para a Itália. Quem diria que eu estaria hoje em Paris, a cidade Luz, passando literalmente na frente da torre Eiffel.
— Imaginei que ela seria mais alta, na televisão ela parece enorme. Digo, ela é grande, mas…
— Relaxa, eu também tive a mesma impressão, mas precisa vê-la acesa, é realmente mágico. — Ele diz sorrindo. — Foi o que me fez apaixonar pela cidade.
— Sério, aí caramba — Olho com meus olhos arregalados, e a mão na boca. Acho que ele percebe que não estou bem, pois devo ter ficado do Gasparzinho. Ele é ágil e atencioso, para o veículo em um lugar que mais privado e eu coloco os chocolates que comi no avião para fora.
Senhor Tange ficou o tempo todo do meu lado, acariciando minhas costas, e segurando meus cabelos. Após não ter mais o que soltar ele me entrega uma garrafinha de água, depois com outra ele lava a sujeira que fiz na guia da calçada.
Após toda a burocracia, comprei um celular, e depois fomos às compras, o que foi muito engraçado na companhia do senhor Yang.
Ele é um homem engraçado, me fez esquecer um pouco da vida louca que tinha agora.
Escolhi algumas roupas, não muito, somente o necessário, depois voltamos para casa, eu estava cansada, então quando cheguei, no apartamento nem reparei, eu apenas tomei um banho, comi uma maçã e deitei exausta.
Quando acordei, não soube dizer se era noite ou madrugada, mas sei que estava com muita fome, fui até a cozinha e preparei uma salada de frutas, fiquei com medo de comer algo mais pesado.
Liguei a televisão por uns cinco minutos, mas todos os canais eram em francês e meu francês era péssimo. Desisti da televisão e comecei a explorar o apartamento, que era decorado com cores claras, o branco predominava.
Cheguei ao escritório e me surpreendi com a estante de livros, tinha muitos livros da mitologia grega, alguns romances e muitos e muitos livros de receita.
Escolhi um de comida francesa, sentei no sofá e fiquei folheando e estudando até que o sono bateu novamente.
Ao acordar pela manhã, eu me surpreendo com o café da manhã na mesa, com coisas leves, como panquecas, frutas, suco, leite.
Logo uma mulher negra aparece na sala de jantar, já acordou senhorita?
Olha-a com curiosidade, achando engraçado o sotaque arrastado de um inglês meio francês.
— Bom dia, — digo — meu nome é Stella.
— Sim, sim, meu nome é Monalisa, sou igualzinha não.
— Sim, é linda como ela. — Sorrio gentil, e de verdade eu não menti, ela é uma negra linda, com seu cabelo em tranças perfeitas e um sorriso maravilhoso, sua pele então nem se fala.
Fico um tempo conversando com Monalisa, o qual é um amor de pessoa, depois volto para o quarto, e fico encarando o celular sem saber o que fazer.

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Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços do Coração.A babá do Destino.