Stella
— Então doutor, tem algum problema?
— Não sei se posso classificar como um problema em si, mas… — Interrompo-o, pois estou preocupada e não preciso de meias verdades.
— Mas o que doutor? Quero saber a verdade, não me esconda nada.
— Então senhorita… — Ele olha ficha, o que me deixa mais nervosa, foi o senhor Yang quem a fez e se o Eduardo procurar por registros médicos, pode me encontrar. — Stella Bonavalle, — Arregalo os olhos para senhor Yang, que me retribui com um sorriso, mas volto rapidamente a atenção ao médico. — Algum problema com o seu nome?
— Não, nenhum! Continue falando sobre meus bebês, por favor.
— Certo, então, não são dois bebê. — Coloco a mão no meu coração.
“Oh, meu Deus, eu perdi um bebê? Nunca vou me perdoar…” — Paro com meus devaneios quando o doutor diz:
— São três. — Olho para o Doutor sem acreditar no que ouvia, ele sorri com minha cara surpresa, e com um inglês carregado de sotaque francês ele arrisca em dizer:
— Conte comigo, um, dois, três.
— Oh, meu Deus! — Coloco a mão na boca, choro e rio ao mesmo tempo.
Minha felicidade só não é maior, porque ele não está aqui.
— Mas está tudo bem com os bebês? — Pergunto ao me recuperar.
— Sim, pode ficar tranquila, eles estão saudáveis, no peso e tamanho ideal, o que me preocupa um pouco é que sua barriga ainda está muito pequena, vamos acompanhar sua gestação de perto, quero te ver toda semana, e devido ao pequeno deslocamento da placenta, você precisa ficar de repouso absoluto por dois meses. Só é permitido levantar para suas necessidades e vir as consultas, nada de escada.
— Certo doutor. Obrigada!
— Olha, passa na sala ao lado, faça todos esses exames, e pegue a fotinha que mandei imprimir dos seus bebês, ah! E também as receitas das vitaminas que precisa tomar.
— Obrigada!
— Até semana que vem Stella.
Saímos da sala e eu ainda estava embasbacada.
— Meus Deus, senhor Yang, eu vou ter trigêmeos. — Olho para ele sorrindo, o mesmo retribui o sorriso e me segue como um verdadeiro escudeiro até a próxima sala, onde tiram meu sangue, fazem alguns testes, e acabo fazendo exame de urina também.
Após tudo feito, senhor Yang dirigi tranquilamente até minha nova residência.
Quando chego, tomo um banho para tirar o cheiro de hospital, sento no sofá e logo Monalisa aparece com um copo de suco de laranja, e algumas bolachinhas caseiras.
— Tome isso querida, você precisa se alimentar, tem três bebezinhos precisando engordar e crescer. — Ela diz sorrindo, e eu retribuo com um sorriso carinhoso. — Já estava me esquecendo, suas vitaminas.
— Ela me entrega alguns comprimidos.
Odeio tomar remédio, mas me esforçarei pelos meus bebês, tomos os cumprimentos, depois decido enviar uma mensagem para o Matteo.
“Olá, meu amigo, tenho novidades”.
“Oi, eu já ia te ligar mesmo, me conta o que o médico disse? Vocês estão bem? Não responda, eu já estou te ligando”.
— Oie! Estamos bem graças a Deus, e agora somos quatro!
— Quatro? Por que quatro? — Matteo pergunta.
— Até agora minha ficha não caiu, mas acredite, estou grávida de trigêmeos.
— Puta que pariu! Nossa! Nem sei o que dizer.
— Imagina como fiquei ao saber a notícia. — Com um tom triste, pergunto: — Enviou a mensagem para o meu irmão?
— Sim, eu vou te enviar a resposta dele. Por mais que eu saiba o motivo, ainda assim acho errado.
— Preciso pensar, ver e ouvir aquela cena me deixou muito triste, eu senti meu coração virar milhões de pedacinhos.
— Ele parecia louco por você, tem certeza que não entendeu errado?
— Matteo, eu vi com meus próprios olhos, ninguém me contou.
Me afasto dela, atendendo o telefone.
— Alô?
— Como está a Stella?
— Olá, Matteo, querido, você está bem? E Stella? Como está.
— Para de drama, sei que está bem, mas Stella não tenho notícias, Monalisa e Yang mudaram de lado. — Dou risada do drama dela, e digo:
— Como pode ser tão dramática! Mais parabéns, você terá mais três… — Ela me corta como uma boa italiana.
— O quê? Não acredito, ela está grávida de trigêmeos!! Que notícia maravilhosa! Mas todos, inclusive ela, estão bem, não é?
— Sim, pode ficar tranquila!
— E quando vou poder vê-la? — Ela pergunta ansiosa.
— Acho melhor depois que ela sair do repouso, o médico disse ser melhor para ela.
— Sim, vamos aguardar então. Mas me mande notícias.
— Pode deixar, eu te amo!
— Também te amo pimpolho!
Desligo e ao me virar Paloma está com os braços cruzados me encarando de cara feia.
— Merda! O quanto ouviu? — Pergunto, ela nega com a cabeça e diz:
— Me conta tudo. Cada detalhe, se não ligo para o Edu agora.
— Droga, eu conto, mas tem que me prometer que não vai contar nada a ninguém.
— Depende do que vai me contar.

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