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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 129

Stella

Fico sem fala, meu coração disparado, o desejo de correr para os seus braços me consumindo. Respiro fundo, tentando controlar a emoção, e digo:

— Assim que o médico me liberar voltarei para casa.

— Aconteceu alguma coisa com vocês? Stella, você está bem, meu amor?

Meu coração se aquece ao ouvir “meu amor”. Respiro, saboreando cada sílaba:

— Repete. — Peço, com um sorriso tímido.

— O quê? — Ele pergunta, confuso.

— Meu amor. — Digo, sorrindo, meu coração se derretendo com aquelas palavras.

— Me diga onde está, que falarei pessoalmente.

— Edu… — Digo hesitante, olhando ao redor do quarto que não é meu lar. Como posso pedir para ele vir, sem consultar Matteo? Edu percebe minha hesitação e diz:

— OK, estou feliz por poder falar com você. Me avisa quando estiver voltando, que estarei te esperando. Desculpa por não dizer o quanto te amo antes. Eu te amo minha ninfa.

Lágrimas começam a rolar pelo meu rosto.

“— Deus, como é possível eu ainda ter lágrimas?” — Questiono enquanto as comportas das lágrimas são abertas mais e mais, e meu coração exalta de alegria.

— Eu também te amo, e sinto muito por estar longe.

— Volta para casa! — Ele diz, a voz embargada de emoção.

— Manda um beijo para a Bella. Diga que sinto muito. — Digo sincera, a dor da saudade pesando no peito.

— Diga você mesma, quando chegar. Fique bem, meu amor.

— Preciso ir. Fique bem você também.

Desligo o telefone e me deito na cama, me encolhendo como um bebê recém-nascido, minhas roupas encharcadas de lágrimas e pelo suor frio por falar com ele. Preciso voltar para casa, preciso voltar para minha família.

Fico em silêncio, perdida no turbilhão de sentimentos, não sei por quanto tempo se passa. Mona vem me chamar mais uma vez. Quem será que quer tanto falar comigo?

Quando chego na sala de estar, vejo uma senhora muito elegante sentada à mesa.

— Bom dia — digo, um pouco envergonhada e extremamente curiosa sobre quem é a mulher na minha frente e o porquê de tanta insistência para me ver.

Ao me olhar, ela parece surpresa, mas ao mesmo tempo, feliz como se estivesse esperando por esse momento há muito tempo.

— Deus, como você se parece com a sua mãe! — ela exclama com um inglês carregado de um sotaque italiano.

— A senhora conhece a minha mãe? — pergunto, intrigada e sentindo um nó se formar no meu estômago.

De repente, a senhora elegante se levanta, caminha até mim e me abraça, fazendo carinho no meu rosto. Assustada, dou alguns passos para trás, com meu coração disparado.

— Desculpe, estou te assustando. Deixe-me me apresentar, meu nome é Antonella Bellezo Bonavalle, sua avó paterna.

Eu congelo. Como assim ela é minha avó paterna? Bonavalle é o sobrenome do Matteo.

Estou perdida em um mar de confusão. Sem pensar duas vezes, corro para longe daquela senhora simpática do sorriso perfeito, me tranco no quarto.

— Não, não foi. Está com frio?

— Um pouco. — Digo, me abraçando.

— Pronto! Melhor? — Ele coloca seu blazer sobre meus ombros.

— Muito melhor, obrigada! Mas você ficará com frio.

— Não vou. Mas continuando: os dois se apaixonaram pela mesma mulher, então começou a batalha entre os irmãos. Meu tio saiu ganhando, ele conquistou a “bela ragazza”. O problema era que ela era estrangeira e faxineira na casa dos meus avós, e meu avô, como um italiano raiz, e muito conservador aos “valores” não permitiu que eles se relacionassem. Meu tio a escolheu, em vez da família. Então, meu avô o deserdou e disse que não queria vê-lo nunca mais. Disse que ele não merecia ser chamado de Bonavalle. Meu tio culpou meu pai, mas meu pai jura que nunca contou nada ao meu avô. O triste é que minha nona foi quem mais sofreu. Meu pai e ela procuraram por ele, mas nunca o encontraram.

— Meu Deus, que história triste. E você e seu irmão, brigaram por uma ragazza também? — Ele solta uma gargalhada.

— Não, ele acha que não valorizo o sobrenome, diz que fico brincando de casinha enquanto ele tem que gerir o negócio da família.

— Já não gosto dele. — Digo rindo.

— Chegamos. Está entregue.

— Obrigada pela companhia, Matteo.

— Não por isso! — Ele me dá um beijo no rosto. Sorrio e lhe entrego o blazer.

— Até amanhã, Chef.

— Até, bela ragazza. — Ele pisca e volta pelo caminho de onde viemos.

— PUTA MERDA! MEU PAI É O FILHO PERDIDO!

Meu coração acelera, minha respiração fica entre cortada, começo a ver pontinhos brancos, tento me apoiar, mas já é tarde demais.

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