Stella
Olho pela janela, e apesar do sol brilhando lá fora, o quarto está um pouco gelado, uma sensação que parece ecoar a confusão na minha mente e no meu coração. As incertezas dançam de mãos dadas com a saudade.
Acho que hoje será mais um daqueles dias típicos de me empacotar com roupas de frio.
Lembro-me que tanto eu quanto Emma sempre reclamávamos do frio. Estou morrendo de saudades dela. Acho que ela está muito brava comigo por sumir e não ter dado notícia alguma, e não tiro sua razão. Por mais que Leo deva dizer a ela como estou, não é o mesmo que falar com ela. Faço o que estou ensaiando há semanas, respiro fundo e crio coragem para apertar o botão e concluir a ligação.
— Alô. — Ela atende no terceiro toque.
Começo a chorar assim que escuto sua voz. Ela sempre foi como irmã para mim! Com a voz tremula pergunto:
— Vo... você me perdoa? — Ela fica um tempo em silêncio.
— Puta que pariu! Stella, é você? — Pergunta ela surpresa.
— Sim, estou morrendo de saudades. — Digo envergonhada — Você me perdoa por sumir sem dar notícias? — Digo entre lágrimas.
— Sua vaca, filha de uma boa mãe! Porque não posso xingar minha sogra! — Ela sorri e continua — Juro que se estivesse aqui, te daria umas boas palmadas. — Nesse momento não sei se sorrio ou choro.
“Malditos hormônios!” — Xingo mentalmente.
— Eu sei, e deixaria, você me bater. Sinto por tudo. Que saudades minha amiga!
— Então volta para casa! Para com essa birra, caramba, Stella! Estamos todos com saudades de você. Roubei seu número do celular do Léo, ia te ligar assim que o Edu entrasse na reunião.
— Como assim? Você está trabalhando com o Eduardo? — Pergunto surpresa
“Porque o Léo não me disse isso?” — Penso enquanto ela responde.
— Sim, vaca. Comecei assim que fugiu de nós. Saberia se não tivesse sumido do nada! — Ela bufa irritada, e continua — Estamos morando com ele, mas nosso apartamento está quase pronto e iremos nos mudar na próxima semana. Mas não mereces saber as novidades. — Sorrio.
— Então por que ia me ligar? — A provoco.
— Para te xingar e ver se coloco um pouco de juízo nesta cabecinha teimosa. Sabia que a Bella está queimando de febre a dois dias, por que sente a tua falta? — Coloco a mão na boca me sentindo péssima.
“Como fui egoísta pensando apenas no meu bem-estar, e esqueci-me da promessa que fiz a ela.” — Penso enquanto desabo na cama chorando, sentindo-me culpada.
— Sou uma pessoa horrível, não sou? — pergunto, sentindo-me a pior pessoa do mundo. — Não cumpri a promessa que fiz a Bella!
— Não! Só é uma péssima madrasta. Se culpe apenas por ser covarde e fugir, sem saber o que realmente aconteceu. — Amo nossa amizade porque Emma nunca passou a mão na minha cabeça. Se eu estava errada, ela falava na minha cara, e não estava nem aí se iria doer ou não.
“Mas o que me irrita nesta história é todos estarem do lado do Eduardo, ninguém estava lá, ninguém viu o que vi”. — Penso chateada
— Vocês me odeiam! — afirmo para mim mesma.
— Não, sua idiota, pelo contrário, te amamos mesmos com suas merdas. Agora pare de frescura e volte logo para casa. O Edu está sofrendo também. — Emma diz.
Meu coração infla, parece que explodirá de tanta felicidade, de repente a dor some, e a saudade domina cada célula do meu corpo.
— Me diga onde está, eu vou te buscar agora mesmo meu amor! — Edu insiste. — Aquele filho da puta do seu primo não quis me dizer, mesmo eu o ameaçando, ele sabe onde você está, não sabe?
“De que primo ele está falando? Não entendo o que ele quer dizer com isso”. — Questiono em meus pensamentos, tentando puxar na lembrança, de quem ele possa estar falando.
Sou despertada dos pensamentos com a Monalisa entrando no quarto dizendo:
— Stella querida, você tem visita.
— Quem está aí, Stella? Quem chegou para te visitar? — Edu pergunta do outro lado da linha. — É ele, não é? Aquele desgraçado foi correndo aí para te dizer que descobri que são parentes.
Estou confusa, não sei de quem Eduardo está falando, não sei o que responder.
— Diga que já vou, Mona. Obrigada. — Digo a Monalisa que aguarda minha resposta.
— Você está bem? Está chorando? O doutor disse que não é bom para os trigêmeos. Eles sentem tudo que… — Arregalo os olhos, apontando o telefone. — Oh! Desculpa, já estou indo.
— Stella, Stella, você está grávida de trigêmeos? Serei pai de quatro bençãos! Que alegria! Só ficaria mais perfeito com vocês ao meu lado. Volta minha ninfa! Estou morrendo de saudades!
— Edu, eu… — Ele me interrompe dizendo.
— Não se desculpe, meu amor, só volta para mim! Para nós!

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