Antonella
— Já faz uma hora que minha neta está no quarto, me digam, qual quarto ela está ocupando? Estou preocupada com ela, ainda mais grávida.
— Venha comigo senhora. — Monalisa diz, e eu a sigo, meu coração está apertado, como se estivesse pressentindo algo.
— Chame–a você, ela confia em você. — Sussurro para Monalisa que assente com a cabeça.
— Stella, querida, abra a porta. — Ela diz enquanto dá algumas batidinhas na porta e Stella não responde.
Aperto minhas mãos, apreensiva, nunca vou me perdoar se acontecer alguma coisa com a minha neta ou meus bisnetos.
Monalisa me olha preocupada, sussurro novamente:
— Chame-a de novo, por favor.
— Stella querida, abra a porta, estou preocupada com você!
Mais uma vez, não obtivemos resposta.
— Arrombem a porta, aconteceu alguma coisa com minha neta.
Monalisa corre para chamar ajuda enquanto fico na porta rezando para estarem bem e que seja apenas um susto.
Logo dois seguranças chegam e forçam à porta até que conseguem abrir, e a cena que vejo me faz perder as forças nas pernas me fazendo ajoelhar.
— Oh! Meu Deus! Ajudem a senhora, — Escuto Monalisa dizer, até que perco os sentidos.
…
Stella
Sinto meu corpo pesado, tento abrir os olhos, mas a claridade incomoda. De repente lembro-me de tudo, então abro os olhos assustada, não estou no meu quarto, colocando a mão na minha barriga.
— Graças a Deus acordou. — Olho para o lado e vejo a mesma senhora que disse ser a minha avó.
— Onde estou? — Pergunto.
— Você desmaiou, então a trouxemos para o hospital. — Ela responde enquanto vem em minha direção, secando algumas lágrimas.
— Meus bebês? — Pergunto, enquanto acaricio minha barriga.
— Meus bisnetos estão bene grazie alla Madonna e a Gesù. — Ela responde misturando sua língua natal com um inglês carregado.
— Traduz? Meus filhos estão bem? Bene significa bem, não é? — Estou nervosa, os aparelhos começam apitar, informando alguma alteração.
— Sim, sim, minha querida, tanto você quanto os bebês estão bem. Fique tranquila.
— Não sei, talvez por ser covarde, pela vergonha de sua mãe me ver ou por medo do seu avô descobrir. — Sua voz é um sussurro, cheia de dor e arrependimento.
— Por quê? O que ele faria de pior do que mandar o filho embora por ter se apaixonado por uma empregada? Ele fez meu pai correr como um cachorro sem rumo, o fez mudar sua essência, seu nome. — As palavras saem amargas, repletas de ressentimento.
Ela começa a chorar, lágrimas silenciosas escorrendo pelo rosto.
— Você conhece a história? — Sua voz é baixa, quase inaudível.
— Não graças ao meu pai. Matteo me contou uma vez sobre a briga do tio com o irmão. Liguei os pontos. — Respondo, a raiva ainda presente, mas suavizada pela dor dela.
— Ragazza inteligente. — Ela volta a sentar na poltrona ao lado da cama, enxuga algumas lágrimas e continua. — Eu o procurei por anos. Na época que seu avô o expulsou, tentei impedir, mas como sempre, o que eu falo não significa nada para ele. Sou apenas um enfeite para ele exibir nas festas da alta sociedade, uma marionete. Lembro-me de ameaçar ir com meu filho, ele me bateu no rosto e ameaçou acabar com a minha família se eu sujasse o lindo nome dele. Então, como uma fraca, engoli minha dor e meu orgulho. Giovanni me ajudou, juntos procuramos pelo seu pai e sua mãe, mas não os encontramos. Giovanni conheceu sua esposa, se casou e desistiu de encontrar o irmão, mas eu não. Continuei procurando. — Ela para um pouco para respirar, após tomar fôlego, continua. — Em uma viagem, sem querer, os vi de longe, no parque. Foi quando a vi pela primeira vez, com seus cabelos loiros voando enquanto seu pai te balançava. Você e seu irmão gargalhavam, competindo quem ia mais alto. Chorei de felicidade em saber que meu filho estava bem e que agora eu era avó. Já tinha netos, mas descobrir sobre vocês encheu meu coração de amor. Fiquei por horas observando vocês. Contratei um detetive e fiquei de longe cuidando de vocês. De tempos em tempos, enviava carros para seu pai consertar, e quando você fez o transplante, paguei todas as despesas médicas, inclusive sua cirurgia plástica.
Coloco a mão na cicatriz que não existe graças a ela, não há um sorteio qualquer. As lágrimas queimam meus olhos.
— Quando Matteo disse que você havia passado no concurso como a melhor da turma, vibrei de felicidade com ele. Sabia que ele era o único que sabia de vocês. — Ela diz, a dor e o orgulho misturados em sua voz.
— Ele nunca me contou. — Digo, chateada, sentindo uma pontada de traição.
— Não fique brava com ele, eu pedi para não contar. — Sua voz é suave, implorando por compreensão.
— Então, minha querida, mesmo de longe, sempre estive por perto. Me perdoe por demorar tanto para me revelar. — Ela sussurra, a súplica em seus olhos, a dor de anos de silêncio e distância estampada em seu rosto.

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