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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 132

Stella

Olho para ela, sentindo uma mistura de raiva e compaixão. O que dizer diante de tanta dor e arrependimento?

— Você não entende o que foi crescer sem saber da sua existência. — Minha voz treme, cheia de mágoa. — Tudo bem que temos nossa avó materna, mas nunca soubemos de você, e quando perguntávamos meu pai se transformava, uma vez chegou a bater em meu irmão, e sem aceitar entrei no meio e apanhei também… E agora descubro que a senhora sempre esteve lá, mas escondida.

Ela abaixa a cabeça, lágrimas ainda escorrendo pelo rosto. Eu não estou muito diferente.

— Eu sei… Eu sei que não posso mudar o passado. Mas quero estar presente agora, se você me permitir.

— E como posso confiar em você? E meu avô não vai te punir? — Minha voz é um sussurro desesperado. — Como posso acreditar que não vai desaparecer novamente?

Ela levanta os olhos, me encarando com uma intensidade que nunca vi antes.

— Porque aprendi, tarde demais, o valor da família. E estou pouco me lixando para o que aquele velho babão pense ou diga. — Ela respira fundo. — E, porque não suporto mais a dor de estar longe de vocês, longe do meu filho. Estou disposta a lutar pelo seu perdão, pela sua confiança. Sei que levará tempo, mas não desistirei, nem agora e nem nunca. Quero minha família completa de novo.

Parte de mim quer abraçá-la, outra parte quer afastá-la. A confusão e a dor são esmagadoras.

— Preciso de tempo. — Digo, finalmente, minha voz, um sussurro rouco. — Não sei se posso perdoar tudo isso de uma vez, não foi diretamente a mim, mas ao meu pai.

Ela assente, compreendendo.

— Eu entendo. — Sua voz é suave, mas firme. — Estarei aqui, esperando. Sempre que precisar de mim.

O silêncio se instala novamente, mas dessa vez, não é tão opressivo. Há uma promessa de algo novo, um começo, talvez. Mesmo que o caminho à frente seja longo e doloroso, há uma pequena esperança de que, no fim, possamos encontrar uma forma de ser família.

Eduardo

— Já está tudo pronto, Emma? — pergunto, com o celular no viva-voz enquanto arrumo uma mala pequena.

— Está sim. Acabei de ser informada que ela está no hospital particular no centro. Não sei o que aconteceu, mas ela terá alta amanhã.

— Você sabe o horário da alta? — pergunto.

— Sim, ela sairá às nove horas, então às dez você pode começar tudo.

— Pode deixar.

— O avião já está pronto.

— Perfeito, eu também estou. Vou desligar. Me deseje sorte.

— Vai lá, chefinho. Já deu certo.

Desligo o celular sorrindo. Antes de sair, Bella entra no meu quarto.

— Vai viajar, papai? — pergunta ela, com lágrimas nos olhos.

— Sim, minha princesa. Vou buscar a tia Stella.

Ela arregala os olhos, que começam a brilhar e sorri.

— Que felicidade, papai! Estou com tanta saudade dela.

— Eu também, meu anjo. Mas preciso te perguntar uma coisa.

— O que, papai?

Caminhamos para a saída, e quando as portas automáticas se abriram, a visão que surgiu diante de mim me deixou sem palavras. Lá fora, Eduardo estava de pé, vestido com um terno elegante e segurando um buquê de tulipas vermelhas, minhas flores favoritas.

Eduardo avançou em minha direção, seus olhos brilhando com emoção. Sem me dar tempo de dizer algo, ele me puxa pela nuca beijando-me.

O beijo foi suave e feroz ao mesmo tempo, quente e saudoso. Depois ele se a ajoelhou no chão, segurando as tulipas com uma mão e tocando minha barriga com a outra.

— Oi, meus amores, é o papai! Saibam, que amo muito vocês!

Nesse momento eu estava desabando em lágrimas.

— Stella, — ele começou com a voz embargada, — cometi muitos erros, mas quero passar o resto da minha vida mostrando a você o quanto te amo e o quanto quero ser o melhor para você e nossos futuros filhos. Você me perdoa e me dá a chance de recomeçar?

Antes que eu pudesse responder, ouvi o som de um avião se aproximando. Olhei para cima e vi um avião pequeno puxando uma faixa que dizia:

“Stella, você quer casar comigo?”

As lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto enquanto eu observava a faixa no céu e olhava para Eduardo, ajoelhado diante de mim. A emoção que eu sentia era avassaladora, e eu sabia que, apesar das dificuldades, o amor que sentia por ele era maior que qualquer mágoa.

Olhei para o lado e minha avó estava chorando, sussurrando silenciosamente — Aceita logo.

Com um sorriso, dei um passo à frente, peguei a mão dele e disse.

— Sim, meu amor! Mil vezes sim!

Ele me abraça e me beija novamente, sinto-me em um sonho.

Confesso que meu lago inseguro tem medo de que eu acorde e seja só um sonho, mas por hora aproveitarei cada segundo.

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