Stella
Acordo com vários beijinhos pelo meu rosto e pescoço.
— Vamos acordar, preguiçosa. Você dormiu o voo inteiro. — Ele diz, rindo.
— Meu Deus, que vergonha! Por que você não me acordou? — Pergunto, um pouco irritada.
— Amor, você estava dormindo tão tranquilamente. Até os bebês estavam calmos. Vim te ver algumas vezes, mas não quis te acordar. — Responde ele, carinhoso.
— Devo estar com a cara inchada e feia… — Falo, fazendo um bico.
Ele sorri, e enquanto caminhamos até as poltronas do quarto e afivelamos os cintos, Edu segura a minha mão e beija-a delicadamente. Adoro quando ele fica todo carinhoso.
…
Chegamos no aeroporto, e o vazio me atingiu como um soco. Não havia ninguém nos esperando, exceto o Ernandes. Meu coração afundou. Será que se esqueceram de mim? Será que eu, depois de tanto tempo fora, não merecia ao menos um sorriso familiar?
Entrei no carro, azeda, a tristeza se transformando em irritação. Vi Edu trocando sorrisos com Ernandes, e aquilo me deixou ainda mais amarga. Como ele podia estar tão feliz? Ainda mais que ninguém veio nos receber. Vi Edu apresentando o senhor Yang, ao Ernandes, que agora se sentava ao lado dele, no banco da frente. Eu me sentia invisível.
O caminho foi quase todo em silêncio. Respondi a Edu apenas quando necessário, minhas palavras pesadas de frustração.
— Amor, por que está assim? Não está feliz por voltar para casa? — Ele sussurrou triste.
— Claro que estou! Que pergunta é essa, meu amor? — Respondi rápido, querendo esconder a mágoa no meu coração.
— Não parece. Você está emburrada desde que desembarcamos. — Ele disse, me observando com aquele olhar que sempre soube ler minhas entrelinhas.
Eu hesitei, sentindo os olhos arderem.
— Não é isso, amor… É só que… Achei que eles estariam lá, esperando por mim, sabe? Emma, Léo e Bella. Mas pelo jeito, ninguém se importou em vir.
As lágrimas vieram sem permissão, escorrendo pelo rosto. Edu me puxou para perto, a voz dele suave como sempre.
— Ei, não fica assim. Logo você vai vê-los. A vida é corrida, você sabe. Deixa isso para lá e vem cá, fica pertinho de mim.
Eu tentei sorrir, me aconchegando nele. Mas o aperto no peito não cedia. Quando passamos pelos portões da casa, a escuridão me envolveu ainda mais.
— Não tem ninguém em casa? Todas as luzes estão apagadas… — A inquietação na minha voz foi impossível de disfarçar.
— Nossa, será que aconteceu alguma coisa? No avião meu celular ficou sem bateria. — Ele mostrou o aparelho descarregado, Edu estava com o semblante preocupado.

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