Eduardo
Stella me pediu para Bella a acompanhar nas compras, as duas estão animadas com a arrumação, cheias de ideias para a decoração. Eu queria estar lá, compartilhando esses momentos simples, mas tão significativos. No entanto, os meses em que negligenciei a empresa em busca de Stella, tentando recuperar o tempo perdido, deixaram um rastro de pendências. Agora, o trabalho se acumula diante de mim, como uma pilha imensa de contratos, e outros processos das empresas. Mas não me arrependo, porque finalmente tenho minha garota de volta.
Ainda assim, essa felicidade tem um gosto amargo. O tempo com elas é escasso, restrito às noites e finais de semana que não abro mão, pois cada segundo ao lado delas, é muito importante para mim. Estou imerso em contratos, analisando cada detalhe, quando o toque insistente do meu celular me arranca os papéis. O nome de Ernandes pisca na tela, e atendo imediatamente.
— Fala comigo.
— Senhor Hook, é a senhorita Stella... Ela foi atacada no banheiro feminino. Estou levando-a, desacordada, para a enfermaria do shopping — Meu coração para.
— Que porra aconteceu com a minha mulher? — Minha voz sai mais áspera do que pretendia, o desespero misturado com uma raiva. — Eu contrato segurança para que porra!
— Sei que não há desculpas para o que aconteceu, mas a senhorita Melfi entrou no banheiro, sem que eu o olhasse antes, ela…
— Sem desculpas, em que shopping estão, estou indo para aí? — Pergunto querendo matá-lo por deixar minha mulher ser exposta e ainda tentar se desculpar colocando a culpa nela.
— Do centro, senhor. — Ele responde com a voz baixa.
Sei que ele é um ótimo profissional, e deve estar se julgando ainda mais do que eu o estou.
…
A visão do corte na barriga de Stella faz meu coração parar por um instante. É um corte superficial, mas o suficiente para manchar sua pele delicada com sangue. O sangue da minha Stella.
— Foi Richard... — Ernandes murmura, com a voz pesada de culpa. — O ex-namorado dela. Ele apareceu do nada. Não o vi por perto, quando estava observando Stella correr para o banheiro, consegui nocautear ele depois que ela já tinha desmaiado. Não consegui impedir o corte a tempo.
A raiva me consome, queimando minha garganta, me cegando. Richard. O nome dele ecoa na minha mente, trazendo à tona todo o ódio que eu nunca soube que poderia sentir. Ele ousou machucá-la. Ousou tocar nela, mesmo quando o alertei para ficar longe. E eu não estava lá para impedir.
— Ele... ele está...? — pergunto, minha voz saindo sombria, carregada de uma ameaça que nem tento disfarçar.
— Desacordado, no chão do banheiro. Já chamei a segurança e a polícia. Ele não vai sair impune dessa — Ernandes tenta me acalmar, mas nada pode apagar a fúria que sinto.
— E Bella? — Pergunto tentando uma voz menos feroz.
— Está com o senhor Yang e Alex a caminho de casa. — Ernandes responde, sem conseguir me encarar.

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