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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 154

Entrei no vestiário, coloquei a roupa para cirurgia, por cima da minha, passei por todos que aguardavam com olhares cheios de expectativas.

Respiro fundo tentando deixar tudo do lado de fora da sala, e depois vejo o que fazer, agora preciso viver este momento maravilhoso, com a mulher que amo. Respiro mais uma vez e entro na sala de cirurgia.

Stella olha para mim, com seus lindos olhos azuis brilhando de lágrimas, consigo ver toda emoção que ela está sentindo através deles.

— Você demorou. — Ela diz em um sussurro.

Beijo sua testa e digo:

— Desculpa, meu amor, estou aqui agora.

A sala estava iluminada por uma luz forte e intensa, mas nada conseguia apagar o calor que pulsava no meu peito. Stella estava deitada na maca, o rosto pálido, mas seus olhos, aqueles olhos azuis da cor de um céu ensolarado em um dia quente de verão, estavam firmes, determinados. Era uma força que eu só havia visto nela em momentos raros, quando a vida exigia o impossível e ela respondia com coragem.

A mão de Stella estava entrelaçada à minha, e eu podia sentir o leve tremor que percorriam seus dedos. Era difícil dizer se o tremor vinha do medo ou da expectativa, talvez um pouco dos dois. O som dos monitores de batimentos cardíacos enchia a sala, cada bip parecendo marcar o tempo que tínhamos até que nossas vidas mudassem para sempre.

Confesso que os bips me rebatem lembranças dolorosas, obrigo meu cérebro focar no momento agora, e esquecer o que passou.

— Está pronta, meu amor? — Perguntei, a voz saindo mais suave do que eu esperava.

Stella sorriu, um sorriso cansado, mas cheio de amor.

— Estou… e você? — Ela diz com a voz fraca.

Eu ri, tentando aliviar a tensão que parecia pesar sobre nós.

— Nunca estive tão pronto e tão apavorado ao mesmo tempo. — Respondo com meu melhor sorriso.

O médico anunciou estarem prontos para começar. Ele pediu que Stella se sentasse, e o anestesista se aproximou, preparando-se para aplicar a anestesia em suas costas. Quando vi o tamanho da agulha, virei instintivamente o rosto, incapaz de assistir. Senti-me como um covarde por não conseguir encarar o que ela estava passando. O sofrimento dela apertava meu peito e revirava meu estômago. Se eu pudesse, tomaria aquela dor para mim, sem hesitar. Pouco depois, o médico ajudou-a a deitar novamente, preparando-a para o que seguiria, o nascimento dos nossos filhos.

Meu coração saltou com a expectativa de ver meus pequenos, e meu corpo inteiro ficou tenso com o medo dos riscos que um parto pode ter.

“Deus, proteja minha mulher, Stella é tudo que tenho, faça que meus filhos nascem saudáveis” — Começo a orar em silêncio, sei que não sou muito religioso, mas neste momento, só Deus para nos confortar.

Mantive meus olhos fixos em Stella, meu coração batendo acelerado, enquanto eu sussurrava palavras de encorajamento. Cada uma carregava o peso do meu amor por ela e eles, como se pudesse, de alguma forma, aliviar o que ela estava passando. A sensação de impotência era esmagadora; ver Stella tão vulnerável e saber que, apesar de não sentir dor agora, o desconforto ou as dores inevitáveis a aguardavam depois, era quase insuportável. Eu queria fazer mais, ser mais, encontrar uma maneira de carregar parte dessa carga, da dor por ela. Mas tudo o que me resta é estar ao seu lado, segurando sua mão, oferecendo a única coisa que posso dar agora: minha presença e todo o meu amor. E depois… depois estarei aqui, como sempre, pronto para ajudá-la a enfrentar o que vier.

O tempo parecia se arrastar, cada segundo se estendendo como uma eternidade sem fim. O silêncio na sala era ensurdecedor, pesado, preenchido apenas pelos bips constantes das máquinas, que ressoavam em meus ouvidos e apertavam meu peito como um punho invisível. Cada som, cada segundo, parecia aumentar a tensão, até que finalmente, um som diferente surgiu, rompendo o ar como uma lâmina afiada: o choro agudo e maravilhoso que nos trouxe de volta à realidade.

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