Eduardo
Fico alguns minutos olhando pelo vidro, uma das enfermeiras percebe e pede para que eu entre. Ao entrar na sala, senti meu coração acelerar de uma maneira que nunca havia experimentado antes. Meus passos eram pesados, mas não por cansaço. Era o peso da responsabilidade, do amor, do medo de não ser um bom pai. Sei que já sou pai, e faço de tudo por Bella, mas agora tenho mais três vidas, que depende de mim, preciso ser um exemplo e o alicerce de cada um deles.
A emoção me dominava, estava prestes a conhecer meus filhos.
Quando a enfermeira me conduziu até os berços, senti as lágrimas formarem-se instantaneamente. Lá estavam eles, tão pequenos, tão perfeitos. Três pequenos seres humanos que, até pouco tempo atrás, existiam apenas nos meus sonhos.
Me aproximei do primeiro berço e vi um dos meninos, com as mãos pequenas fechadas em punhos, como se estivesse pronto para enfrentar o mundo. Seus olhos estavam fechados, mas sua presença era imensa. Meu filho. Meu coração parecia explodir no peito. Toquei sua mão, tão delicada, e ele a segurou, ainda dormindo. Foi como se, naquele instante, ele soubesse que eu estava ali, e que sempre estaria.
Passei ao segundo berço, onde estava a menina. Ela tinha uma expressão tranquila, serena, como se estivesse sonhando com coisas boas. Seus cabelos eram tão finos, quase imperceptíveis, loiros como os da mãe, mas já pareciam brilhar à luz fraca do quarto. Quando toquei sua bochecha, ela fez um movimento suave com a cabeça, como se buscasse meu toque. E ali, naquele pequeno gesto, eu soube que daria minha vida por ela, sem pensar duas vezes.
O terceiro berço guardava o outro menino. Ele estava acordado, com os olhos fixos em mim, como se quisesse me conhecer antes mesmo de eu me apresentar. Seus olhos brilhavam de uma maneira que eu nunca havia visto antes, mesmo acinzentados eram lindos, ele me olhava como se ele já entendesse quem eu era e o que significava para ele. Quando ele estendeu a mão para mim, senti um vínculo imediato. Era como se, naquele momento, ele estivesse me dizendo: “Estou aqui, pai.”
Ajoelhei-me entre os três berços, sentindo-me pequeno diante da grandiosidade daquele momento. Lágrimas corriam pelo meu rosto, mas não havia tristeza. Apenas amor. Amor puro, profundo, que crescia a cada segundo. Eu sabia que minha vida nunca mais seria a mesma. Eu era pai. E naquele instante, em meio ao silêncio da sala, prometi a mim mesmo e a eles que faria tudo o que estivesse ao meu alcance para ser o melhor pai que poderiam ter. Eles eram meus filhos. E eu era, agora, completo.
Fico um tempo com eles, chamo o segurança pelo celular, peço para ficar na porta da UTI, em seguida vou para o quarto da Stella.
…
Meus pensamentos voltaram a funcionar com tudo, os sentimentos voltam a me confundir, respiro fundo tentando deixar de lado e focar na mulher que amo, e que está viva ao meu lado. Entro no quarto e ao olhar para Stella, que está adormecida, serena, alheia ao turbilhão que me consome. Ela é a razão do meu amor e da minha dor, tudo ao mesmo tempo. E agora, mais do que nunca, preciso dela, mas também sinto que posso perdê-la, de uma maneira que nunca imaginei.
Me aproximo lentamente, ajoelhando-me ao lado dela. Coloco minha mão sobre seu peito, sentindo cada pulsação, cada batida que antes era de Savanna, mas que agora é de Stella.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Laços do Coração.A babá do Destino.