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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 160

Stella

Niccolo, meu avô, irrompe pela porta com Alex logo atrás, tentando detê-lo em vão.

— Desculpe, senhor Hoork, ele invadiu e eu não consegui pará-lo. — Alex diz, ofegante.

— Tudo bem, pode deixar, Alex. — respondo, minha voz firme, mas por dentro já sentindo o caos se aproximar.

— O que faz aqui, vovô? — Matteo pergunta, a tensão evidente em sua voz.

Niccolo cambaleia, sua língua enrolada pelas palavras amargas que insiste em cuspir.

— Você é um traidor, assim como sua avó e o seu pai. — O cheiro forte de álcool emana dele, como uma nuvem tóxica que envenena o ambiente. — Vocês me traíram! — Ele grita, a voz rasgando o ar e assustando Bento, que começa a chorar. Bella rapidamente se aproxima do irmãozinho, tentando acalmá-lo.

— Não grite, vovô! Está assustando meus irmãozinhos! — Bella pede, sua voz tremendo de medo e preocupação.

Mas Niccolo não tem piedade. Seus olhos se tornam fendas de ódio puro.

— Estou pouco me fodendo, sua pirralha! — Ele a empurra com força, e ela só não cai porque eu a seguro no último instante.

Meu sangue ferve, e encaro Niccolo com uma fúria que nunca imaginei ser capaz de sentir, Edu dá um passo em sua direção, mas eu o impeço de seguir.

— Saia da minha casa, você não é bem-vindo aqui. — minha voz sai grave, ameaçadora.

Ele solta uma risada fria, desdenhosa.

— Até parece que vou obedecer a uma garota insolente como você.

Respiro fundo, mas não há espaço para medo. Apenas para a verdade.

— Prefiro ser uma garota do que um velho amargo e sem honra como você. Agora, saia da minha casa! Ninguém te quer aqui.

O silêncio cai como uma tempestade prestes a explodir. Niccolo então vira o olhar insano em busca de sua próxima vítima.

— Onde está aquela velha desgraçada? Antonella — Ele grita, enquanto os olhos varrem o espaço — Você arruinou a minha vida. Apareça, Antonella!

Observo pelo canto dos olhos que Michael, Emma e Dona Olívia estão saindo com os bebês e Bella, solto um suspiro de alívio, mas logo vira tensão, quando vejo minha avó surgir do corredor, sua presença como uma rocha no meio da tormenta.

— Estou aqui, Niccolo. Mas saiba que quem arruinou a sua vida foi você mesmo, quando expulsou seu próprio filho e decidiu construir uma segunda família. Você sabia das consequências.

Os olhos de Niccolo se estreitam em um ódio cego. Ele saca um revólver, a arma tremendo em sua mão enquanto aponta para minha avó. Meu coração para, o desespero se apoderando de mim. Minha avó… está em perigo.

— Você é um covarde, Niccolo. Não tem coragem de atirar. — Minha avó diz, sua voz calma, mas o olhar firme como aço.

O dedo de Niccolo treme no gatilho, seus olhos vidrados de fúria e dor. O silêncio é tão denso que cada respiração parece um trovão prestes a explodir.

— Você me tirou tudo, Antonella, eu não tenho mais nada! MAIS NADA ANTONELLA!

Minha vó só o olha com desdém, e diz com a voz amarga de rancor.

Eduardo corre para junto de mim, me abraça apertado.

— Nunca mais faça isso, poderia ter te perdido.

Antonella se aproxima, sua presença calma, mas implacável.

— Acabou, Niccolo. — Ela diz, a voz carregada de uma tristeza profunda. — Não há mais nada para você aqui. Deixe-nos em paz.

Niccolo, exausto e derrotado, finalmente desmorona, caindo de joelhos no chão. Ele solta um grito de desespero, um som de dor e perda, antes de se curvar, os ombros tremendo em soluços descontrolados.

Matteo o solta, mas Alex permanece ao seu lado, enquanto ele se encolhe, uma sombra do homem que um dia foi.

— Chame a polícia. — Eduardo diz firme. — Ernandes, isso foi uma falha muito grande na segurança, descubra o que aconteceu, e que isso não se repita.

Antonella se aproxima, olhando para ele com uma mistura de pena e determinação.

— Você precisa de ajuda. Mas não serei eu a te ajudar. — Ela diz, antes de se virar para mim e dizer. — Vamos cuidar dos pequenos. Eles devem estar assustados.

A polícia chega poucos minutos depois, levando-o embora, ainda balbuciando incoerências. Antes que o levem, meu pai vai até ele e diz:

— Eu te perdoou pai, e vou fazer o que puder para te ajudar com a justiça.

Fiquei com orgulho do meu pai, mesmo meu avô não merecendo, ele se propôs a ajudar. Ele que sofreu tanto devido ao pai.

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