Stella
Niccolo, meu avô, irrompe pela porta com Alex logo atrás, tentando detê-lo em vão.
— Desculpe, senhor Hoork, ele invadiu e eu não consegui pará-lo. — Alex diz, ofegante.
— Tudo bem, pode deixar, Alex. — respondo, minha voz firme, mas por dentro já sentindo o caos se aproximar.
— O que faz aqui, vovô? — Matteo pergunta, a tensão evidente em sua voz.
Niccolo cambaleia, sua língua enrolada pelas palavras amargas que insiste em cuspir.
— Você é um traidor, assim como sua avó e o seu pai. — O cheiro forte de álcool emana dele, como uma nuvem tóxica que envenena o ambiente. — Vocês me traíram! — Ele grita, a voz rasgando o ar e assustando Bento, que começa a chorar. Bella rapidamente se aproxima do irmãozinho, tentando acalmá-lo.
— Não grite, vovô! Está assustando meus irmãozinhos! — Bella pede, sua voz tremendo de medo e preocupação.
Mas Niccolo não tem piedade. Seus olhos se tornam fendas de ódio puro.
— Estou pouco me fodendo, sua pirralha! — Ele a empurra com força, e ela só não cai porque eu a seguro no último instante.
Meu sangue ferve, e encaro Niccolo com uma fúria que nunca imaginei ser capaz de sentir, Edu dá um passo em sua direção, mas eu o impeço de seguir.
— Saia da minha casa, você não é bem-vindo aqui. — minha voz sai grave, ameaçadora.
Ele solta uma risada fria, desdenhosa.
— Até parece que vou obedecer a uma garota insolente como você.
Respiro fundo, mas não há espaço para medo. Apenas para a verdade.
— Prefiro ser uma garota do que um velho amargo e sem honra como você. Agora, saia da minha casa! Ninguém te quer aqui.
O silêncio cai como uma tempestade prestes a explodir. Niccolo então vira o olhar insano em busca de sua próxima vítima.
— Onde está aquela velha desgraçada? Antonella — Ele grita, enquanto os olhos varrem o espaço — Você arruinou a minha vida. Apareça, Antonella!
Observo pelo canto dos olhos que Michael, Emma e Dona Olívia estão saindo com os bebês e Bella, solto um suspiro de alívio, mas logo vira tensão, quando vejo minha avó surgir do corredor, sua presença como uma rocha no meio da tormenta.
— Estou aqui, Niccolo. Mas saiba que quem arruinou a sua vida foi você mesmo, quando expulsou seu próprio filho e decidiu construir uma segunda família. Você sabia das consequências.
Os olhos de Niccolo se estreitam em um ódio cego. Ele saca um revólver, a arma tremendo em sua mão enquanto aponta para minha avó. Meu coração para, o desespero se apoderando de mim. Minha avó… está em perigo.
— Você é um covarde, Niccolo. Não tem coragem de atirar. — Minha avó diz, sua voz calma, mas o olhar firme como aço.
O dedo de Niccolo treme no gatilho, seus olhos vidrados de fúria e dor. O silêncio é tão denso que cada respiração parece um trovão prestes a explodir.
— Você me tirou tudo, Antonella, eu não tenho mais nada! MAIS NADA ANTONELLA!
Minha vó só o olha com desdém, e diz com a voz amarga de rancor.

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