Stella
Um mês e pouquinho se passou, e graças a Deus, hoje vamos para casa com os trigêmeos. A ansiedade é enorme, não só para mim, mas também para nossas famílias e amigos, que estão nos aguardando em casa.
Bella está especialmente ansiosa. Ela passou a manhã inteira arrumando o quarto dos irmãos, querendo que tudo estivesse perfeito para a chegada deles.
Edu decidiu que precisamos de uma casa nova, um lugar sem lembranças antigas, sem história, onde possamos criar as nossas próprias memórias. Achei um pouco desnecessário, mas concordei.
Já vimos algumas opções pelo catálogo on-line da corretora e combinamos de visitar algumas na próxima semana, para os nossos pequenos poderem se acostumar ao novo lar.
Chegamos em casa. Edu segura minha mão e a beija com carinho. Ele pega os bebês conforto de Benício e Beatriz, enquanto eu pego o de Bento. Quando entramos na sala, o cheiro inconfundível de casa, o som reconfortante das vozes familiares me envolvem como um abraço caloroso. Depois de tantas semanas angustiantes no hospital, finalmente estou aqui, com meus bebês. Meus trigêmeos. Aquele momento que parecia tão distante agora se concretiza diante dos meus olhos. Cada batida dos corações deles ecoa no meu peito, e sinto que meu próprio coração agora b**e em harmonia com três pequenos milagres.
A sala está cheia, mas o ambiente é de paz. Minha mãe está sentada ao meu lado, segurando um dos bebês com tanta delicadeza que parece que ela nunca soltará. Seus olhos se enchem de lágrimas, mas ela sorri, um sorriso que carrega todo o caos que enfrentamos e a alegria imensa de tê-los aqui, vivos, em nossos braços.
Bella, minha princesinha, olha para seus irmãos com uma mistura de amor e orgulho.
— Mamãe, eles são tão pequenos! — ela exclama, quase sussurrando, como se não quisesse acordá-los. Ela se inclina, acariciando suavemente a bochecha do Bento, e o amor que vejo em seus olhos me enche de uma felicidade indescritível.
Eduardo está ao meu lado, observando cada detalhe. Ele está visivelmente emocionado, e, quando nossos olhares se encontram, sinto que não precisamos de palavras para entender o que estamos sentindo. Passamos por tanta coisa para chegar aqui, e agora, com nossos filhos nos braços, tudo parece fazer sentido.
Antonella, minha avó, aproxima-se devagar, talvez com medo de que qualquer movimento brusco interrompa o momento. Léo está ao lado dela, seus olhos brilhando com uma emoção que ele tenta esconder. Ele nunca foi muito de expressar sentimentos, mas hoje, ao ver os bebês, sinto o quão feliz ele está, e que será um titio coruja.
Emma, com seu jeito carinhoso e materno, ajuda Bella a segurar a Bia, nosso apelido fofo para Beatriz.
— Olha só, Bella, você já é uma irmã mais velha! Terá que cuidar e proteger seus irmãozinhos, — ela diz, enquanto guia as pequenas mãos de Bella. Emma sempre foi uma irmã para mim, e saber que ela estará aqui para nos ajudar me traz um alívio enorme.
Michael e Paloma chegam de mansinho, mas não conseguem disfarçar a empolgação. Michael olha para os bebês com um sorriso malandro no rosto.
— Caramba, Stella, vocês vão precisar de um time só para trocar fraldas! Quer ajuda, Edu? — Paloma, ao seu lado, não perde a oportunidade e dispara:
— Acho que a gente deveria montar uma escala, hein? Três bebês, três dias de folga por semana para cada um! — A sala se enche de risos, e sinto a leveza que sempre acompanham os dois. É impossível não rir com eles, mesmo nos momentos mais tensos.
Dona Olivia está com Benicio no colo, rindo por ele não ficar quieto, e por ser curioso olhando para todos os lados. Minha avó senta o lado dela e fica brincando com ele.
Olho para os rostinhos dos meus filhos e sinto o peso do mundo desvanecer. Eles são pequenos, sim, mas são fortes. Superaram o impossível, e agora estão aqui, rodeados de amor e proteção. E, ao contrário do que imaginei, o medo que antes me consumia agora se transforma em uma força que não sabia que tinha. Com eles, ao lado dessa família maravilhosa, sei que podemos enfrentar qualquer coisa.

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