Edward
Ela se afastou, como se minhas palavras tivessem a ferido fisicamente. Mas eu não parei. Não podia parar.
— Ele nunca foi livre! Nunca teve a chance de ser uma criança! Eu o forcei a seguir o meu caminho, a se tornar um CEO de sucesso, porque era o que eu achava que ele deveria ser! Mas sabe de uma coisa, Helene? Eu estava errado! Estava tão errado quanto você! — Suspiro derrotado O privamos do mais gostoso da vida, dele se arriscar, errar, para depois certar, fazer as bobeiras que todo adolescente faz.
Ela estava tremendo agora, os olhos marejados de lágrimas que teimavam em não cair.
— E o que você quer que eu faça? — Sua voz saiu fraca, quase inaudível. — Quer que eu peça desculpas por tentar garantir o futuro dele? Por tentar dar a ele o melhor?
— Eu quero que você reconheça o que fez! — Eu gritei, sentindo minha própria voz tremular. — Quero que entenda que toda essa sua obsessão por luxo e status destruiu a nossa família! Destruiu o nosso filho! E agora está destruindo o futuro com nossos netos.
Ela balançou a cabeça, como se tentasse negar a realidade que eu estava esfregando em sua cara.
— Eu… eu não sabia que ele se sentia assim… — Ela murmurou, parecendo perdida, como se toda a sua vida estivesse desmoronando ao redor.
— Não sabia porque nunca se importou em perguntar! Nunca esteve lá, Helene! Sempre foi uma presença distante, preocupada apenas consigo mesma! E agora… agora é tarde demais! Você tem noção que não estávamos presente no momento mais difícil da vida dele.
— Que momento está falando? — Ela pergunta, eu a olho com desprezo, como pode ser tão medíocre e vazia.
— Onde estávamos quando Savanna faleceu? Eu deveria ter vindo que sugeri na época, mas mais uma vez você me enrolou na sua teia de futilidades.
As lágrimas finalmente começaram a escorrer pelo rosto dela, e pela primeira vez em muito tempo, vi uma fração de humanidade em seus olhos.
— Edward… eu não… não queria que fosse assim… — Sua voz estava embargada, quebrada.
Eu a olhei, sentindo uma tristeza esmagadora substituir a raiva.
— Mas foi assim, Helene. E agora… não sei se podemos consertar isso.
Ela deu um passo em minha direção, os olhos suplicantes.
— Eu posso mudar, Edward. Podemos tentar… por favor, não me abandone. Não nos abandone.
Fechei os olhos, sentindo o peso da decisão que pairava sobre mim. Era tão tentador, tão fácil ceder, acreditar que ela poderia mudar. Mas, no fundo, eu sabia que aquilo era uma mentira que eu já tinha contado a mim mesmo muitas vezes.
— Eu não posso mais viver assim, Helene. Estou cansado… cansado de fingir, de carregar esse fardo sozinho.
Ela soluçou, o som quebrando o silêncio que se seguiu às minhas palavras.
— Por favor, Edward… por favor… — Ela implorou, a voz cheia de desespero.
— Edward…? — sua voz saiu fraca, quase inaudível.
— Sinto falta deles, Helene. De Bella, quero conhecer os trigêmeos. Eu quero estar presente na vida deles. Quero ser o avô que não fui para Bella, o pai que falhei em ser para Eduardo. — Minha voz estava pesada com a verdade que eu carregava em meu coração.
Ela apenas assentiu, sem saber o que dizer.
— Não é tarde demais para mudar isso, Edward. Podemos mudar. Por eles.
Eu suspirei, passando a mão pelos cabelos perfeitamente alinhados e grisalhos.
— Sim, Helene. Podemos tentar. Mas preciso de mais do que palavras. Preciso ver ações. E mais do que isso, preciso sentir que estou fazendo a diferença na vida deles, antes que seja tarde demais, mais uma vez.
Ela me olhou, e por um instante, algo brilhou em seus olhos. Talvez fosse arrependimento, talvez fosse compreensão. Mas, pela primeira vez em muito tempo, senti que havia uma chance, por menor que fosse, de que as coisas pudessem ser diferentes.
— Estou indo à empresa conversar com nosso filho, você vai comigo?
Ela levantou do sofá e disse:
— Espere por favor, eu preciso retocar a maquiagem.

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