No caminho para a empresa, a tensão era palpável. Helene estava ao meu lado, silenciosa, os olhos fixos na estrada, mas eu sabia que por dentro ela estava tão nervosa quanto eu. Não era apenas sobre pedir perdão; era sobre reconhecer que havíamos falhado com como pais. E agora, mais do que nunca, precisávamos dele. Precisávamos de uma segunda chance.
Quando chegamos, o ambiente corporativo familiar parecia de algum modo mais frio, mais distante. Eduardo estava à nossa espera na sala de reuniões, o rosto sério, inabalável. Ele não fez nenhum gesto para nos cumprimentar, apenas indicou as cadeiras à sua frente.
Helene hesitou por um segundo antes de se sentar, e eu percebi o quanto essa situação a afetava. Quando nos acomodamos, Eduardo finalmente falou.
— O que vocês querem? — Sua voz era dura, sem espaço para sentimentalismos.
Troquei um olhar rápido com Helene, que parecia perdida em meio às suas emoções, e tomei a iniciativa.
— Eduardo, viemos aqui para pedir perdão — comecei, minha voz mais fraca do que eu gostaria. — Sabemos que erramos com você. Que falhamos como pais. E, depois de tudo o que aconteceu… — respirei fundo, tentando manter a compostura — só queremos uma chance de nos redimir, de fazer parte da vida de nossos netos.
Eduardo nos observava, impassível. Cada palavra parecia atingir uma barreira invisível que ele havia construído ao longo dos anos. Finalmente, ele suspirou, cruzando os braços.
— Por que agora? Depois de tudo? — A pergunta veio afiada, e eu sabia que ele tinha todo o direito de se sentir assim.
Helene abriu a boca para falar, mas as palavras pareciam escapar. Ela estava lutando para encontrar o que dizer, e eu sabia que o remorso a estava consumindo.
— Eu… — Helene começou, a voz embargada. — Eduardo, eu sei que fui uma péssima mãe. Que negligenciei muito a sua criação. Não tenho desculpas para isso. Só… só posso dizer que lamento, do fundo do meu coração. — Ela olhou para ele, os olhos brilhando com lágrimas presas em um ato de compostura que estava preste a desabar. — Stella… eu… errei com ela também. Não deveria ter agido daquele jeito. Eu estava cega, e... e fui egoísta. Por favor, me perdoe.

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