Assim que a água quente enche a banheira, afundo lentamente, sentindo o peso do dia começar a se dissolver. Meus pais… tudo o que disseram no escritório ainda reverbera na minha mente. Nunca imaginei ouvir aquelas palavras, e parte de mim ainda luta para acreditar.
Stella senta-se na beira da banheira, passando a mão suavemente pelo meu cabelo. O toque dela é o bálsamo que eu nem sabia que precisava.
— Meus pais foram à empresa hoje — começo a dizer, com a voz baixa. — E simplesmente falaram tudo o que eu sempre quis ouvir…
— O que eles disseram? — ela pergunta suavemente, sem me pressionar.
— Pediram perdão, Stella — finalmente confesso. — Pediram perdão por tudo. Por falharem comigo a vida inteira, por terem me tratado como um robô, por nunca serem pais de verdade. E... querem se aproximar. De mim, da Bella, dos bebês.
Stella levanta a cabeça, surpresa evidente em seus olhos.
— Isso é... inesperado — ela sussurra, compreensiva. — Eles pediram perdão de verdade?
— Sim — respiro fundo, relembrando cada detalhe. — Meu pai parecia cansado, como se finalmente reconhecesse tudo o que fez de errado. Minha mãe… mesmo com toda a frieza, até ela parecia vulnerável, de um jeito que eu nunca havia visto.
Stella me observa atentamente, os dedos desenhando círculos suaves no meu braço. Ela processa tudo junto comigo, como sempre faz.
— E o que você acha disso? — ela pergunta, suave, mas atenta. — Sei o quanto isso mexe com você.
— Eu não sei de verdade… Parte de mim quer acreditar que eles podem mudar, que perceberam o que perderam. — Minha voz vacila, enquanto as memórias da minha infância invadem minha mente. — Mas outra parte… aquela parte que não foi criada por eles, que foi ignorada e moldada para ser o “CEO perfeito”, não consegue confiar. Como posso acreditar neles agora, depois de tanto tempo? Após anos de distância?

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