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Laços do Coração.A babá do Destino. romance Capítulo 169

Stella

Eu estava em pé no meio da sala, a luz do fim da tarde entrando suavemente pelas enormes janelas de vidro da casa nova. Olhei ao redor, sentindo aquele misto de orgulho e cansaço que vinha com a realização de um sonho. A casa estava pronta, mas ainda havia detalhes a serem discutidos com Eduardo.

— Amor, você acha que a prateleira da sala deve ser mais baixa? — perguntei, gesticulando para a parede. — Fica mais acessível para as crianças, mas talvez ela pareça um pouco desproporcional…

Eduardo estava sentado no sofá, uma das plantas decorativas recém-compradas ao seu lado, analisando o espaço com aquele olhar detalhista que eu amava. Ele ergueu a cabeça e sorriu, deixando o celular de lado.

— Acho que mais alta faz sentido. Com os três começando a engatinhar, tudo o que estiver na altura dos olhos vai virar alvo — ele respondeu, com a voz calma, mas sempre prática.

Suspirei, concordando. O caos que estava por vir com os trigêmeos crescendo já me fazia rir e me desesperar ao mesmo tempo. Eles tinham apenas seis meses, mas eu já conseguia prever como cada pequeno detalhe da casa seria testado ao limite.

— É, você tem razão. E sobre o quarto da Bella? Ela mencionou que queria aquelas luzes de neon no teto… — continuei, enquanto caminhava até ele, sentando no seu colo.

Eduardo franziu as sobrancelhas, pensativo.

— Acho legal, desde que não incomode ela na hora de dormir. Mas, você sabe, talvez ela só queira se sentir especial agora, com os trigêmeos ocupando tanto a atenção — ele comentou.

Senti uma pontada no coração. Era verdade. Bella estava começando a demonstrar sinais de ciúmes. Eu percebia os olhares rápidos que ela lançava quando eu estava com os bebês, o silêncio sempre presente quando falávamos sobre os pequenos. Ela nunca dizia nada diretamente, mas era evidente. Eu estava preocupada em equilibrar tudo, mas também confiante de que encontraríamos uma solução.

— Vou conversar com ela mais tarde — disse, minha voz suave, mas determinada. — Ela precisa saber o quanto é importante para mim. Para nós.

Eduardo passou o braço em volta da minha cintura e me puxou para mais perto. Ficamos assim por alguns segundos, aproveitando o silêncio raro, o conforto da presença um do outro.

— Aliás, seis meses dos trigêmeos hoje, hein? — ele murmurou, beijando minha têmpora.

Sorri, fechando os olhos por um momento. Era difícil acreditar. Seis meses desde que nossos bebês haviam nascido e passado aquele mês e pouco na UTI. Agora, estávamos todos juntos, e até aqui, sobrevivendo. Era algo a se comemorar.

— Podemos fazer algo pequeno para eles, só para a gente — sugeri, abrindo os olhos. — Uma coisinha simples, sabe?

Eduardo assentiu.

— Claro, vamos fazer isso. Eles merecem, e nós também.

Logo, estava tudo preparado. Eduardo ajudou a montar uma mesa improvisada na varanda com alguns bolinhos, uma vela para simbolizar os seis meses, e os trigêmeos estavam nos seus carrinhos de bebê, observando tudo com aqueles olhinhos curiosos e ainda meio sonolentos.

Bella desceu as escadas devagar, um pouco afastada, seus cabelos caindo nos ombros, o olhar fixo nos bebês. Vi a pontinha de ciúmes nos seus olhos e sabia que precisava agir rápido.

Ela assentiu, e eu a abracei forte, sentindo o calor do seu corpo pequeno contra o meu.

— E você sabe o que mais? — sussurrei no seu ouvido. — Eu estava pensando em fazermos algo só nós duas no próximo fim de semana. Uma tarde só para a gente, que tal?

Bella levantou o rosto, seus olhos estavam mais brilhantes.

— Só nós duas? — Ela pergunta hesitando.

— Só nós duas — confirmei. — E nunca duvide do quanto eu e seu pai te amamos.

Ela sorriu, e naquele momento soube que tínhamos dado mais um passo para equilibrar essa nova dinâmica familiar. Eduardo, que estava observando tudo de longe, piscou para mim, como se dissesse que tudo estava indo bem.

— Prontos para cantar os parabéns? — ele perguntou, pegando a vela na mão.

Bella se levantou rapidamente, animada com a ideia, e se juntou aos irmãos. Cantamos os parabéns para os trigêmeos, que riam e olhavam curiosos para a chama da vela. Quando a música acabou, Bella apagou a vela, sorrindo, e naquele momento, tudo parecia em paz.

Nossa família estava crescendo, e com ela, nossos desafios. Mas também o nosso amor, que parecia só se multiplicar.

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