Eduardo
Hoje é o segundo dia que Bella está no hospital, e eu movi mundos e fundos, para garantir que o culpado pelo acidente fosse encontrado e condenado.
Agora, estou no tribunal com meu advogado e o Sr. Buick. O silêncio era opressor enquanto aguardávamos o veredicto do homem que fez meu mundo desabar. Ele estava ali, com a cabeça baixa, evitando qualquer contato visual, mas eu queria que ele sentisse a dor que nos causou. Stella não quis vir; ela não sai do lado de Bella. Dois policiais foram ao hospital para coletar seu depoimento.
O tribunal permaneceu em silêncio quando o juiz, com um olhar severo, começou a ler a sentença. O desgraçado estava à nossa frente, cabisbaixo. A vontade que tinha, era de enchê-lo de porrada.
— O réu Stefano Carpenter — começou o juiz, em tom firme — foi julgado e considerado culpado por dirigir sob influência de álcool, resultando em ferimentos graves a uma menor de idade, conforme as leis deste estado. Dada a gravidade dos ferimentos causados à vítima, Isabella Moyes Hoork, de seis anos, e à senhorita Stella Melfi, que sofreu ferimentos leves, mas foi profundamente afetada pelo trauma psicológico, o que a impossibilitou de comparecer ao julgamento. Devido à negligência criminal ao dirigir embriagado, o réu é condenado a oito anos de prisão em regime fechado. Conforme as leis de DUI agravado, que incluem ferimentos graves a menores, a sentença é severa, sem possibilidade de fiança. A pena foi aumentada a vinte anos devido à idade de Isabella Moys Hoork e ao estado de coma resultante do acidente. Cessão encerrada.
O que eu imaginava ser um momento de alívio trouxe apenas um vazio. Ele estava condenado, mas isso não traria Bella de volta, nem apagaria o trauma que Stella, Bella e eu enfrentamos. A justiça parecia, de alguma forma, insuficiente. Enquanto o desgraçado era levado pelos guardas, ainda com a cabeça baixa, não havia nenhum sinal de arrependimento. Ele seguiria sua vida na prisão, mas continuaríamos a trilhar um caminho de incertezas e dor.
….
No dia seguinte…
O som monótono das máquinas preenchia o quarto, ecoando a mesma angústia que pulsava em mim. Bella ainda não havia aberto os olhos. Três dias se passaram desde o acidente, e Stella se recusava a sair do lado da cama da nossa filha. Ela segurava a mãozinha dela. Seus olhos estavam fixos no rosto da nossa filha, como se, a qualquer segundo, ela fosse despertar. Eu queria acreditar nisso, mas, a cada momento de silêncio, a esperança parecia se desintegrar um pouco mais.
O médico entrou com o olhar exausto, e pelo seu semblante, eu sabia que ele mais uma vez não tinha respostas.
— Eduardo, Stella… — começou ele, sua voz baixa, mas clara. — Os exames seguem sem alterações. Não há danos permanentes no cérebro dela. Mas não entendemos por que Isabella ainda não acordou. Já se passaram três dias e, por enquanto, não temos mais o que fazer. Agora, é esperar.
Observei Stella, tentando antecipar a reação dela. Ela estava frágil, o corpo cansado, o rosto marcado por olheiras profundas, denunciando as noites mal dormidas.
— Amor, vá para casa, descanse um pouco. Fico com ela — sugeri, a voz suave, mas carregada de preocupação.
— Eu não vou a lugar nenhum, Eduardo — respondeu ela, a dor impregnando cada sílaba dita. — Ela precisa de mim aqui.
Eu me voltei para o médico, buscando alguma resposta que não havia sido dita.
— O que significa “não sabemos”? Como assim, não sabem o motivo? — minha voz subiu involuntariamente, o desespero escapando.
— O corpo, às vezes, reage de formas inesperadas após um trauma — explicou ele. — Mas o estado clínico dela é estável. Pode acordar a qualquer momento.

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