Eduardo
As luzes suaves do abajur refletiam um brilho discreta o no quarto. Stella estava ao meu lado, encolhida no sofá, abraçando os joelhos como se quisesse se esconder do mundo. O choro dela, baixo e contido, parecia perfurar o ar com uma dor que eu sentia como minha.
Eu não sabia mais o que dizer, mas minha mão estava firme na dela, entrelaçando os dedos, como se esse gesto simples pudesse segurar toda a angústia que desmoronava ao nosso redor. O coração de Stella era forte, mais forte do que qualquer um jamais imaginaria, mas agora ela parecia tão frágil. Seus olhos, ainda inchados de todas as lágrimas derramadas, olhavam para o nada, cheios de uma dor silenciosa.
— Eu não quero… eu não posso perdê-la, Edu, — a voz dela quebrou finalmente o silêncio. — Se alguma coisa acontecer com a Bella… eu não… eu não sei se vou aguentar.
Fechei os olhos por um segundo, sentindo o peso daquela mesma possibilidade. Bella havia acordado durante a noite, febril, e nosso medo era palpável. A cena da UTI dos trigêmeos ainda estava fresca em nossas memórias. Uma sensação constante de fragilidade pendia sobre nós, como uma ameaça que nunca parecia se dissipar. Cada vez que um de nossos filhos ficava doente, o pânico rastejava de volta.
— Ela é forte, assim como você, — sussurrei, mas nem eu acreditava completamente nas minhas próprias palavras. A insegurança se misturava com cada batida acelerada do meu coração. — Nós não vamos perdê-la, Stella. Eu prometo.
— Sei que ela não é minha filha de verdade, mas eu a amo tanto, que nem lembro que não temos o mesmo sangue.
— Nunca mais repita isso. Ela é a sua filha sim. Ela ficará bem meu amor. Ela vai…
Stella me olhou, e pela primeira vez em horas, vi seus olhos realmente focarem nos meus. Havia medo ali, um medo desesperado, e eu sabia que o reflexo nos meus olhos era o mesmo. Bella era nossa luz, nossa menina, e a simples ideia de algo de errado acontecer com ela era o pesadelo que compartilhávamos sem precisar colocar em palavras.
O quarto estava mergulhado em um silêncio tenso, enquanto o choro abafado de Stella continuava, e eu apenas desejava que minha presença fosse o suficiente para acalmá-la. Puxei-a para mais perto de mim, envolvendo-a em um abraço, e senti seu corpo tremendo contra o meu.
Foi então que ouvimos um som suave vindo da cama. Os lençóis se mexeram de leve, e quando olhei, vi Bella se virando. Seus olhinhos estavam meio abertos, piscando contra a luz fraca. Senti o ar ficar preso no meu peito enquanto ela lentamente despertava, e por um instante, um pavor irracional tomou conta de mim. O que veríamos quando ela acordasse completamente? Ela estava realmente bem?
Bella virou a cabecinha em nossa direção, e, por um momento, o mundo parou. Seus olhos encontraram os meus, e depois os de Stella. E ali, naquela troca de olhares, eu vi algo que não esperava: um brilho suave, como se cada lágrima que caíra fosse transformada em felicidade pura.
Ela nos olhava com uma mistura de amor e alívio. Seus lábios se abriram num pequeno sorriso, e as lágrimas que haviam começado a se formar em seus olhos não eram de dor, mas de uma alegria quase mágica.
— Mamãe… Papai… — Ela sussurrou, com a voz ainda frágil de sono, mas cheia de uma ternura que quase nos fez desmoronar.
Stella soluçou ao meu lado, mas desta vez era diferente. Ela soltou um riso suave entre as lágrimas, ainda nos meus braços, enquanto olhávamos para nossa menina. Segurei a mão dela com mais força, sabendo que, pelo menos por agora, aquele medo terrível estava sendo varrido para longe.

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