Eduardo
A estrada parecia se estender infinitamente à nossa frente, cada quilômetro transformando minha própria ansiedade em uma correnteza silenciosa. O silêncio no carro era quase palpável, quebrado apenas pelo som da respiração irregular de Stella ao meu lado. A cidade passava pelas janelas como uma lembrança distante, mas meus pensamentos estavam totalmente focados nela. Eu conhecia bem aquele olhar, a tensão nas mãos que apertavam o banco, o nervosismo contido em cada movimento. Stella estava à beira de um colapso de ansiedade, ela não se recuperou das turbulências ainda, temo que no futuro ela precise tratar o pânico que pode ficar permanecer.
Ela não disse nada, mas a saudade dos nossos filhos estava praticamente estampada no ar. Cada segundo que nos afastava de Bia, Bento, Benício e Bella estavam mais próximos. Ela se mexia no banco, ajeitando o cinto, olhando pela janela como se esperasse que, de alguma forma, o carro acelerasse mais rápido. Mas não havia atalhos para a ansiedade. O caminho parecia mais longo do que nunca.
— Está tudo bem? — Perguntei suavemente, embora soubesse que minhas palavras eram insuficientes. Seu olhar perdido na estrada, o canto da boca trêmulo, tudo indicava o turbilhão que ela estava enfrentando. A última turbulência era do coração e não mais do avião, mas a de estar longe das crianças por tanto tempo. Eu também sentia isso, mas para Stella, essa distância parecia carregar o peso de algo mais profundo.
Os minutos no carro se estendiam como horas. Cada farol vermelho era um inimigo, cada curva lenta uma tortura. Eu tentava desviar a atenção dela, conversando sobre as pequenas coisas, mas nada funcionava. A verdade era que eu também estava impaciente. Ver nossos filhos era tudo o que importava. Eu queria sentir o cheiro deles, ouvir suas risadas ecoando pela casa, sentir os pequenos braços ao redor do meu pescoço. Era como se o mundo só fizesse sentido com eles por perto.
Stella soltou um suspiro trêmulo, e por um momento, pensei que ela fosse chorar. Mas ela era forte, como sempre. Ao invés de lágrimas, havia apenas a força silenciosa de uma mãe ansiosa para se reunir com seus filhos. Segurei sua mão, e ela apertou a minha com força. Não precisávamos de palavras para entender o que estava acontecendo. Era amor, puro e simples. Um amor que a estava consumindo por completo.
Quando finalmente entramos no nosso bairro, vi o corpo de Stella relaxar um pouco, mas a tensão ainda estava lá, nos ombros, nos olhos. As luzes da nossa rua pareciam mais brilhantes naquela noite. O familiar portão da nossa casa surgiu, ele abriu e Ernandes estacionou o carro. Stella já estava com a mão na maçaneta antes mesmo de desligar o motor.
E então, como se o universo estivesse esperando para recompensá-la por toda aquela angústia, a porta de casa se abriu. Ouvi o som inconfundível de pequenas risadas antes de vê-los. Bella foi a primeira a correr, os braços esticados na nossa direção, com um sorriso que iluminou a noite. Logo atrás, os trigêmeos tropeçavam nas próprias pernas, mas seguiam sua irmã, cada passo mais rápido, mais ansioso.
Stella desceu do carro como se estivesse em transe. Ela mal conseguia segurar as lágrimas. Eu sabia que naquele momento todo o peso que ela carregava simplesmente desapareceu. Tudo, desde a ansiedade até o medo de estarmos longe deles, evaporou no ar. Quando aqueles pequenos braços envolveram seu corpo, ela desmoronou em amor puro. As crianças a rodearam, e Stella os segurou como se não pudesse mais soltar.
Eu desci logo depois, me ajoelhei ao lado dela e envolvi nossos filhos também. Não havia mais nada naquele mundo que pudesse nos separar. O tempo parecia parar, e eu sabia, olhando para Stella, que tudo o que ela sentiu, todo o medo, toda a ansiedade, não importava mais. O amor deles foi maior que tudo.

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