Entre quatro paredes(Completo) romance Capítulo 22

Eu já estava na sala dele encarando ele enquanto falava com um dos seus advogados pelo celular, ele estava sentado em sua mesa virado para a janela de vidro que havia em sua sala.

Eu sabia que não poderia cobrar muito a respeito do assunto, mas o mínimo era ele ter me falado antes, meu peito ardia ao imaginar ele com a Vanessa. Assim que ele desligou a ligação e o observei por alguns instantes.

— Está tudo bem? — Ele pergunta, mas eu não respondo. — Se for por causa da Vanessa você pode ficar tranquila, ela não vai mais ocupar o lugar de assistente.

— Por que não me disse antes?

— O quê? — Ele larga os papéis.

— Que ia se casar com ela.

Dante solta um suspiro e umedece os lábios.

— Não era necessário, é passado.

— Anh, então eu tenho que te falar tudo da minha vida, mas você não. — Balanço a cabeça. — É muito mais fácil assim, ter a vida de alguém nas suas mãos.

— Você quer brigar por causa disso?

— Não, eu quero que você me fale pelo menos o mínimo a seu respeito. Eu não te conheço, Dante, eu apenas sei o que você quer que eu saiba!

Ele levanta da cadeira e vem até mim e der repente recua.

— Eu sei que assinei aquela droga de contrato, mas fale pelo menos o mínimo.

— Isso não diz respeito a nós dois, não tem porquê falar sobre. — Ele diz impaciente.

— Por acaso ela era como eu? — Dante aperta os olhos com força. — Pagava ela para transar com você?

— Não! — Ele bate em sua mesa — eu a amava, se é isso que quer saber. Eu não mencionei contrato nenhum, éramos um casal.

Não foram as palavras dele que me machucaram e sim saber o meu valor para ele. Por algum tempo eu tinha esquecido o que éramos um para o outro, conforme os meses passaram.

— Certo. — Pego minha bolsa — então eu sou o seu consolo.

— Alice... — ele segura meu pulso, mas eu puxo de volta. — Não foi isso que eu quis dizer.

— Não, você não me deve explicações. Eu só quero ir embora, posso?

Os olhos dele ficaram vidrados em mim, ele piscou duas vezes e depois me soltou. Saio de lá sem dizer mais nada, tento não deixar uma lágrima desgraçada cair. Entro no elevador e mais um suspiro sai de minha boca, eu não queria chorar, não sabia nem o porquê de chorar.

Peguei o metrô que já estava desacostumado a pegar e cheguei em casa, Anne estava na escola. Subi, entrei de baixo do chuveiro, aquela água quente escorrendo pelo meu corpo complementou mais para que minhas lágrimas começassem a descer.

Eu triste, meu coração estava em pedaços, não me conhecia mais, e quando pensava em desistir de tudo Anne e minha mãe me vinham em mente, tudo o que faço e fiz foi por elas, aceitar menos que eu mereço também, eu já estava acostumada a receber migalhas. Desci enquanto secava os cabelos e procurei por uma xícara de café, olhei para o quintal em destroços, o céu escurecendo por conta da chuva deixava ele ainda mais feio.

— Alice? — Anne grita da sala.

— Estou aqui. — Limpo minhas lágrimas rapidamente.

Ela vem ao meu encontro.

— Eu vi sua mensagem dizendo estava vindo para casa. Aconteceu alguma coisa? Você está quente.

— Deve ser porque eu acabei de tomar banho. — Solto um sorriso fraco.

— Tenho uma ótima novidade, consegui um emprego!

— Que bom! — Abraço ela.

— Não é incrível? Agora eu vou poder ajudar em casa.

— Não, não precisa mais. Guarda seu dinheiro, ele é só seu.

Ela franze o cenho.

— É por causa do seu namorado?

Meu sorriso se desfaz.

— Não só por ele, as coisas estão melhorando.

— Bom, eu e as pessoas da minha sala vamos comemorar, quer vir?

— Não, vou visitar a mamãe, afinal de contas ela vai fazer sua cirurgia mês que vem.

— Seu namorado é muito generoso de te dar dinheiro para a cirurgia da mamãe. — Ela guarda sua mochila.

— É, ele é a pessoa mais legal e generosa do mundo, ama o próximo e ainda faz caridade. — Digo.

— É, você ainda está namorando com ele. Parece um sonho.

— Não transforme isso em algo grandioso, é apenas um namoro.

— Como você está negativa. Meu deus!

Subo de volta para meu quarto ignorando ela, não queria desmanchar em lágrimas na frente dela.

Me arrumei para ir ao hospital, ver minha mãe talvez me alegrará. Peguei um taxi e parei em frente ao hospital especializado em câncer, só pela sua fachada já dava para perceber que era caro, essas coisas me faziam lembrar porque eu assinei aquele acordo.

— Alice, a cirurgia da sua mãe foi adiada para janeiro, mas até lá pode ser que mude. Ainda estamos vendo como ela reage ao tratamento. — A médica indaga.

— E como ela estava se saindo? — Pergunto.

— Ela está reagindo bem, pelo menos até agora. Mas leve em consideração que pode não funcionar, não queremos dar falsas esperanças.

— Eu entendo. Posso vê-la?

— Sim, mas através do vidro.

Observo minha mãe do outro lado do vidro, era doloroso ver seu estado. A pele estava pálida, era possível ver suas veias da cabeça. Encostei minha testa no vidro, não consegui segurar minhas lágrimas. Elas desceram quentes e molharam o chão.

Sinto meu celular vibrar no bolso, era o Dante, eu hesitei em atender mas no fim atendi de qualquer forma.

— Me desculpe por mais cedo... — ele espera que eu fale algo — não vai falar nada?

— O que quer que eu diga?

— Tenho algo para você.

Solto um sorriso nasal.

— Quando não sabe se desculpar, tenta comprar as pessoas?

— Por favor, me escute. Vou lhe buscar mais tarde e peço que vá arrumada.

— Para quê?

— Verá.

Desligo a chamada e aperto os olhos, eu tinha que fazer parte do teatrinho dele.

Volto para casa e me arrumo, com um olhar triste eu passo maquiagem e um batom tão vermelho quanto meus olhos. Um vestido longo e um penteado simples, aquelas roupas me remetiam a Dante, ao mundo dele que eu nunca faria parte mesmo que quisesse.

Assim que saí de casa vi Sean do outro lado de rua, ele olhou para mim com um sorriso cínico nos lábios grotescos e veio ao meu encontro.

— Está bonita, Alice.

— O que você quer?!

— Calma... — ele sorrir, os dentes amarelados quase me fazem vomitar — Seu namorado bonitão pagou a sua dívida com um só depósito.

— E agora você quer mais, não é?

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