Capítulo 14: Dia mais feliz
Katherine
Não era piada. Não era um pesadelo. O homem com quem eu havia acabado de assinar um contrato civil e que me fez flutuar na cama poucas horas atrás era, de fato, o pai do meu ex-noivo.
Se eu dissesse que me arrependia de ter me casado com ele, estaria mentindo descaradamente. Por mais sórdida ou bizarra que parecesse a ideia de estar em um relacionamento com o pai do Adam, a verdade nua e crua é que, em menos de vinte e quatro horas, Henry Storn me fez sentir desejada, protegida e cuidada como eu nunca tinha me sentido em todos os anos de noivado com o filho dele.
E eu não queria que aquilo acabasse. De jeito nenhum. Mas eu precisava agir com cautela. Precisava preparar o terreno com muito cuidado para a notícia bombástica que seria a revelação do meu casamento com o magnata Henry Storn.
— E então? — perguntei, sustentando o olhar dele enquanto aguardava a resposta no banco de trás do carro. — Acha que podemos manter o nosso casamento em segredo?
Henry não me respondeu de imediato. Ele permaneceu em silêncio por alguns segundos, as íris cinzentas mapeando o meu rosto. Em seguida, soltou o ar com força pelos lábios, esticou a mão para segurar o meu queixo e me deu um selinho demorado, cheio de uma posse contida.
— Não concordo com isso — ele falou, a voz barítona soando firme — Mas vou fazer exatamente como você achar melhor, Kat.
Um alívio imenso inundou o meu peito. Eu não consegui conter o impulso: sorri de orelha a orelha e praticamente pulei no colo dele, circulando meus braços ao redor do seu pescoço.
— Obrigada! — exclamei, o rosto escondido na curva do seu pescoço.
Henry deu um riso baixo, um som rouco e gostoso, e depositou um beijo carinhoso no topo da minha cabeça antes de me afastar ligeiramente para me encarar.
— Agora me diz... para onde quer que eu te leve?
Olhei para ele, um pouco confusa. Ele esticou os dedos e afastou delicadamente alguns fios de cabelo que insistiam em cair sobre a minha testa.
— Quer que eu te leve para a sua empresa? Para a sua casa? Para onde você quer ir agora?
Mordi o lábio inferior, ponderando rapidamente sobre o meu melhor e o meu pior cenário para o resto do dia.
— Eu queria ir para casa... pegar algumas roupas minhas antes de ir para a agência. Mesmo aquela mansão sendo da minha mãe, eu não quero ter que encarar aquelas pessoas por enquanto. Pelo menos até eu assumir de vez tudo o que é meu, vou precisar de um lugar temporário para ficar.
Henry assentiu devagar, concordando em silêncio. Ele pegou o celular no bolso do paletó, digitou uma mensagem rápida e, em questão de segundos, vi a porta do motorista e do passageiro se abrirem. Tanto Mason quanto o motorista assumiram seus postos no banco da frente.
— Vamos ao shopping primeiro. Minha esposa precisa de roupas novas — Henry ordenou com uma autoridade natural para o motorista. E virou o rosto para o advogado: — E antes de seguirmos para a reunião da matriz, vamos deixá-la na agência de design.
Mason assentiu em silêncio e acionou o botão para subir o vidro fumê que dividia as cabines, devolvendo a nossa privacidade.
Me virei para Henry, franzindo a testa.
— Henry, eu não preciso de roupas novas! E eu não posso ir direto para a empresa ainda. Tenho que passar no hotel para pegar o meu carro, ir até a mansão pegar minhas coisas e só depois ir para a agência.
Ele se aproximou mais, levando as mãos até as minhas bochechas, acariciando a minha pele com os polegares. Henry era impressionantemente diferente de Adam em absolutamente tudo.
Enquanto o filho parecia criar pretextos e fugir para não me tocar, o pai parecia ter uma necessidade visceral e absurda de me sentir o tempo todo.
— Eu não quero você pisando naquela casa hoje — ele declarou, o tom calmo, mas inquestionável. — E agora que você já sabe quem eu sou, sabe também que eu tenho totais condições de comprar o shopping inteiro para você, se você me pedisse. Umas roupas não são nada.

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