Capítulo 16: Impossível me casar com você
Katherine
— Posso saber onde foi que você passou a noite?! E por que diabo você não atendeu a nenhuma das minhas ligações?!
Adam me perguntou furioso, a voz ressoando ríspida pelo saguão, enquanto suas mãos se fechavam como garras nos meus braços. A dor do aperto me fez reagir de imediato.
Puxei meus braços com força, tentando me desvencilhar.
— Me solta, Adam!
Mas ele não me soltou. Pelo contrário: apertou com ainda mais violência, cravando os dedos na minha pele e reduzindo a zero a distância entre nós, tentando usar seu tamanho para me intimidar como sempre fez.
— Te soltar? Não, querida, eu não vou — ele sibilou, os olhos faiscando de uma raiva possessiva. — Eu exijo saber onde você passou a noite.
O olhar dele percorreu meu corpo da cabeça aos pés pela segunda vez, demorando-se na calça de alfaiataria perfeitamente ajustada ao meu quadril e no decote da blusa que deixava a corrente de ouro em evidência, mas graças a Deus não foi isso que prendeu sua atenção.
— E onde foi que você conseguiu roupas ousadas assim? Marcando todo o seu corpo desse jeito... Que porra é essa, Katherine?! — ele berrou no meio do saguão de entrada da agência.
O tom alterado chamou a atenção de todos. Passos apressados ecoaram pelo piso de granito e Donald, meu chefe de segurança, surgiu ao nosso lado com sua postura imponente.
— Está tudo bem, senhora Sinclair? — Donald perguntou, a voz firme e carregada de uma promessa implícita de intervenção.
Puxei meu braço mais uma vez com toda a força que tinha, mas Adam continuava irredutível, me prendendo.
— Não está tudo bem, Donald — respondi, mantendo o queixo erguido. — Por favor, mostre o caminho da saída ao senhor Adam.
Donald deu um passo à frente, posicionando-se estrategicamente ao lado do meu ex-noivo.
— Senhor, peço que por gentileza solte a senhora Sinclair e me acompanhe até a saída.
Adam soltou meu braço num baque, virando-se para o meu funcionário com os olhos arregalados de indignação e prepotência.
— Você sabe quem eu sou? — ele questionou, estufando o peito. Donald nem piscou e tampouco se moveu. — EU SOU A PORRA DO ADAM STORN! O NOIVO DELA!
Soltei uma risada ríspida, alta e totalmente sem humor, que ecoou pelo saguão.
— Ex-noivo, querido — corrigi em alto e bom som. — Te peguei na cama com a minha própria irmã ontem à tarde, lembra?
Cruzei os braços sobre o peito e arqueei uma sobrancelha para ele, sem o menor pingo de vergonha.
Na mesma hora, os funcionários, recepcionistas e clientes que transitavam pelo saguão pararam. Sussurros de choque e burburinhos indignados começaram a se espalhar como fogo em palha seca.
Sem graça e percebendo que estava perdendo o controle da narrativa, a postura agressiva de Adam murchou ligeiramente. Ele tentou dar um passo na minha direção, adotando um tom de voz subitamente brando e manipulador.
— Querida... aquilo foi um erro. Um erro gigante, eu admito. Mas... a gente pode dar um jeito. Nós podemos resolver isso a sós.
Ele esticou a mão para tocar no meu ombro, mas Donald interveio imediatamente, dando um passo de lado e bloqueando a passagem dele como uma muralha.
Adam rosnou para o segurança, mas Donald nem sequer se intimidou com a carranca do herdeiro mimado.
— Katherine, isso é uma conversa entre eu e você! — Adam esbravejou, me olhando por cima do ombro do segurança. — Manda esse seu cão de guarda se afastar agora!
Dei um passo à frente, parando exatamente ao lado de Donald.
— Ele não é meu cão de guarda. É o meu chefe de segurança, que está apenas cumprindo o trabalho dele muito bem — afirmei, com uma calma que nem eu sabia que possuía. — E nós dois não temos mais absolutamente nada para conversar.
Voltei-me para Donald.
— Leve-o para fora, por favor.
— Sim, senhora — Donald assentiu prontamente.

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