Capítulo 3: A Escolha é sua
Katherine
— Acabou, Adam Storn. Eu estou cancelando o nosso casamento.
As palavras saíram da minha boca como lâminas, cortando o ar pesado daquele quarto. O silêncio que se seguiu durou apenas um segundo antes que a expressão de irritação de Adam se transformasse em uma leve linha de pânico. Ele deu dois passos rápidos na minha direção, os braços estendidos como se tentasse domar um animal arisco.
— Kat, espera. Você não pode fazer isso — ele começou, a voz subitamente mansa, tentando usar aquele tom persuasivo que sempre me dobrava. — Pensa bem. Nós estamos a uma semana do casamento. Tudo já está pago, os convidados... Eu finalmente conquistei a atenção do meu pai por causa disso. Ele está orgulhoso de mim porque vou me casar, Kat. Você não pode jogar tudo para o alto por um momento de cabeça quente.
Recuei, sentindo nojo da proximidade dele.
— Cabeça quente, Adam? Eu peguei você enterrado na minha irmã, na minha casa, usando o meu vestido de noiva! — Minha voz falhou, mas corei de fúria. — Eu nunca, escute bem, nunca vou perdoar uma traição.
O tom dele mudou drasticamente. Os olhos de Adam se arregalaram de leve, e eu percebi o exato momento em que a ficha dele caiu. Ele viu que eu estava falando sério. Que não era um blefe.
— Querida, por favor — ele implorou, dando mais um passo. — Vamos para o seu quarto. Vamos conversar sozinhos, com calma. Eu posso... nós podemos resolver isso.
— Adam? — Ester chamou da cama, a voz manhosa e ultrajada. — Como assim conversar?
— Agora não, amor! — Adam cortou minha irmã sem sequer olhar para ela, os olhos fixos em mim.
Ester soltou um risinho vitorioso ao ser chamada de amor na minha frente, as sobrancelhas erguidas em pura provocação. O meu estômago revirou. Uma gargalhada amarga e histérica escapou da minha garganta.
— É assim que você quer me convencer a ficar, Adam? — gritei, apontando para a cama. — Chamando a sua amante de amor na minha cara? Você é um lixo!
— Ah, pelo amor de Deus, Katherine, para de ser dramática! — Adam explodiu, perdendo a paciência e a fachada de arrependido. — Foi só uma transa! Um erro! Você está fazendo um escândalo desproporcional!
— Eu dramática? Você me trair com a minha irmã é só um erro? Um erro? — perguntei indignada.
— O Adam está certo, Katherine. — Céline interveio, cruzando os braços com um sorriso de escárnio. — Você sempre foi exagerada. Um homem tem necessidades, e se você não dá conta, não reclame que ele procure fora.
— Chega desse show, Katherine — meu pai decretou, a voz gélida e autoritária. — Peça desculpas ao Adam, vá para o seu quarto e limpe esse rosto. Sabemos bem o quanto você é fraca, dependente do Adam, tudo isso não passa de um show para chamar atenção. Eu sei que não tem coragem de cancelar esse casamento.
Olhei para os quatro. Adam, meu pai, Céline, Ester. Todos de pé, apontando o dedo para mim. Eles estavam se voltando contra mim. Queriam me fazer parecer a louca, a culpada pelo erro dele. Exatamente como fizeram durante os últimos doze anos, me manipulando, me maltratando e me fazendo sentir como se a minha existência fosse um fardo.
A humilhação tentou me esmagar, mas o ódio foi maior.

VERIFYCAPTCHA_LABEL
Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Meu Marido é o Pai do Meu Ex