PERSPECTIVA DE SERAPHINA
A sala de refeições do hotel estava animada com o papo leve da manhã e a luz do sol iluminava pratos repletos de ovos e torradas. Conversas descontraídas e o tilintar dos talheres se misturavam em uma melodia bagunçada.
A maioria dos membros da SDS que havia passado a noite no hotel estava esparramada nas cadeiras, com os olhos cansados depois de ficarem até tarde celebrando ou fofocando.
Mas, ah, a Maya não. Ela estava sentada à minha frente na pequena mesa redonda, mexendo creme no café, com os olhos brilhando, um entusiasmo matutino exagerado e um sorriso travesso demais para aquela hora do dia.
Ela nem sequer havia provado os ovos ainda, mas já parecia bem satisfeita.
"Você sabe," ela disse, esticando as palavras como se estivesse enfileirando pérolas, "já que vocês dois não fizeram o checkout, ainda dá tempo pra... aproveitar a suíte." Ela piscou. "Prometo que desta vez não vou interromper."
Quase engasguei com o suco de laranja. Meu rosto esquentou tão depressa que quase chegou a arder.
"Maya," sibilei, colocando o copo sobre a mesa para não derramar tudo, "para com isso."
Ao meu lado, os ombros do Lucian sacudiram com uma risada baixa e sem nem se dar ao trabalho de esconder a diversão.
Em vez disso, ele se inclinou e roçou os lábios nos meus. Foi rápido e suave, mas o suficiente para fazer arrepiar até os dedos dos meus pés dentro dos sapatos.
"Sugestão tentadora," ele murmurou contra minha boca, alto o bastante para a Maya ouvir, "mas, infelizmente, o dever chama. Tenho várias reuniões importantes hoje. O TFL não vai se organizar sozinho."
Um frio me atingiu na barriga.
TFL: O Torneio Faísca Latente.
A prova definitiva: a medida de até onde cada treinando avançou. Meses de trabalho árduo condensados em uma chance de provar que não éramos apenas alunos sortudos, mas sim lutadores dignos de um futuro.
E eu deixei a Maya e o Lucian me convencerem a me inscrever para o tal Torneio três meses atrás. Naquela altura, parecia que estava a anos-luz de distância, e eu estava ocupada demais vivendo um dia de cada vez para me preocupar com isso. Mas agora... Caramba, como três meses passaram tão rápido?
Claro, eu passei todo esse tempo treinando o máximo que pude, sendo levada ao limite pela minha treinadora louca (cof, Maya, cof), mas a proximidade do Torneio me enchia de uma ansiedade cortante que eu não sentia há muito tempo.
Lucian percebeu a mudança no meu comportamento e deu um passo atrás, franzindo a testa. "Você tá bem?"
Assenti, sorrindo suavemente. "Sim, tô bem."
Ele não parecia totalmente convencido, mas não insistiu. Em vez disso, se inclinou novamente e os lábios roçaram os meus em um beijo tão terno que fez o meu peito doer. "Não se preocupe com nada. Você vai arrasar, eu sei disso."
"Poxa," Maya disse, chamando a nossa atenção para ela. Ela estava se abanando dramaticamente com um guardanapo. "E eu achando que a coisa mais quente nesta mesa era o meu café."
Soltei um gemido e pressionei a palma da mão no rosto. "Não dá pra sair com você."
"Dá sim," Maya rebateu alegremente. "Somos o equilíbrio perfeito entre o caos e a calma e estamos presas juntas pra sempre, lamento muito."
Dei uma risada, incapaz de impedir o sorriso largo de se formar no meu rosto. Estar presa à Maya para sempre provavelmente era uma das melhores coisas que poderia me acontecer.
O resto do café da manhã seguiu da mesma forma: o Lucian roubando beijos e carinhos sutis que me deixavam corada e a Maya me provocando a cada chance que tinha até que as minhas bochechas estivessem quentes o suficiente para fritar uma cartela inteira de ovos.
Quando terminamos, o Lucian se inclinou para um último e demorado beijo.
"Vou te procurar depois da reunião," ele disse simplesmente, como se fosse uma promessa.
E, de alguma forma, vindo do Lucian, era mesmo.
A Maya e eu saímos do hotel pouco depois, puxando nossas pequenas malas de volta pelo saguão. Ela tagarelava ao meu lado, enchendo o ar da manhã com risadas leves, mas os meus pensamentos permaneciam no toque do Lucian e no cheiro do perfume dele que ainda pairava levemente no meu suéter desde quando ele me abraçou para se despedir.
No caminho até em casa, uma tela presa no encosto de cabeça do táxi piscava com as notícias matinais. Eu não estava prestando atenção até que o rosto do Lucian apareceu e, de repente, não consegui desviar o olhar.
"Na última década", ele dizia, sua voz profunda ecoando mesmo através dos alto falantes fracos, "a SDS tem proporcionado aos lobos desfavorecidos a chance de provar o seu valor. Ômegas, renegados, pessoas sem lobos, muitas delas fêmeas que de outra forma nunca teriam a chance de pisar em um campo de treinamento. Sempre acreditei que elas merecem ser vistas, reconhecidas, não ficar escondidas nas sombras. Todos têm uma centelha dentro de si e tudo o que precisam é de uma oportunidade para brilhar."
"...você acredita que ela realmente se qualificou? Uma mulher sem uma loba?"
"Apenas três meses de treinamento, foi só isso? Alguém pode mesmo ser tão forte?"
"Tá bom, a Maya Cartridge treina ela, e ouvi que os números dela nos simuladores são bem altos."
"Ainda assim, parece inacreditável."
"Por favor. Ou ela tá escondendo alguma coisa, ou recebeu tratamento especial."
"Tratamento especial de quem, então?" uma terceira voz entrou na conversa, astuta e entendida. "Talvez do próprio Lucian?"
"De quem mais? É a velha história de usar a sedução pra subir na vida."
O som da risada soou como garras arranhando vidro. Fiquei paralisada e os meus dedos estavam endurecidos contra os cadarços do sapato.
Outra voz interrompeu, mais afiada. "Não importa. A influência do Lucian não vai ajudar ela no campo. A Jessica vai dar um show e acabar com ela e com todos os concorrentes. Depois do Torneio, até os Alfas vão estar atrás da Jessica. Ela não vai ser uma Ômega pra sempre."
O som das risadinhas ecoou nas paredes de azulejos. Trinquei o maxilar e me forcei a respirar, focando no ritmo de amarrar o sapato em vez da dor que se escondia debaixo das minhas costelas.
Eu não me importava. Eu não podia me dar ao luxo de me importar. As palavras eram vazias e o treinamento era o que importava, assim como o meu trabalho, o meu suor e a minha determinação.
Além disso, já sobrevivi a coisas piores do que fofocas. Na minha Alcateia, na Alcateia de Kieran... e agora aqui. Era tudo a mesma coisa.
Levantei-me, pronta para sair, mas, no momento em que me virei para a porta, uma sombra bloqueou o meu caminho.
Falando no diabo...
Jessica.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...