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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 102

PERSPECTIVA DE SERAPHINA

A sala de refeições do hotel estava animada com o papo leve da manhã e a luz do sol iluminava pratos repletos de ovos e torradas. Conversas descontraídas e o tilintar dos talheres se misturavam em uma melodia bagunçada.

A maioria dos membros da SDS que havia passado a noite no hotel estava esparramada nas cadeiras, com os olhos cansados depois de ficarem até tarde celebrando ou fofocando.

Mas, ah, a Maya não. Ela estava sentada à minha frente na pequena mesa redonda, mexendo creme no café, com os olhos brilhando, um entusiasmo matutino exagerado e um sorriso travesso demais para aquela hora do dia.

Ela nem sequer havia provado os ovos ainda, mas já parecia bem satisfeita.

"Você sabe," ela disse, esticando as palavras como se estivesse enfileirando pérolas, "já que vocês dois não fizeram o checkout, ainda dá tempo pra... aproveitar a suíte." Ela piscou. "Prometo que desta vez não vou interromper."

Quase engasguei com o suco de laranja. Meu rosto esquentou tão depressa que quase chegou a arder.

"Maya," sibilei, colocando o copo sobre a mesa para não derramar tudo, "para com isso."

Ao meu lado, os ombros do Lucian sacudiram com uma risada baixa e sem nem se dar ao trabalho de esconder a diversão.

Em vez disso, ele se inclinou e roçou os lábios nos meus. Foi rápido e suave, mas o suficiente para fazer arrepiar até os dedos dos meus pés dentro dos sapatos.

"Sugestão tentadora," ele murmurou contra minha boca, alto o bastante para a Maya ouvir, "mas, infelizmente, o dever chama. Tenho várias reuniões importantes hoje. O TFL não vai se organizar sozinho."

Um frio me atingiu na barriga.

TFL: O Torneio Faísca Latente.

A prova definitiva: a medida de até onde cada treinando avançou. Meses de trabalho árduo condensados em uma chance de provar que não éramos apenas alunos sortudos, mas sim lutadores dignos de um futuro.

E eu deixei a Maya e o Lucian me convencerem a me inscrever para o tal Torneio três meses atrás. Naquela altura, parecia que estava a anos-luz de distância, e eu estava ocupada demais vivendo um dia de cada vez para me preocupar com isso. Mas agora... Caramba, como três meses passaram tão rápido?

Claro, eu passei todo esse tempo treinando o máximo que pude, sendo levada ao limite pela minha treinadora louca (cof, Maya, cof), mas a proximidade do Torneio me enchia de uma ansiedade cortante que eu não sentia há muito tempo.

Lucian percebeu a mudança no meu comportamento e deu um passo atrás, franzindo a testa. "Você tá bem?"

Assenti, sorrindo suavemente. "Sim, tô bem."

Ele não parecia totalmente convencido, mas não insistiu. Em vez disso, se inclinou novamente e os lábios roçaram os meus em um beijo tão terno que fez o meu peito doer. "Não se preocupe com nada. Você vai arrasar, eu sei disso."

"Poxa," Maya disse, chamando a nossa atenção para ela. Ela estava se abanando dramaticamente com um guardanapo. "E eu achando que a coisa mais quente nesta mesa era o meu café."

Soltei um gemido e pressionei a palma da mão no rosto. "Não dá pra sair com você."

"Dá sim," Maya rebateu alegremente. "Somos o equilíbrio perfeito entre o caos e a calma e estamos presas juntas pra sempre, lamento muito."

Dei uma risada, incapaz de impedir o sorriso largo de se formar no meu rosto. Estar presa à Maya para sempre provavelmente era uma das melhores coisas que poderia me acontecer.

O resto do café da manhã seguiu da mesma forma: o Lucian roubando beijos e carinhos sutis que me deixavam corada e a Maya me provocando a cada chance que tinha até que as minhas bochechas estivessem quentes o suficiente para fritar uma cartela inteira de ovos.

Quando terminamos, o Lucian se inclinou para um último e demorado beijo.

"Vou te procurar depois da reunião," ele disse simplesmente, como se fosse uma promessa.

E, de alguma forma, vindo do Lucian, era mesmo.

A Maya e eu saímos do hotel pouco depois, puxando nossas pequenas malas de volta pelo saguão. Ela tagarelava ao meu lado, enchendo o ar da manhã com risadas leves, mas os meus pensamentos permaneciam no toque do Lucian e no cheiro do perfume dele que ainda pairava levemente no meu suéter desde quando ele me abraçou para se despedir.

No caminho até em casa, uma tela presa no encosto de cabeça do táxi piscava com as notícias matinais. Eu não estava prestando atenção até que o rosto do Lucian apareceu e, de repente, não consegui desviar o olhar.

"Na última década", ele dizia, sua voz profunda ecoando mesmo através dos alto falantes fracos, "a SDS tem proporcionado aos lobos desfavorecidos a chance de provar o seu valor. Ômegas, renegados, pessoas sem lobos, muitas delas fêmeas que de outra forma nunca teriam a chance de pisar em um campo de treinamento. Sempre acreditei que elas merecem ser vistas, reconhecidas, não ficar escondidas nas sombras. Todos têm uma centelha dentro de si e tudo o que precisam é de uma oportunidade para brilhar."

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