PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Passei a maior parte da minha vida fazendo isso, então manter-me em silêncio foi uma atitude natural.
É por isso que, além de cumprimentos breves, nunca aprofundei a amizade com nenhum dos outros alunos da SDS, exceto em raras ocasiões como festas ou exercícios em grupo.
Mas eu sabia quem era a Jessica. Todo mundo sabia.
De perto, ela não era o que a maioria das pessoas imaginava quando pensava em uma Ômega.
Seu corpo era esguio, mas definido. Cada movimento era carregado de tensão e de uma energia potencial que poderia explodir a qualquer instante. Seu olhar era frio, avaliador, e o seu sorriso não chegava aos olhos.
Ela quase me lembrava a Maya, exceto que esbarrar com a Maya não me fazia sentir um calafrio abominável na espinha.
"Ora, ora," ela disse, cruzando os braços. "A aluna prodígio em pessoa."
Mantive a expressão neutra, recusando-me a dar a ela o prazer de me ver incomodada. "Com licença," disse eu, tentando passar por ela.
Mas ela se mexeu junto comigo, bloqueando o caminho como se estivesse esperando exatamente por este momento.
Tão de perto, eu podia sentir a presença afiada dela.
A Jessica pode até ter nascido Ômega, mas a sua força emanava em ondas fortes o suficiente para me arrepiar.
Não era apenas fofoca que a sustentava. Ela era boa. Talvez até tão boa quanto diziam.
"Me fala uma coisa, Seraphina," ela ronronou, inclinando a cabeça. "Como é andar por aqui com todo mundo te olhando? Sussurrando? Você já sentiu que talvez não pertença a este lugar?"
As palavras dela atingiram um ponto vulnerável em mim e memórias surgiram sem serem chamadas: os corredores da casa dos Lockwood, o desprezo e a piedade, as portas fechadas na minha cara, ouvir repetidamente que eu não era suficiente...
Mas, desta vez, eu não ia recuar.
Eu cerrei os punhos ao lado do corpo, forçando a minha pulsação a se acalmar. Treinei demais, me superei, e não ia deixar a intimidação, por mais intensa que fosse, me abalar antes que os TFLs sequer começassem.
Jessica, com seus movimentos ágeis e olhar afiado como uma navalha, poderia ter a reputação de ser intocável, mas eu não ia me curvar diante dela.
Além disso, depois de ter que lidar frequentemente com o veneno da Celeste, eu já tinha criado uma imunidade a mulheres do tipo 'venenosa'.
"Com licença, Jessica", eu disse, de forma controlada, tentando desviar dela. "Eu não tenho tempo pra..."
Ela se virou com graça, bloqueando o meu caminho novamente, e deu um sorriso malicioso, os olhos brilhando com um tipo de entretenimento que só vemos em alguém que sabe que tem a vantagem.
Ela estava me lembrando cada vez menos da Maya e cada vez mais da Celeste.
"Não me diga que você vai fugir", ela perguntou, com a voz suave como seda, mas com um tom que fez os meus braços se arrepiarem. "Não depois de tantos boatos. Não depois de todo mundo estar sussurrando sobre você. Acho que é justo vermos qual é o seu verdadeiro potencial."
Eu franzi a testa. "Como assim?"
Ela inclinou a cabeça e prendeu o olhar no meu. "Eu contra você. Aqui mesmo. Agora. Quero ver se a 'aluna prodígio' é mais do que conversa fiada."
Minha expressão ficou ainda mais séria. As regras da SDS proibiam explicitamente duelos privados fora dos próprios Torneios.
"Jessica", eu disse com firmeza, "nós duas sabemos que isso não é permitido. Você não pode simplesmente..."
Ela riu de uma forma afiada e cortante. "Tá com medo, é?" Seu sorriso se alargou, mas os olhos não vacilaram. "Se você não consegue nem lidar com uma Ômega como eu, a Alcateia Shadowveil nunca vai aceitar você como Luna. Não importa o quanto o nosso Alfa goste de você."
A informação me atingiu em cheio no peito, mas a ficha demorou um pouco mais para cair.

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