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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 103

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Passei a maior parte da minha vida fazendo isso, então manter-me em silêncio foi uma atitude natural.

É por isso que, além de cumprimentos breves, nunca aprofundei a amizade com nenhum dos outros alunos da SDS, exceto em raras ocasiões como festas ou exercícios em grupo.

Mas eu sabia quem era a Jessica. Todo mundo sabia.

De perto, ela não era o que a maioria das pessoas imaginava quando pensava em uma Ômega.

Seu corpo era esguio, mas definido. Cada movimento era carregado de tensão e de uma energia potencial que poderia explodir a qualquer instante. Seu olhar era frio, avaliador, e o seu sorriso não chegava aos olhos.

Ela quase me lembrava a Maya, exceto que esbarrar com a Maya não me fazia sentir um calafrio abominável na espinha.

"Ora, ora," ela disse, cruzando os braços. "A aluna prodígio em pessoa."

Mantive a expressão neutra, recusando-me a dar a ela o prazer de me ver incomodada. "Com licença," disse eu, tentando passar por ela.

Mas ela se mexeu junto comigo, bloqueando o caminho como se estivesse esperando exatamente por este momento.

Tão de perto, eu podia sentir a presença afiada dela.

A Jessica pode até ter nascido Ômega, mas a sua força emanava em ondas fortes o suficiente para me arrepiar.

Não era apenas fofoca que a sustentava. Ela era boa. Talvez até tão boa quanto diziam.

"Me fala uma coisa, Seraphina," ela ronronou, inclinando a cabeça. "Como é andar por aqui com todo mundo te olhando? Sussurrando? Você já sentiu que talvez não pertença a este lugar?"

As palavras dela atingiram um ponto vulnerável em mim e memórias surgiram sem serem chamadas: os corredores da casa dos Lockwood, o desprezo e a piedade, as portas fechadas na minha cara, ouvir repetidamente que eu não era suficiente...

Mas, desta vez, eu não ia recuar.

Eu cerrei os punhos ao lado do corpo, forçando a minha pulsação a se acalmar. Treinei demais, me superei, e não ia deixar a intimidação, por mais intensa que fosse, me abalar antes que os TFLs sequer começassem.

Jessica, com seus movimentos ágeis e olhar afiado como uma navalha, poderia ter a reputação de ser intocável, mas eu não ia me curvar diante dela.

Além disso, depois de ter que lidar frequentemente com o veneno da Celeste, eu já tinha criado uma imunidade a mulheres do tipo 'venenosa'.

"Com licença, Jessica", eu disse, de forma controlada, tentando desviar dela. "Eu não tenho tempo pra..."

Ela se virou com graça, bloqueando o meu caminho novamente, e deu um sorriso malicioso, os olhos brilhando com um tipo de entretenimento que só vemos em alguém que sabe que tem a vantagem.

Ela estava me lembrando cada vez menos da Maya e cada vez mais da Celeste.

"Não me diga que você vai fugir", ela perguntou, com a voz suave como seda, mas com um tom que fez os meus braços se arrepiarem. "Não depois de tantos boatos. Não depois de todo mundo estar sussurrando sobre você. Acho que é justo vermos qual é o seu verdadeiro potencial."

Eu franzi a testa. "Como assim?"

Ela inclinou a cabeça e prendeu o olhar no meu. "Eu contra você. Aqui mesmo. Agora. Quero ver se a 'aluna prodígio' é mais do que conversa fiada."

Minha expressão ficou ainda mais séria. As regras da SDS proibiam explicitamente duelos privados fora dos próprios Torneios.

"Jessica", eu disse com firmeza, "nós duas sabemos que isso não é permitido. Você não pode simplesmente..."

Ela riu de uma forma afiada e cortante. "Tá com medo, é?" Seu sorriso se alargou, mas os olhos não vacilaram. "Se você não consegue nem lidar com uma Ômega como eu, a Alcateia Shadowveil nunca vai aceitar você como Luna. Não importa o quanto o nosso Alfa goste de você."

A informação me atingiu em cheio no peito, mas a ficha demorou um pouco mais para cair.

Endireitei-me, olhando diretamente nos olhos dela sem hesitar. "Talvez não. Mas você deveria ter cuidado, Jessica. Porque, se tentar minar a missão da SDS, se deixar o seu ciúme mesquinho e o seu sentimento de posse transformar uma causa nobre em uma piada... Lucian não vai te perdoar facilmente."

As palavras bateram nela como um tapa e eu pude ver um momento de hesitação, uma faísca de inquietação por trás da sua fachada de aço. Ela cerrou o maxilar e contraiu os músculos enquanto seus olhos se estreitavam. Mas ela não recuou.

"Você acha que é esperta", ela sibilou, seu corpo tensionado como uma mola, "mas palavras não vencem Torneios."

Dei um pequeno sorriso controlado. "Não, não vencem. Mas, às vezes, palavras lembram as pessoas de por que começaram, do que importa. Parece que você também precisa se lembrar disso, Jessica. Precisa se lembrar de que aqui não existe hierarquia. Somos únicos nos nossos problemas, mas iguais no nosso valor."

A respiração dela falhou levemente, demonstrando sutilmente que eu tinha atingido um ponto sensível. Dessa vez, ela não sorriu, não avançou. Mas eu podia sentir a tensão nela, o fogo na sua postura, a prontidão para o confronto que não havia se dissipado.

Os murmúrios de concordância, suaves no começo, começaram a se espalhar pela multidão. Algumas alunas aplaudiram discretamente, outras sussurraram afirmações. Era sutil, mas fazia diferença. Mesmo que a Jessica ainda não pudesse ver, o efeito de falar a minha verdade já estava se espalhando.

As narinas da Jessica se inflaram e ela inclinou a cabeça, pressionando os lábios até formarem uma linha reta. "Veremos, Seraphina", ela disse, quase como um rosnado. "Veremos quem ficará no topo. E não pense nem por um segundo que a aprovação do Lucian, ou sua linhagem, vão te salvar."

Assenti uma vez, firmemente, e permiti um leve sorriso. "Não espero isso. Ninguém além de mim pode lutar as minhas batalhas."

Os olhos dela se estreitaram e ela finalmente deu um passo para o lado. A corrente de tensão ainda pairava no ar, viva como um fio elétrico, mas a multidão ao nosso redor parecia estar se acalmando e os sussurros se misturaram com o leve zumbido do vestiário.

Enquanto eu passava por ela, com os ombros erguidos e o pulso firme, eu percebi algo vital: força não era apenas músculo, velocidade ou treinamento. Força era convicção, crença no próprio propósito. E, em algum momento dos últimos três meses, ganhei isso em abundância.

A Jessica poderia estar tentando me intimidar, poderia ter me testado com o seu olhar e as suas palavras. Mas, ao fazer isso, ela apenas me lembrou do porquê de eu estar aqui e do porquê de eu não poder me abalar.

Antes de sair do vestiário, olhei para a Jessica uma última vez. Ela estava me observando com os lábios comprimidos e me permiti um pequeno sorriso de vitória pessoal.

Que os Torneios comessem. Que todos os olhares estejam sobre nós.

E que o mundo se lembre de que, às vezes, os mais quietos e subestimados são os mais ferozes de todos.

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