PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Depois daquela adorável interação no vestiário, me joguei de cabeça no treinamento.
Eu não era ingênua a ponto de achar que seria a última vez que ouviria falar da Jessica ou dos cochichos, mas eu estava determinada a provar que sou capaz de enfrentar qualquer desafio.
Então, me esforcei mais do que o habitual. Quando terminamos, cada gota de força tinha sido extraída de mim, deixando o meu corpo vibrando de cansaço, mas a minha mente ainda estava inquieta, querendo mais.
Quando eu estava pronta para começar outra rodada de exercícios, Maya, a Torturadora, desapareceu, e recuperei a minha melhor amiga.
Então, ela sugeriu que fôssemos fazer umas comprinhas.
Fiquei tão feliz de ver um sorriso que não foi seguido por "Ótimo. Agora faça isso de novo cem vezes", que eu não hesitei.
Ela pulava sobre os pés como se não tivesse acabado de treinar sob o sol o dia todo, com a sua trança balançando como se estivesse em um comercial.
Invejei aquela energia sem fim. As minhas pernas pareciam feitas de chumbo.
"Terapia de compras," declarou Maya. "É a única cura pra músculos doloridos e egos machucados."
Levantei uma sobrancelha para ela. "Eu sabia."
Ela me lançou um olhar de 'o quê?' e eu revirei os olhos.
"Nada acontece na SDS sem que você sabia, Maya. Eu me perguntei por que você não mencionou nada durante o treino."
Ela deu de ombros. "Lamento, mas não sei do que você tá falando."
Soltei uma risada. "Claro que não." Apontei um dedo para ela. "Mas, só pra constar, meu ego tá perfeitamente intacto, obrigada."
Ela sorriu, dando um tapinha no meu braço. "Essa é a minha garota."
Saímos para o calor da noite e ela respirou fundo. "E aí, em qual loja você quer ir primeiro?"
***
Uma coisa a saber sobre a Maya: não importava o que fosse, treinamentos, fofocas ou compras, ela fazia tudo com dedicação.
Ela me puxou pelo shopping como um furacão, e eu até poderia pensar que estava participando de uma prova de compras ou que isso era outra forma de treino.
Em um momento, ela me fazia provar uma jaqueta com lantejoulas sob luzes ofuscantes, no outro, colocava óculos de sol enormes no meu rosto, rindo quando eles deslizavam pelo meu nariz.
Experimentamos batons, debatemos sobre bolsas e rimos tanto que chegamos a ter dor na barriga vendo a Maya cambalear com um par de botas ridículas.
Quando nos jogamos em um banco perto da praça de alimentação, com mais sacolas da Maya do que minhas, vi o meu reflexo na vitrine de uma loja: eu tinha um leve brilho de suor na pele pelo esforço e as bochechas estavam coradas de tanto rir.
Eu estava... viva.
Foi então que a Maya pegou o celular, os olhos brilhando como se ela estivesse guardando um segredo o tempo todo.
"Sim! Finalmente saiu."
Olhei curiosa. "O quê?"
Ela me mostrou a tela. Era uma lista compilada dos "principais concorrentes" do Torneio, seus nomes, classificações e perfis escritos como biografias de atletas famosos.
Os nomes estavam dispostos em ordem decrescente e os meus olhos passaram rapidamente pelos primeiros nomes até que pararam em um em particular.
Seraphina Blackthorne
Um arrepio súbito apertou o meu estômago e o pretzel que tinha comido pouco antes ameaçou voltar. "Maya," sussurrei. "Por que eu tô nessa lista?"
O sorriso dela era puro como um raio de sol. "Porque você é incrível, né. Seus resultados dos treinamentos não são segredo. Suas estatísticas são fenomenais para o seu nível. Seria um crime você não estar nela."
Eu queria argumentar, dizer que era um engano e que eu não era tão boa quanto todos pensavam. Mas... seria tão ruim assim, só uma vez, acreditar que eu realmente era capaz de alguma coisa? Eu tinha trabalhado duro, era determinada e, lá no fundo, eu sabia: eu já não me sentia mais como a fraca e indefesa Sera que deixava o mundo passar por cima dela. Então, sim, talvez eu realmente devesse estar na lista, junto com os melhores da...
Meus olhos passaram para outro nome, no topo da lista, e o gosto na minha boca azedou. Claro.
Jessica Kilorn.
Engoli em seco e forcei a minha voz a permanecer casual. "Você conhece ela, né?" Larguei o celular da Maya na mesa e bati os dedos na tela distraidamente. "A Jessica?"
A expressão da Maya também azedou na hora e o seu nariz enrugou como se eu tivesse mencionado algo podre. "Infelizmente."
"Ela é tão ruim assim?"
"Ela é... talentosa," Maya admitiu relutantemente, pegando o celular e olhando para ele com irritação. "Forte. Afiada. Eu jamais diria que ela é uma Ômega pelo jeito destemido dela. Pessoas assim vencem esses torneios porque têm resistência e atitude. Mas não, a gente não é amiga de fazer trança uma na outra. Ela é... competitiva."
Competitiva era uma palavra generosa. Eu me lembrei do sorriso cortante da Jessica e da maneira como ela tentou me diminuir na frente de todo mundo.
Maya percebeu a minha expressão e revirou os olhos, mais suavemente agora. "Ei. Não deixa ela te afetar. Você reparou que eu nem quis falar sobre o incidente no vestiário? Ela não vale o esforço."
Eu dei de ombros. "Talvez, mas..."
"Nada de 'talvez' ou 'mas'," Maya interrompeu e apertou a minha mão com um sorriso encorajador. "Não importa qual posição ela ocupa nessa lista boba. Pra mim, você já é a campeã."
O corpo inteiro do Lucian tremeu de tanto que ele riu e aquele som foi o suficiente para eu me sentir satisfeita.
Meia hora depois, a comida chegou, provando que Lucian estava certo.
Eu não tinha me dado conta até a comida estar na minha frente, mas eu estava faminta. Comi com uma energia surpreendente, como se estivesse tentando encher um cesto com água. Quando finalmente fiz uma pausa para respirar, percebi o olhar do Lucian fixo em mim e senti o rosto esquentar. Há certas desvantagens em se sentir à vontade com alguém.
Sem dizer uma palavra, ele se inclinou sobre a mesa, passando o polegar no canto dos meus lábios. O toque era suave como uma pluma, mas fez eu me arrepiar completamente.
"Eu não sou mais uma criança," murmurei, envergonhada com o calor que tomou conta da minha pele.
"Não," ele disse suavemente, sem desviar os olhos dos meus. "Você é o meu tesouro precioso. E tesouros devem ser cuidadosamente preservados."
Seu polegar, ainda úmido do molho que ele havia tirado dos meus lábios, pairou por um instante antes de ser levado em um movimento propositalmente devagar à boca.
Todos os pensamentos coerentes desapareceram da minha mente.
Mais tarde, quando os pratos foram retirados e a atmosfera entre nós se tornou mais tranquila, o nome da Jéssica voltou à minha mente, como um espinho pressionando a minha consciência. 'Nosso Alfa…'
"Lucian," eu disse suavemente. "Posso te perguntar uma coisa? Sobre a sua Alcateia."
Dado o resultado... suspeito da nossa 'inofensiva' investigação online, eu esperava que o Lucian se retraísse com a menção da sua Alcateia.
Mas ele não hesitou, não recuou nem desviou. Sua voz era calma e natural. "O que você quer saber?"
Pisquei. Eu estava preparada para encontrar resistência, mas parecia que eu tinha batido com força em uma porta que já estava aberta.
"O que... o que eles pensam sobre mim? Sobre nós?" Eu gesticulei vagamente entre nós.
Ele se recostou, pensativo. "O meu povo me apoia. Eles viram o que construí, como lidero. Claro, alguns deles já sabem de você... extraoficialmente."
Então, ele se inclinou para a frente e pegou minha mão. "E, quando eu tornar tudo oficial, sei que eles vão nos apoiar."
Engoli em seco, pensando no desprezo da Jessica. "Você tem certeza?"
Ele sorriu, passando o polegar de forma reconfortante sobre os meus dedos. "Quero que você os conheça."
O nó no meu peito afrouxou. "Sério?"
"Depois do TFL," ele afirmou com firmeza, como se já estivesse resolvido. "Vou te convidar formalmente. Você vai adorar lá. E eles vão adorar você."
Apesar do meu histórico pouco brilhante em Alcateias e do veneno cortante das palavras da Jessica, algo em mim ousou acreditar nele.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...