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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 105

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

Quando perguntei ao Lucian se ele queria entrar quando me deixou em casa, meu coração estava batendo na garganta.

Parecia que não teríamos interrupções esta noite e a ideia do que isso significava me fez esfregar as palmas suadas nas calças jeans. Terminaríamos o que começamos no hotel?

Mas, então, o Lucian puxou cartas de Uno e a risada que escapou de mim levou embora toda a tensão e a ansiedade.

Uma hora depois, ainda estávamos sentados de pernas cruzadas no tapete, com uma garrafa de vinho pela metade entre nós.

Me inclinei para frente, com o cabelo solto caindo sobre os ombros enquanto eu sorria.

"Uno!" Joguei minha última carta na pilha.

Dei uma risadinha quando o Lucian gemeu, largando as cartas e aceitando sua décima sexta derrota consecutiva.

"Você não dá sorte," eu provoquei. "Ao menos sabe embaralhar as cartas?"

Ele balançou a cabeça. "Essas cartas estão amaldiçoadas."

Soltei uma risadinha. "As cartas são suas. Ah, o grande e assustador Alfa é péssimo em jogos de criança... Isso é tão fofo!"

Seu olhar carrancudo era de pura brincadeira. "Cuidado, Seraphina."

Sorrindo, eu provoquei. "Ah, é? O que você vai fazer se eu não parar?"

Ele estreitou os olhos, reunindo as cartas espalhadas com uma lentidão proposital. "Você se acha corajosa agora..."

Antes que eu pudesse responder, ele avançou, me derrubando para trás no tapete. Um grito surpreso escapou da minha garganta enquanto ele prendia os meus pulsos ao lado do meu corpo, pairando sobre mim com uma ameaça teatral.

"Lucian!" arquejei, me contorcendo, enquanto a risada borbulhava incontrolavelmente no meu peito.

"Isso," ele pronunciou com a voz baixa e ameaçadora, "é o que acontece quando você tira sarro do grande e assustador Alfa Reed."

Suas mãos me apertaram apenas o suficiente para fazer eu me contorcer, mas os seus olhos brilharam com uma travessura juvenil.

Chutei-o de forma desajeitada, rindo tanto que as minhas costelas doíam.

"Você é um péssimo perdedor," respirei com dificuldade.

"E você é insuportável," ele rebateu, inclinando-se até que o seu hálito roçou na minha bochecha.

Fiz um biquinho. Não sei dizer se foi o vinho ou a alegria vertiginosa circulando nas minhas veias, mas as próximas palavras que saíram da minha boca foram: "Bom, e o que você vai fazer a respeito?"

Os olhos do Lucian cintilaram para mim, calor e travessura se entrelaçados como fumaça se transformando em chama.

O peso dele me mantinha presa, com os pulsos enclausurados pelo seu aperto, mas eu sabia que não estava em perigo... pelo menos, não de me machucar.

O jeito como o sorriso dele se inclina, o jeito como o meu pulso dispara por causa disso...

Sim, esse era o perigo real.

"Bom?" ele murmurou, inclinando-se tão perto que cada sílaba roçou nos meus lábios. "Você tá me desafiando, Sera? Quer ver como eu lido com insubordinação?"

Minha risada vacilou, presa na garganta.

A sala pareceu encolher até ser apenas os cabelos escuros dele caindo em torno do rosto e fazendo cócegas na minha bochecha, o vinho aquecendo o meu sangue e a consciência aguda e dolorida dele me pressionando contra o tapete.

Engoli em seco, provocadora, apesar do meu corpo me trair.

"Sim." A palavra mal saiu no meu sussurro, mas levantei o queixo com determinação. "Me mostra."

O sorriso do Lucian se alargou e os olhos dele brilharam. "Você vai se arrepender de ter me desafiado."

Mordi lentamente os lábios. "Não sei como, mas eu duvido."

Por um segundo tenso, o mundo se reduziu ao peso dele sobre mim, ao sorriso, ao calor do corpo dele ancorando o meu.

Então, ele soltou os meus pulsos, apenas para pegá-los de novo, puxando-os acima da minha cabeça com um aperto firme.

A mão livre dele deslizou propositalmente e insuportavelmente devagar pelo meu braço. O rastro de calor que ele deixou para trás fez os meus pulmões hesitarem e a minha respiração se despedaçar em arfadas irregulares.

"Lucian..." minha voz tremeu, entre um aviso e um desejo.

"Ainda tá rindo?" ele provocou, com o polegar acariciando a curva do meu quadril.

Balancei a cabeça sem jeito, embora um sorriso surgisse nos meus lábios.

Ele se inclinou mais até nossos narizes quase se tocarem, até eu sentir a pequena pausa na respiração dele que traía a sua própria contenção.

A ameaça lúdica havia se transformado em algo completamente diferente, algo carregado e íntimo.

O ar entre nós ficou denso. Sem pensar, arqueei o corpo, sendo atraída por ele como metal e ímã.

Os lábios dele roçaram no meu maxilar. "Fala de novo," ele sussurrou.

Minha respiração saiu trêmula. "Uno?"

Ele riu contra a minha pele e a vibração enviou arrepios pela minha espinha. "Isso não," ele rosnou, em tom de falsa ofensa, mordiscando de leve o meu ombro apenas o suficiente para mandar uma faísca elétrica pelo meu corpo.

Eu engasguei, depois ri, e engasguei de novo quando ele deixou os lábios pausarem mais para cima, no canto dos meus lábios, pairando de um jeito que incendiava todos os meus nervos.

O autocontrole dele estava se desfazendo. O meu já tinha se rompido completamente.

"Lucian," eu sussurrei, e dessa vez não havia contradição, era pura necessidade.

Ele se inclinou, como se fosse finalmente fechar aquele espaço agonizante e me devorar por inteiro, quando...

Meu celular tocou.

O som agudo e metálico cortou a tensão como garras afiadas. Eu congelei. Lucian soltou um gemido baixo, encostando a testa na minha em pura frustração.

Qual era aquele ditado? Uma vez é acaso, duas é coincidência, três é QUE MERDA É ESSA?!

"Não atende," ele murmurou. "Deixa ele tocar."

Aquela convicção desarmante de novo, libertando emoções profundamente guardadas no meu peito.

Encostei-me nele e percebi a voz trêmula. "É isso mesmo?"

Ele sorriu, suavizando as arestas com o olhar caloroso. "Nunca disse nada com tanta certeza."

Algo quente marejou os meus olhos e, antes que pudesse me conter, joguei os braços ao redor dele. Seu abraço me envolveu instantaneamente, forte e seguro, como se aquele sempre tivesse sido o meu lugar.

Por um longo momento, eu apenas respirei o cheiro dele, deixando a sua firmeza abafar as dúvidas que me corroíam.

Quando finalmente me afastei, um sorriso brincalhão surgiu nos meus lábios, trêmulo mas verdadeiro. "Então... você ainda quer terminar o que começamos?"

Lucian riu baixo, afastando uma mecha de cabelo do meu rosto. "A Deusa da Lua deve estar me testando," ele disse, em tom de brincadeira. "Tantas interrupções. Talvez ela esteja nos avisando para não nos apressarmos."

Franzi a testa, mas notei que o seu sorriso era gentil, e ele continuou: "Prometo que vamos terminar, Sera, só não agora. Quero esperar até que você tenha visitado a minha Alcateia e que veja o que significa estar ao meu lado. Até que você esteja pronta para ser minha Luna. Até que tudo esteja perfeito."

O peso das palavras dele se acomodou profundamente no meu peito. Meus lábios se entreabriram, ao mesmo tempo com emoção e... desejo.

Eu estreitei os olhos de forma brincalhona. "É melhor você não se arrepender disso, Lucian Reed, porque eu não tenho a menor intenção de esconder os encantos que você afirma tão confiante que eu tenho."

O sorriso de resposta dele foi deslumbrante. "Jamais ousaria pedir isso." Ele pousou um beijo suave e caloroso na minha têmpora. "Confie em mim, sei uma coisa ou duas sobre autocontrole."

Naquela noite, não fizemos amor.

Em vez disso, nos aconchegamos debaixo das cobertas, entrelaçados no silêncio quente da respiração compartilhada.

Os braços dele eram o meu porto seguro e o pulsar do seu coração estava firme sob a minha bochecha.

E, pela primeira vez em dez anos, fui dormir com os braços de um homem ao meu redor. Adormeci facilmente, segura de que o amanhecer não traria devastação.

***

A luz da manhã entrava suave e dourada pelas cortinas quando o toque estridente da campainha me despertou com um susto.

Lucian mexeu-se ao meu lado, resmungando nos meus cabelos.

"Ignore," balbuciou, com a voz rouca de sono.

Mas a campainha tocou novamente, agora mais longa, mais insistente.

Suspirei, desenrolando-me do abraço dele e descendo as escadas com o cabelo desgrenhado, mas o coração ainda aquecido.

Mas o calor foi instantaneamente engolido pelo frio quando abri a porta.

Se você achou que era o Kieran, errou.

Se você achou que era a Celeste, também errou.

Mas se achou que era minha mãe...?

Ding, ding, ding!

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