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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 106

PERSPECTIVA DA MARGARET

Minha casa, que antes era cheia de vida e alegria, agora estava insuportavelmente vazia, ainda mais sem o meu marido para compartilhar o silêncio. O Ethan estava muito ocupado com a sua nova companheira e a Celeste partiu para morar com o Kieran.

Só restava eu, me movendo pelos cômodos que costumavam estar cheios de vozes, a conversar com a minha própria tristeza.

Então, quando o Dr. Fairchild sugeriu que eu fizesse curtas caminhadas diárias, sugerindo que o 'ar fresco era um remédio para a alma', concordei.

Pensei em ir ao parque, talvez, ou passear pela avenida onde os cafés se alastram pelas ruas, com copos tilintando e risadas baixas. Tentaria lembrar a mim mesma que, embora o meu mundo tivesse parado, o mundo ao meu redor continuava girando.

Em vez disso, me ouvi falando um endereço que, sem querer, tinha decorado. E lá eu estava, fitando uma casa que eu conhecia, mas nunca tinha visitado.

A casa da Seraphina.

Eu não tinha certeza do que me levou a sair do carro.

Minha filha mais velha deixou claro diversas vezes que não tinha espaço na sua vida para mim.

Mas lá estava eu, alisando a blusa com dedos trêmulos, parada na base dos degraus da casa modesta que ela transformou no seu lar.

Era a minha primeira vez ali. Sempre presumi que ela morasse em algum lugar temporário, um refúgio encontrado após a surpresa do pedido de divórcio.

Mas a hera subindo pelo corrimão da varanda, as ervas em vasos nas janelas, o leve cheiro de alecrim e terra... era tudo dela.

Quase desisti.

Mas, então, lembrei das palavras do Dr. Fairchild: 'Faça as pazes com a sua vida como ela é agora'; 'Limpe a sua mente.'

O maior peso na minha mente era este: o abismo crescente entre mim e a Seraphina.

As palavras do Edward, ditas apenas semanas antes de ser cruelmente arrancado de mim, substituíam as do Dr. Fairchild na minha mente: 'Essa família tá dividida há tempo demais. Acho que é hora de trazermos a Seraphina de volta pra casa.'

Encostei levemente na campainha que eu pudesse me convencer a não fazê-lo.

Houve uma pausa longa, tempo suficiente para eu achar que ela não estava em casa e que eu deveria ir embora antes que a humilhação me atingisse.

Mas, então, a porta se entreabriu e eu prendi a respiração.

Seraphina estava lá, com os olhos arregalados e os lábios entreabertos, em choque.

Seus cabelos estavam soltos, bagunçados do sono, e ela vestia um suéter largo e shorts. Ela parecia... tranquila, desprotegida.

Não era a filha blindada que eu geralmente enfrentava. Quase a confundi com a menina que um dia ela foi, aquela que agarrava a minha saia e olhava para mim como se eu fosse o seu mundo.

Mas, então, percebi algo mais: o suéter tinha escorregado de um ombro, revelando a clavícula... e um leve hematoma roxo.

As bochechas dela estavam coradas, em parte por causa do choque, mas em parte...

E então eu o vi.

Da porta, dava para ver a escada, por onde Lucian Reed descia naquele exato momento, descalço e com a camisa meio desabotoada.

Os olhos dele me fitaram, alargando-se por uma fração de segundo antes do seu rosto assumir uma expressão impenetrável.

Meu olhar alternou entre os dois, reparando no modo como a Sera engoliu em seco, como o cabelo estava bagunçado e as roupas desarrumadas, no leve chupão.

Um quadro se formou diante de mim.

Levantei o queixo, enchendo-me de coragem. "Acho que interrompi alguma coisa."

Sera ficou vermelha e as suas bochechas coraram. "Mãe, o que você tá fazendo aqui?"

Sorri de forma contida. "Recebi alta há uns dias. O médico recomendou uma mudança de hábitos, sugeriu que eu saísse mais de casa. Pensei..." Dei de ombros. "Por que não ver onde a minha filha tá morando?"

Sera bufou.

Quando levantei a sobrancelha, percebi que o bom humor desapareceu. "Você tá falando sério?"

"Eu viria até aqui só por brincadeira?"

Os lábios dela se apertaram e, por um segundo, achei que ela ia virar as costas para mim, me mandar embora da sua casa como estava determinada a fazer com a sua vida.

Mas então, ela se afastou relutantemente e suspirou como se estivesse aceitando um martírio. "Entra, então."

Pisei no hall de entrada. A casa dela era menor do que eu estava acostumada, claro, mas não era desagradável.

Pisos de madeira polidos com cuidado, a luz do sol filtrando através de cortinas leves, livros empilhados nos cantos e fotografias em diversos tipos de molduras.

Uma casa que vivia e respirava, evidentemente cheia de amor, como a nossa fora um dia.

Ainda assim, não pude resistir às palavras que escaparam da minha boca: "É... bem o seu estilo, Seraphina. Não é sofisticada, não, mas... é acolhedora. Seu pai teria aprovado. Ele sempre preferiu o conforto à ostentação."

Por dentro, meu peito doía. Apenas lembrar do pai dela, quanto mais mencioná-lo, era como pressionar uma ferida que se recusava a cicatrizar.

Os olhos dela encontraram os meus, afiados como vidro. "Desculpe se não tá à altura dos seus padrões, Mãe," ela disse tensamente. "Eu sei o quanto você valoriza a sofisticação."

"Não quis ofender," falei, juntando as mãos.

Vi o Lucian passando atrás dela, à vontade como um lobo no seu covil. Sua presença enchia a casa, tomava o ar. Quando ele roçou a mão no braço da Sera, em um toque rápido e quase protetor, eu percebi. E também não deixei de notar como ela se inclinou quase imperceptivelmente em direção a ele.

Ela havia deixado claro no hospital que não queria que eu o conhecesse. Mas ela era minha filha e eu tinha o direito de saber com que tipo de pessoa ela escolhia passar o seu tempo.

Eu me sentei no sofá dela, alisando a saia.

"Possa te ajudar em alguma coisa, Mãe?" Sera perguntou.

Ela continuava de pé, como se não tivesse a intenção de prolongar a visita, como se mal pudesse esperar para se livrar de mim.

"Eu adoraria uma xícara de chá," eu disse.

Ela bufou. "Eu não sei o que você acha que..."

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