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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 107

PERSPECTIVA DA MARGARET

A viagem para casa passou como um borrão e eu mal notei o caminho. Cada curva foi se perdendo sem que eu percebesse, já que a minha mente estava em outro lugar completamente diferente.

Finalmente, a Mansão Lockwood surgiu diante de mim. O nosso lar. Exceto que não parecia um lar há meses.

Desde que as risadas do Edward deixaram de ecoar pelos corredores, desde que o Ethan se afundou nas responsabilidades da Alcateia e encontrou consolo nos braços da sua companheira. Desde que a Celeste voltou para nossas vidas, mas apenas para logo em seguida ir morar com o Kieran.

O que restou foi o silêncio, daquele tipo que pesa no peito como uma carga, daquele tipo que faz o som da colher batendo na porcelana parecer ensurdecedor.

Fiquei sentada na entrada por um bom tempo, olhando para o casaco do Edward ainda pendurado no cabide da chapelaria. Nós íamos sair, ele estava a meio caminho de vesti-lo quando a ligação do ataque nos interrompeu.

Na pressa, ele o tirou e jogou de lado.

E lá ficou nos últimos três meses, intocado, como se esperasse que ele voltasse e o vestisse novamente.

Minha garganta ardia e eu pressionei a mão contra ela, forçando as lágrimas a ficarem presas. Eu já tinha chorado demais, por tempo demais. Mesmo assim, as lágrimas pareciam intermináveis e a tristeza, eterna.

Mas agora, o que me consumia mais do que o luto era a confusão.

Revivia a cena na casa da Sera na minha mente repetidamente, tentando identificar onde eu tinha errado.

Sim, talvez as minhas motivações tenham sido mal compreendidas, afinal, a Sera sempre teve um jeito de interpretar as minhas intenções de forma errada.

E sim, talvez eu fosse apegado demais. Mas que mãe não era? Que mãe, depois de dar a vida, ia simplesmente esperar que o seu filho se afastasse?

Não importa há quantos anos estivéssemos distantes, não importa o quanto ela tentasse fingir o contrário, eu sempre seria a mãe da Seraphina.

E, mesmo que eu estivesse errada, que direito Lucian Reed tinha de se intrometer? Ele nem era o marido dela. O lugar dele não era entre nós.

Ainda não era nem hora do almoço, mas a minha saída teve o efeito contrário do que eu desejava e me deixou exausta. Caí na cama sem me trocar.

Me encolhi de lado, abraçando o travesseiro do Edward. Ele não tinha sido lavado nos últimos três meses, mas o cheiro dele já estava sumindo, e adormeci como sempre, com lágrimas escorrendo pelas bochechas.

E então, algo tão raro como chuva em seca aconteceu: eu sonhei com ele.

Edward estava diante de mim como no passado: ombros largos, cabelo levemente grisalho, olhos de um azul cerúleo lindo que me acalmavam e, ao mesmo tempo, me desarmavam.

Olhos exatamente como os da Sera.

Seus braços se abriram e eu me joguei neles, desesperada, agarrando sua a camisa como alguém prestes a se afogar se agarra a um colete salva-vidas.

"Edward," sussurrei, o nome se desfazendo em um soluço. "Ah, Edward."

"Meu amor." Sua voz era quente e levemente rouca. Nossa, como eu sentia falta da voz dele.

"Eu não aguento mais," eu disse, com a voz carregada. "Eu não os entendo. Não entendo ela. Tudo o que digo, tudo o que faço, tá errado."

Afastei-me um pouco para olhar para ele. "A Seraphina me odeia, Edward. Nossa filha me odeia. O Ethan anda tão ocupado e a Celeste... A Celeste eu não consigo entender. O que eu devo fazer? Não sei como lidar com tudo isso sem você, Edward."

A mão dele acariciou os meus cabelos com um toque tão dolorosamente familiar que achei que poderia me desfazer sob ele.

Ele não falou por um bom tempo, apenas me abraçou como sempre fazia quando as palavras lhe faltavam. E então, quando o sonho começou a desaparecer, quando já podia sentir o frio do mundo desperto voltando, ele se inclinou.

"Não esqueça," ele murmurou. "A Sera também é nossa filha. Não importa o que aconteça, não tire isso da mente. Não cometa o mesmo erro que eu."

"Edward..."

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