PERSPECTIVA DA SERAPHINA
Quer uma prova de que isso era uma ilusão e que alguém, em algum lugar, estava controlando a névoa?
Assim que reconheci o William, ele se virou na nossa direção. Teríamos permanecido escondidos se a névoa não tivesse se movido, como se fosse feita de espíritos inquietos ao redor da clareira, e de repente nos deixado expostos.
Nossos olhares se encontraram e, por um momento tenso, parecia que a própria floresta prendia a respiração.
Então, os ombros do William relaxaram e a sua postura, antes rígida, suavizou.
"Seraphina," ele disse, a voz calorosa o suficiente para cortar o frio. "É você."
Alívio surgiu na sua expressão, dissipando a máscara dura de um Alfa em alerta, e me peguei relaxando um pouco.
Por um instante, quase me esqueci de que estávamos no meio de uma competição brutal.
Ele parecia o homem que conheci no evento: gracioso, firme, com a nitidez do irmão no rosto, mas suavizada pela sua própria bondade.
"William." Minha voz saiu mais firme do que eu achei que sairia. "Você nos assustou."
Seus lábios se contraíram com o menor dos sorrisos. "A sensação é mútua." Os olhos dele passaram por mim e endureceram levemente ao avaliar o resto da minha equipe.
Judy se eriçou como um gato, ainda com a mão na lâmina; o olhar do Finn era cauteloso, mas inabalável; e a Talia se escondeu atrás deles. Roxy, coberta de lama, mas desafiadora, cruzou os braços, parecendo pronta para reagir se ele sequer respirasse errado.
William abriu as mãos em um gesto pacífico: "Não precisamos ser inimigos. Não quando a própria Floresta já é o suficiente."
A tensão no meu peito se afrouxou mais um pouco, eu respirei fundo e fiz um aceno lento com a cabeça: "Concordo."
A equipe dele emergiu da neblina: cinco pessoas no total, incluindo o William.
Eles pareciam guerreiros preparados para resistir: ombros largos, olhos afiados, movimentos pensados. Mas havia tensão nos seus rostos pálidos, uma rigidez ao redor da boca e dos olhos. O nevoeiro os atacava com mais ferocidade do que a nós.
O sorriso que o William me deu me fez lembrar com saudade do Lucian.
"Devíamos seguir juntos. A união faz a força e reduz a chance de emboscada. O que você acha?"
Eu hesitei.
Era um risco. Viajar com outra equipe significava expor as nossas forças e fraquezas... e dividir qualquer descoberta. Mas também significava segurança contra os predadores, humanos ou não, que poderiam estar à espreita no nevoeiro.
Tivemos sorte até agora, mas só porque o nevoeiro não nos afetava não significava que não havia perigos pela Floresta.
Observei a expressão dele, procurando algum sinal de segundas intenções, o cálculo de alguém pronto para nos usar. O que encontrei, em vez disso, foi sinceridade e a confiança silenciosa que eu já tinha percebido na festa.
"Tá bom," eu disse por fim. "Até acabarem os fragmentos."
Ele inclinou a cabeça, selando o pacto verbal: "Lado a lado."
Partimos juntos, em uma procissão cautelosa de quase estranhos unidos pela necessidade.
Minha equipe se mantinha próxima, vigiando cuidadosamente os arredores, enquanto o grupo do William seguia um pouco à frente, examinando o caminho e permanecendo atento, em uma formação sinalizando uma coordenação experiente.
Por um trecho, a caminha foi quase tranquila, apesar da terra úmida fazendo barulho sob as nossas botas e da neblina que engolia os nossos contornos e os devolvia em silhuetas fragmentadas. A nossas respirações se misturavam, quentes, contra a fria mordida da Floresta.
Então, um dos homens do William cambaleou.
"Mark?" William virou-se bruscamente, bem a tempo de segurar o ombro do parceiro. Os olhos do homem se reviraram e os seus joelhos cederam, antes do corpo desabar totalmente nos braços do seu líder.
"Merda!" um dos outros xingou, correndo para ajudar.
"Maven!" William gritou, e uma mulher de tranças escuras amarradas firmemente e olhos sombreados pelo cansaço avançou, imediatamente caindo de joelhos ao lado dele.
As mãos dela trabalhavam com eficiência enquanto ela verificava o pulso do homem, levantava as suas pálpebras e pressionava os dedos contra a lateral do pescoço.
"Ele tá respirando", anunciou Maven, mas a sua voz carregava um fio de preocupação. "Mas ele não tá consciente. Os sintomas estão se agravando."
William franziu a testa e segurou ainda mais firme o seu colega inconsciente.
"Sintomas?" perguntei. "Que sintomas?"
Maven não respondeu, ou talvez não pudesse. Suas mãos tremiam levemente enquanto ela alcançava sua bolsa, puxando ervas e unguentos com uma pressa nervosa.
Todos nós recebemos os mesmos recursos nas mochilas, mas ela parecia não saber o que fazer com os deles. O suor brilhava na sua testa enquanto os seus dedos trêmulos manuseavam os frascos.
Troquei um olhar com a Judy, depois com o Finn. Todos diziam a mesma coisa: tem alguma coisa errada.
"É a névoa," outro dos homens do William (Bob, lembrei vagamente) rosnou de repente.
Os olhos dele ardiam de desconfiança ao se virar para mim e para a minha equipe. "Os Ômegas. Olhem para eles. Estão bem. Bem demais."
Os outros se remexeram inquietos, seus olhares deslizando na nossa direção e replicando a suspeita do Bob.
Meu estômago se apertou e, de repente, aceitar trabalhar em equipe pareceu a coisa mais estúpida que eu já fiz na vida.
O olhar do William repousou nos seus amigos caídos e a névoa se enrolou ao redor deles como urubus circulando a presa. Ele parecia muito mais velho naquele momento, carregando um fardo maior do que apenas a Floresta.
Finalmente, ele exalou, lentamente e com dor: "Vamos desistir."
As palavras pairaram entre nós como um presságio de morte.
"Não," o único homem restante da equipe dele resmungou. "Alfa, ainda podemos..."
William o interrompeu com um único olhar agudo: "Não. Não vou arriscar as vidas de vocês por orgulho. Vamos sair daqui enquanto vocês ainda conseguem se arrastar."
Então, ele se virou para mim, e fiquei surpresa com o calor ainda presente sob o seu cansaço e a sua frustração: "Este fardo não é seu, Seraphina. Não carregue o peso da minha escolha. Eu mesmo vou arrancar a verdade do Lucian. Quaisquer que tenham sido os motivos dele pra criar isso," o maxilar dele se contraiu, mas sua voz permaneceu firme, "vou ouvi-los da boca dele."
Engoli em seco e, mesmo que ele tivesse dito para eu não me sentir assim, não pude conter a culpa que se formava dentro de mim: "William..."
Ele levantou a mão, me interrompendo. "Sem arrependimentos. Apenas termine a prova. Garanta a sua vaga. Um de nós deve avançar, e agora só pode ser você."
As palavras se assentaram em mim como pedras divididas entre uma benção e uma ordem.
E, então, a própria Floresta interrompeu a conversa.
A voz do alto-falante ressoou através da névoa, metálica e implacável:
"Atenção competidores. Oito equipes completaram o desafio. Resta apenas uma vaga."
Um arrepio percorreu a minha espinha. Só uma vaga. E cada passo contava.
William deu um sorriso cansado e irônico: "Pronto. A decisão foi tomada por nós."
Assenti, com a garganta apertada demais para falar. "Sinto muito que você tenha que sair assim."
Ele apertou o meu ombro, firme e caloroso. "Não se preocupe. Agora vá. E que a lua ilumine o seu caminho."
Enquanto a equipe dele começava a ajudar os seus colegas que estavam com dificuldades para andar, eu me virei para o meu time. Os olhos da Judy brilhavam com um determinação renovada. A Talia parecia abalada, mas assentiu e sussurrou esperançosa: "Ainda podemos avançar."
O Finn ajustou a sua mochila, calmo como sempre, enquanto a Roxy resmungava algo que soava suspeitamente como: 'Já não era sem tempo'.
Inspirei profundamente, como se desafiasse a névoa a me enfrentar.
Um fragmento restante. Uma vaga restante.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...