PERSPECTIVA DA SERAPHINA
À medida que nos aprofundávamos nas Florestas Nebulosas, a neblina se adensava, grudando no meu cabelo e encharcando a minha roupa até que cada passo parecia mais pesado que o anterior.
Meus pulmões inalavam o ar que deveria queimar ou embaralhar os meus sentidos, mas a neblina passava por mim como se não soubesse o que fazer com alguém que era meio vazio. Nenhum lobo para afogar, nenhum sentido aguçado para embaçar... apenas eu, nua e crua.
Toma essa, destino.
Infelizmente, os outros não tiveram a mesma sorte.
Embora inofensiva no início, quanto mais tempo ficávamos na neblina, mais ela afetava os meus colegas de equipe Ômegas.
Os olhos da Judy piscavam quase freneticamente, esforçando-se para perfurar a neblina, enquanto a Talia tropeçava em raízes escondidas sob o tapete cinza de ar. A voz do Finn vacilava enquanto falava baixo. Ainda assim, surpreendentemente, ele nos guiava, ocasionalmente apontando marcas fracas no chão e nos direcionando com a perspicácia de alguém claramente habituado a observar e prestar atenção enquanto os outros estavam com pressa.
E Roxy ainda estava desaparecida.
Por ora, eu dizia a mim mesma para não pensar nela. Ela era uma distração e seria melhor deixa-la de lado.
Tínhamos a nossa missão: três fragmentos, uma linha de chegada e um relógio correndo. E, como eu havia dito ao resto do time, tinha certeza de que a encontraríamos novamente.
Entramos em uma clareira onde o chão inclinava-se para um pântano, com poços estagnados refletindo a pouca luz que se infiltrava através da neblina.
"Lá está", o Finn disse, apontando à frente.
Segui a sua linha de visão e prontamente vi uma luz que brilhava entre as árvores. A esperança cresceu em mim.
"Vamos..."
Mas, antes que pudéssemos nos mover, ouvimos alguém se debatendo.
"Socorro! Me tirem daqui!"
Roxy.
Nunca pensei que odiaria estar certa.
Corri adiante, deslizando até parar à beira da água. O cheiro chegou primeiro, uma mistura de podridão e terra molhada, e eu poderia ter rido da cena à minha frente se não fosse tão preocupante.
A Senhorita Sou-A-Mais-Forte-Aqui estava com lama pela cintura e um braço desesperadamente agarrado a uma raiz que sobressaía do chão.
Cada vez que ela se debatia, o brejo a puxava mais forte, arrastando-a para baixo com mãos gananciosas.
"Deuses," Judy resmungou, revirando os olhos. "Claro."
O rosto da Talia ficou pálido. "S-se ela afundar mais, não vai conseguir respirar."
Finn examinou a área e disse, com a voz calma, mas tensa: "A lama é densa. Se alguém entrar, vai ficar preso também."
Maravilha.
Antes que eu pudesse formular um plano, um estalo metálico cortou a névoa e uma voz ecoou pela floresta, carregada por alto-falantes invisíveis: "Atenção, competidores. Seis equipes completaram o desafio com sucesso. Restam três vagas para a próxima etapa."
As palavras bateram como estilhaços de gelo na minha pele. Seis equipes haviam terminado. Isso nos deixava brigando por migalhas.
"Droga," Judy ecoou os meus pensamentos e se virou para mim. "Ainda não achamos o segundo fragmento. Não temos tempo pra isso."
Olhei para a Roxy, depois de volta para a minha equipe. Eu sabia o que eles estavam pensando: deixar ela pra trás, perder uma integrante da equipe e seguir em frente antes que fosse tarde demais.
Lógico. Eficiente. Sobrevivência em sua forma mais impiedosa.
Mas, droga, eu não era assim.
Agachei, com os olhos fixos no rosto apavorado de Roxy. "Você pode ser difícil," eu disse. "Mas você não vai morrer aqui. Fique parada."
Ela juntou os dentes, provavelmente mais por constrangimento do que por orgulho. "Não. Não aja como se você se importasse. Você só vai atrasar o seu precioso time se perder tempo comigo."
Mas por trás das palavras duras, notei uma faísca de medo que ela não conseguiu esconder. Ela não queria ser deixada sozinha. Ninguém queria.
"Finn," gritei, puxando uma corda do nosso suprimento, "encontre um tronco firme..." joguei uma das pontas da corda para ele, "e faça um nó bem firme. Talia, Judy, se preparem: se ela escorregar, vocês me ajudam a puxar."
Eles hesitaram e eu falei com firmeza: "Eu faria o mesmo por qualquer um de vocês. Somos uma equipe!"
Meu tom não deixava espaço para discussão, muito menos o olhar fixo que lancei para cada um deles, deixando claro que esperava que agissem. Agora.
Judy murmurou um palavrão, mas obedeceu de má vontade, pisando forte até ficar ao lado da Talia. As mãos do Finn amarravam um laço com precisão rápida.
"No três," chamei, jogando a corda na direção da Roxy. "Um. Dois. Três!" Ela se lançou, mas os dedos escorregaram sobre a corda molhada. Por um segundo horrível, ela quase perdeu a corda. Então, segurou tão firme que os nós dos dedos ficaram brancos, o corpo lutando contra a sucção do pântano faminto.
"Puxem!" O resto da equipe se juntou quando a corda esticou, rasgando as palmas das minhas mãos enquanto o pântano tentava agarrar a Roxy. Os músculos da Judy incharam, a Talia gemeu, mas fincou os pés, e Finn virou a corda ao redor do tronco para ganhar alavancagem. Meu coração batia forte e os meus braços gritavam com o esforço, até que finalmente o corpo da Roxy se soltou do pântano com um som de sucção úmido.

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