PERSPECTIVA DA SERAPHINA
De todas as pessoas que eu poderia encontrar tão cedo na SDS ou em qualquer outro lugar, eu apostaria em literalmente qualquer outra pessoa.
Mas não. O destino, na sua crueldade, decidiu colocar Kieran Blackthorne bem na minha frente.
O refeitório cavernoso pareceu encolher ao nosso redor. As vozes se transformaram em um zumbido distante e os pratos ressoaram como uma tempestade longe.
Ele não se moveu. Não falou nada. Apenas... me observou.
E, caramba, eu queimava sob o seu olhar.
Ou talvez fosse pelo jeito como as suas mãos demoravam contra a minha pele, uma ainda envolvendo o meu braço e a outra firmemente na minha cintura desde que ele me segurou.
Seu aperto não doía, mas era firme o suficiente para que o meu pulso disparasse sob o seu toque.
Quase possessivo. Como se me soltar não fosse uma opção.
As mãos dele eram quentes. Firmes. Quanto mais tempo elas ficavam em mim, mais consciente eu ficava de cada centímetro daquele contato.
Então, como se percebesse o quão apertado me segurava, ele me soltou.
Rápido demais.
Eu quase tropecei para trás, perdendo o equilíbrio precário que ele me ofereceu.
Minha pele formigava onde as suas mãos estiveram, com um calor fantasma se apressando para preencher o frio repentino da sua ausência.
"Desculpa, eu..." Fechei a boca instantaneamente. Eu não sabia de quem era aquela voz rouca e trêmula que saiu da minha boca, mas certamente não era minha.
O canto dos lábios dele se contraiu em algo que eu chamaria de diversão, se o olhar dele não fosse tão intensamente profundo.
O olhar dele me prendeu, enquanto o ar entre nós ficava tão carregado que a SDS inteira parecia prestes a explodir com a menor faísca. Meu coração batia dolorosamente nos ouvidos e, mesmo sem confiar na minha voz, cada instinto gritava para suplicar por respostas.
Uma dúzia de perguntas se embolavam na minha mente e pesaram sobre a minha língua, mas tudo se resumia a uma 'o que diabos você está fazendo aqui?'
Mas que direito eu tinha de fazer essa pergunta?
Limites. Fui eu quem pediu por isso, eu que estava cansada dele sempre se intrometendo na minha vida. O que ele fazia e aonde ele ia não deveria importar para mim.
Então, nenhuma palavra escapou dos meus lábios entreabertos, e nós apenas... ficamos ali, presos em um silêncio que vibrava com todas as coisas que nenhum de nós podia falar.
Então, ele respirou fundo, tremulando, e, por um instante, pensei que ele pudesse quebrar o silêncio. Parte de mim se preparou para isso e para o choque e a tempestade inevitável que sempre se formava quando estávamos juntos.
Mas ele permaneceu calado e com as mãos se fechando em punhos apertados ao lado do corpo, enquanto os seus olhos perfuravam os meus, escaldantes, buscando, como se tentassem arrancar palavras de mim e me puxar para uma conversa que eu me recusava a iniciar.
"Sera!"
Eu me sobressaltei como se tivesse sido atingida por um raio. Pisquei e senti o ar voltando para os meus pulmões de uma vez enquanto o feitiço que me ligava ao Kieran se quebrava.
A voz alegre da Judy ecoou, surpreendendo com o seu brilho.
Ela estava na entrada, acenando animadamente com um braço bem alto.
"Ah..." Meu olhar voltou rapidamente para o Kieran. "Eu tenho que..."
Sem dizer uma palavra, ele se afastou, inclinando levemente a cabeça.
Assenti uma vez. O movimento foi desajeitado e estranhamente cheio de trancos enquanto eu me forçava a seguir em frente, apenas me enrijecendo levemente quando o meu ombro roçou de leve na frente da camisa dele.
Cada passo era firme e pensado, enquanto por dentro eu queimava com o esforço de não olhar para trás.
O aroma do café e do Kieran pairavam pesado, grudando em mim enquanto as portas se aproximavam.
"Oi! Você chegou!"
Judy sorriu radiante quando me aproximei dela. Seu cabelo estava preso em um coque bagunçado e o seu uniforme havia sido trocado por um suéter confortável e uma calça jeans.
Ela deu uma risadinha enquanto passava o braço pelo meu.
"Tô tão feliz que você tá aqui."
Sorri para ela, expulsando a sombra do meu encontro com o Kieran. Fiquei grata por ela não perguntar por que eu estava parada no meio do refeitório encarando o meu ex-marido por sabe-se lá quanto tempo.
"O que tá acontecendo?"
Ela me puxou gentilmente. "Vamos. Você vai visitar a minha família comigo."
Sorri levemente. "Sim. Mas não fiz nada sozinha. Trabalhamos juntos."
O encanto das crianças não diminuiu, e uma delas declarou: "Você é como uma verdadeira Luna!"
Ri, mas as palavras me tocaram mais profundamente do que eu esperava e a felicidade rapidamente foi superada por uma pontada súbita e um vazio que surgiu por debaixo do meu sorriso.
Mais tarde, a Sra. Barnes insistiu que eu me sentasse à mesa da cozinha enquanto ela preparava algo que chamava de torta da sorte'.
"É tradição", ela explicou, abrindo a massa com movimentos decididos. "Eu sempre faço antes de um grande desafio. Tem mantido a nossa família segura até agora. E vai te proteger também."
Balancei a cabeça, sentindo as minhas bochechas esquentarem. "Eu não poderia, de jeito nenhum..."
"Você pode e vai." Seu tom não deixava espaço para discussão. "A Judy não é a única por quem tô torcendo agora."
Um nó subiu à minha garganta quando uma mistura de saudade e desconforto me atingiu de uma vez.
Eu não estava acostumada com mães assim: calorosas, orgulhosas e compreensivas de forma inquestionável.
Eu não sabia o que fazer com o sentimento que isso despertava.
Oh, deuses, que tristeza! Era doloroso, perceber que eu não tinha uma família tão calorosa e alegre como a da Judy, nem irmãos que me adorassem e uma mãe que cuidasse de mim com carinho.
O que aquela mulher na floresta disse mesmo? 'Não há perda maior do que perder algo que você teve por pouco tempo.'
Quando a torta saiu do forno, dourada e fumegante, toda a família vibrou como se fosse uma grande vitória. A Sra. Barnes cortou uma fatia generosa e colocou o primeiro prato nas minhas mãos.
Era doce, azeda, rica... o conforto assado em uma crosta.
"Leve um pouco com você", ela disse mais tarde, colocando não apenas a torta, mas uma variedade de guloseimas em sacolas que eu tentei, sem sucesso, recusar. "Comida é amor. E nós temos bastante pra oferecer."
Quando saí, os meus braços estavam cheios, e algo que eu não esperava sentir naquele dia aliviava o meu peito, um tipo de sentimento de pertencimento, mesmo que emprestado.
Esse sentimento durou até eu chegar à porta da minha casa, e lá estava ela.
A minha própria mãe.
E assim, em um padrão que estava se tornando tão familiar quanto respirar, o calor que eu carreguei até em casa se esfriou, se tornando tão frágil quanto o gelo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...