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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 145

PERSPECTIVA DA SERAPHINA

O relatório final pareceu mais longo do que o tempo passado no Labirinto Ressonante.

Fomos levados a uma das salas de conferência da SDS, ainda cobertos de poeira e com hematomas pelo corpo.

A adrenalina que nos havia guiado pelo Labirinto já se esgotara há tempos, deixando para trás apenas um cansaço extremo.

Um instrutor falava monotonamente sobre 'forças demonstradas' e 'áreas para melhorar', mas tudo em que eu conseguia pensar era na dor nas minhas pernas e na imagem do banho quente que me esperava quando eu chegasse em casa.

Judy não parava de bocejar e quase caiu de cara na mesa. Roxy estava inquieta, tamborilando as unhas na mesa até que o instrutor reclamou com ela e ela quase o devorou vivo com uma resposta mordaz. Finn, o aluno modelo, acenava solenemente a cada comentário, como se estivesse guardando todas as informações para futuras provas. Talia ficou quieta, mas as suas mãos ainda tremiam levemente, o que me levou a suspeitar que, independentemente do tempo que tinha passado, ela ainda estava se recuperando do impressionante poder que exibira no Labirinto e era incapaz de deixar a adrenalina ir embora.

Quando finalmente fomos dispensados, saímos para o ar da noite como prisioneiros libertados.

"Nunca mais," Roxy gemeu, jogando a cabeça para trás. "Nunca mais vou suportar uma palestra sobre 'coesão de equipe'. Prefiro me afogar no pântano da Floresta Nebulosa."

Judy deu uma risadinha. "Engraçado você dizer isso, considerando que quase nos transformou em alvos de dardos."

"Ei!" Roxy protestou, mas sem agressividade. "Eu tava testando as armadilhas."

"Você definitivamente testou os limites do meu baço," Finn resmungou.

Apesar do cansaço, me peguei sorrindo.

As discussões não eram mais afiadas, agora eram do tipo provocações bobas. A tensão de antes tinha desaparecido e foi substituída por aquele tipo de brincadeira que nasce quando se supera algo juntos.

Senti um alívio nos ombros. Essa mudança na nossa dinâmica era bem-vinda e, de certa forma... preciosa. Infelizmente, eu estava a dois segundos de desmaiar, o que não me permitiu aproveitar completamente essa sensação.

"Certo," eu disse, batendo as mãos suavemente. "Já tivemos emoção suficiente por hoje. Vão pra casa, durmam e deixem os seus ossos lembrarem como é não se mexer."

"Ah, essa..." a Roxy disse, se espreguiçando como um gato no sol, "é uma ordem que eu sigo sem reclamar."

Ri baixinho enquanto a Judy também soltava um risinho.

Mas, então, o Finn me surpreendeu. "Ei, espera. Antes de irmos pra casa, hum..." Ele ficou com as orelhas vermelhas porque todas nós estávamos olhando para ele. "Devíamos criar um grupo de mensagens. Só pra... sabem, coordenar. Compartilhar estratégias. Ou... memes?"

"Memes?" Roxy repetiu, olhando para ele como se ele tivesse acabado de ganhar outra cabeça.

O rubor dele ficou mais intenso e eu tive uma vontade ridícula de apertar as suas bochechas. "Pensei que seria... legal."

Eu estava convicta de que a Roxy ia discordar. Eu quase conseguia ouvir ela se preparando para soltar algum comentário sarcástico sobre perder tempo com essas coisas bobas.

Mas, em vez disso, após um momento, ela deu de ombros. "Beleza. Só não me coloquem em um inferno de notificações intermináveis. Se o meu celular explodir às 3 da manhã, mato todo mundo antes do próximo desafio."

O sorriso do Finn foi tão surpreso e tão abertamente aliviado que senti algo caloroso brotar no meu peito.

Em poucos minutos, os números foram trocados e a Judy assumiu a organização. Meu celular vibrou algumas vezes antes mesmo de eu sair da SDS.

Finn: 'Precisamos de um nome pro grupo.'

Judy: 'Sugestões de nomes: Os Sobreviventes? Os Desajustados? Desviadores de Armadilhas?'

Roxy: 'Chamar a gente de Desviadores de Armadilhas faz parecer que somos uns covardes. Tô fora.'

Talia: 'Eu gosto de Desajustados. Tem tudo a ver com a gente.'

Roxy: 'Parece que a gente não se organiza.'

Eu: 'O que é meio verdade, hahaha'

Finn: 'Eu tava pensando em algo mais... expressivo. Tipo Esquadrão do Eco. Sabe, pra lembrar do labirinto.'

Roxy: 'Expressivo? Somos o quê, um time de boliche da terceira idade?'

Judy: 'Íamos ficar um arraso com camisas polo combinando e logotipos bordados.'

Roxy: 'Que ótimo. Agora essa imagem horrível não sai da minha cabeça.'

Judy: 'De nada ;)'

Soltei uma risada enquanto entrava no carro. O sorriso ficou no meu rosto enquanto o celular continuava vibrando no console e eu dirigia pra casa.

Ver eles discutindo algo tão bobo depois de tudo pelo que passamos foi estranhamente... reconfortante. Meus colegas de equipe não estavam apenas se aturando, eles estavam se conectando, e a distância entre a gente encolhia a cada resmungo e reclamação.

Mais tarde, deitada na cama com o abajur fraquinho, eu rolei pelas mensagens do grupo.

O Finn já tinha enviado uns doze memes e GIFs ridículos e, de algum jeito, conseguiu editar os nossos rostos em um time real de boliche da terceira idade.

Judy mandou áudios, rindo tanto que chegou a engasgar no meio. Até a Talia entrou na brincadeira, soltando com uns comentários secos de vez em quando.

Roxy não participou muito, se limitando a uns comentários curtos e emojis, mas o fato de não ter saído do grupo já dizia muito.

Finalmente deixei o meu celular de lado e reparei que estava com o maxilar doendo por causa do sorriso que não desvanecia. Em poucos dias, esse grupinho estranho havia se tornado... algo. Não apenas aliados, mas uma unidade. Um time. O meu time.

A falta da minha loba ausente agitava-se silenciosamente.

Antes, a ideia de liderar alguém parecia risível. Impensável. Eu, a garota sem loba, a filha rejeitada. E, no entanto, aqui estava eu, observando quatro outras pessoas lentamente, mas certamente, se aproximarem de mim, como estrelas se juntando para formar uma constelação.

Será que ter a minha própria Alcateia era parecido com isso? Mas amplificado cem vezes?

Será que esse laço invisível entre corações, almas e instintos me daria uma força que eu nunca sonhei ter?

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