PERSPECTIVA DO KIERAN
A essa altura, provavelmente a Sera estava convencida de que eu a estava seguindo. E, com a frequência com que continuávamos nos encontrando nos lugares mais improváveis, eu não a culpava.
Só para deixar claro, não era o caso.
Byron era um velho amigo. Ele já me servia drinks muito antes de eu ser Alfa, muito antes de eu me achar intocável. Na verdade, ele nem sabia exatamente quem eu era e algo nessa anonimidade sempre tirava um peso dos meus ombros quando eu estava com ele.
Quando ele me convidou para a comemoração do aniversário do seu bar, eu disse a mim mesmo que seria suficiente aparecer, apertar a mão dele, talvez pagar uma bebida como uma forma de dar os parabéns e ir embora.
Eu não estava com humor para multidões ou bate-papo, não com a seriedade das responsabilidades que eu aceitara no TFL, e a minha cabeça zumbia com pensamentos e emoções conflitantes.
Ainda por cima, a Celeste tinha voltado para casa na noite anterior, após o segundo desafio, com um humor terrível, pior do que o comum.
Ela passou o dia inteiro batendo portas e resmungando raivosamente sobre 'líderes insolentes' e 'rivais indignos', seja lá o que isso significasse.
Normalmente, eu buscaria paz e sossego no Luna Noire, mas, esta noite, senti a necessidade de me afastar de tudo relacionado aos lobos.
O que era irônico, pois até o mundo humano estava imerso na SDS e no TFL.
Byron me avistou no momento em que entrei. Seu cabelo escuro tinha mais fios grisalhos agora, mas reparei que os seus olhos castanhos ainda carregavam aquele brilho familiar de travessura enquanto ele se aproximava de mim.
Ele deu um tapinha forte no meu ombro. "Quanto tempo, velho amigo. Finalmente decidiu sair da toca, hein?"
"Eu não moro numa toca," murmurei.
"Poderia muito bem morar," ele riu. "Vamos, sente-se. Toma uma bebida. Parece que você tá precisando."
Ele não estava errado.
Deixei que ele me conduzisse até um assento escondido no canto, onde as sombras eram tão densas que eu mal conseguia distinguir os outros clientes que, por sua vez, não me viam. Exatamente como eu queria.
Ele me deslizou um copo de whisky antes mesmo que eu pudesse pedir.
"Por conta da casa", disse ele. "E melhora essa cara. Parece que você andou mastigando vidro a semana toda. A noite foi feita pra gente se divertir, Kieran. Deixa de lado essa responsabilidade toda e relaxa."
Falar é fácil.
Byron não insistiu, como sempre. Ele nunca insistia e esse era um dos motivos pelos quais continuamos amigos por tanto tempo, apesar das diferenças de idade e de... espécie.
Ele se certificou de que as bebidas continuaram vindo enquanto mantinha uma conversa leve, até que senti parte do aperto no peito desaparecer.
Por um momento, o papel que eu teria que desempenhar no dia seguinte deixou de existir. A raiva e a ansiedade que me aguardavam em casa se dissiparam. Pensamentos intrusivos sobre um certo enigma de olhos azul turquesa escorregaram da minha mente.
E eu podia simplesmente... respirar.
Mas o Byron tinha outros planos.
"Vamos lá", anunciou, depois de cerca de meia hora, levantando-se enquanto virava o resto do seu whisky.
Levantei uma sobrancelha, saboreando o meu terceiro copo de whisky. "Como é?"
Ele sorriu e se inclinou para a frente, segurando meu braço. Com um puxão firme, ele me tirou da cadeira.
Ele era surpreendentemente forte para um homem na casa dos cinquenta anos e, embora eu pudesse resistir facilmente, a minha curiosidade permitiu que ele continuasse me puxando.
E então, antes que pudesse entender o que estava acontecendo, ele me direcionou para o palco, me empurrando firmemente e me deixando de frente para o público.
"O que diabos você tá fazendo, Byron?" eu murmurei baixo.
Ele me ignorou e começou a falar no microfone.
"Há vinte anos, eu e a minha esposa abrimos as portas deste bar", ele começou com um sorriso de saudade. "E escolhemos este dia porque era também o nosso décimo aniversário de casamento." Ele riu. "Pensamos... por que não comemorar os dois de uma vez? Um casamento e um bar. Ela sempre disse que ambos eram sobre amor, confiança e um pouco de teimosia pra mantê-los funcionando."
Meu peito apertou quando o sorriso dele vacilou, brevemente tocado pela lembrança, antes de ele se recompor.
"Então, todo ano nessa data, eu gosto de brindar a minha Lillian e todos vocês que mantêm este lugar vivo com risadas e histórias. E, como manda a tradição, agora vem a parte que vocês estavam esperando: é hora do nosso sorteio de aniversário. Vamos ver quem aqui tá com sorte essa noite!"
Meu breve momento de emoção sumiu e eu revirei os olhos, pensando em sair do palco imediatamente.
Assim que o Byron começou a chamar os vencedores do sorteio para se juntarem a nós no palco, meu olhar se fixou na saída, e eu estava a dois segundos de sair correndo quando ouvi o nome dela.
"Seraphina Blackthorne!"
Minha respiração parou. Certamente eu tinha ouvido errado. Ele não poderia ter dito...
"Seraphina Blackthorne," Byron repetiu. "Cadê a nossa vencedora sortuda?"
As luzes do bar estavam baixas e os holofotes do palco dificultavam a visão da multidão, mas mesmo assim, os meus olhos a encontraram, como se fossem ímãs atraídos por moedas.
Ela estava sentada no bar, parecendo tão surpresa quanto eu, e hesitou por uma fração de segundo. Mas, então, os aplausos e assobios da multidão e o empurrão suave da bartender a impulsionaram para frente.
Ela se moveu pela multidão como uma visão conjurada pelos deuses. As luzes refletiam em seu cabelo claro, revelando tons hipnotizantes de vermelho e azul.
Graças aos treinamentos na SDS, o corpo dela estava bem definido e o macacão que ela usava destacava isso como se fosse um prêmio.
Precisei de toda a minha força de vontade para afastar os pensamentos das minhas mãos passeando naquele corpo, seja no meu carro, no iate, no chão da villa...
"Concentra, vai," eu me repreendi.
Então, ela levantou o olhar e os nossos olhos se encontraram. Ela hesitou e os seus belos olhos se arregalaram.
Por um instante, o bar desapareceu e éramos só nós dois no salão, no mundo inteiro.
Exatamente como quando a encontrei no refeitório da SDS, havia centenas de coisas que eu queria dizer para ela. E, assim como naquela vez, eu sabia que nada do que eu dissesse ia importar. Não mais.
Limites.
Por um momento, pensei que ela fosse se virar e ir embora. Seria a coisa sensata a fazer, a coisa que ela vinha tentando fazer nos meses desde nosso divórcio: manter a distância, me manter longe.
Mas ela não fez isso. Ela endireitou os ombros, ergueu o queixo e subiu no palco.
Uma dúzia de emoções lutaram dentro de mim, entre elas alívio, medo, desejo e culpa.
"Sera, dois passos para a esquerda," chamei imediatamente, identificando a sequência dela.
Ela se moveu sem hesitar.
"Um para frente," ela anunciou. "Depois à direita."
Nos movemos em conjunto, usando vozes baixas mas firmes e corrigindo-nos à medida que o padrão mudava. Os universitários hesitaram no meio do caminho e um deles disparou o alarme de reinício. Já o casal gritava um com o outro tão alto e de forma tão caótica que a plateia irrompeu em gargalhadas.
A Sera e eu, no entanto, nos movíamos como… Como um só. Perfeitamente sincronizados.
A voz dela era confiante, precisa e nunca vacilou. Meu corpo reagia antes mesmo que o meu cérebro pudesse processar as informações, confiando nas instruções dela implicitamente. E, quando eu indiquei o caminho para ela, ela seguiu sem nenhuma hesitação ou incerteza.
Chegamos na reta final ombro a ombro com o casal.
Meu coração batia forte. Um erro, e tudo estaria perdido. Eu sabia que era só um jogo bobo que eu nem deveria estar jogando, mas agora parecia que as expectativas eram maiores do que em qualquer coisa que eu já tivesse feito.
"Diagonal!" Sera gritou.
Eu me joguei, recuperei o equilíbrio e gritei, "Dois passos à frente!"
Olhei para trás bem a tempo de vê-la pisar na última peça. O som da campainha soou alto.
A plateia enlouqueceu.
Nós vencemos. Por uma margem mínima, mas vencemos. Juntos.
Os olhos da Sera encontraram os meus e o triunfo iluminou o seu rosto radiante, desarmado, lindo.
Meus lábios se entreabriram. O sangue pulsava nos meus ouvidos, uma mistura de adrenalina e algo mais... intenso percorrendo as minhas veias.
Minhas mãos tremiam com o esforço de não puxá-la para os meus braços e girá-la no ar.
E, então, o Byron retornou ao palco, carregando uma pequena caixa de veludo. Sua voz sobrepôs-se aos aplausos. "Muito bem, muito bem! Os nossos vencedores dessa noite: Seraphina e Kieran Blackthorne!"
Meu coração deu um salto por causa da maneira como ele nos apresentou, como se ainda fôssemos casados, como se ainda pertencêssemos um ao outro…
Deuses, não havia como quantificar o que aquilo significava.
Byron abriu a caixa para revelar um colar, cuja corrente de prata era delicada e o pingente em forma de gota tinha uma pedra azul profundo no centro. Mesmo de longe, eu achei o artesanato precioso.
"Isto," disse o Byron, com uma voz suave, "pertencia à minha falecida Lillian. Ela amava esta peça mais do que qualquer outra e usou em todas as festas de aniversário que fizemos. Esta noite, em memória dela, gostaria que a nossa vencedora..." ele fez um gesto para a Sera, "o usasse."
Sera ficou paralisada, seu rosto corando enquanto ela olhava para o colar, maravilhada. "Eu... Eu não posso."
Byron deu uma risada suave. "Você pode. Conhecendo a minha Lillian, sei que ela estaria sorrindo agora, feliz em vê-lo brilhar novamente." Ele pressionou a caixa nas mãos da Sera. "E tenho mais um pedido."
As sobrancelhas dela se levantaram e o seu olhar tornou-se cético. "Qual seria?"
"Que você o use enquanto dança ao som da música favorita da Lillian," disse Byron simplesmente. "Com o Kieran."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei
Finalmente toda a verdade do Lucian veio à tona. Só não faz sentido ele saber antes de qualquer pessoa (inclusive família) que a Zara era prima. Cadê a tia irmã de Margareth então? Porque Sera e Margareth foram mais importantes para Catherine do que esse outro braço da família?...
Quero saber até onde o Lucian estar envolvido com Katherine e Marcos...
Ok, sera não aceitar o vínculo. Agora deixa o Kieran seguir a vida dele em paz...
Tá muito bom os capítulos...
Preciso de ajuda pra comprar moedas, não consigo completa minha compra...
Sera era uma bobinha manipulada e do nada se tornou fodona. A autora exagerou demais. Comecei a ler uma romance onde o começo imita uma história que já existe e depois, a autora acrescentou "os mutantes" na história. Kkkkk Mas os capítulos que abrem essa história nada mais é do quem o plágio de uma história que já existe. A irmã, o marido que gosta da irmã, a noite em que a irmã errada dorme com o cara, casa com ele tem um filho. O divórcio e só depois ele começa a gostar dela... Enfim, copiou na cara dura....
Livro muito bom!!! Sem muita enrolação e historia com enredo e fluxo. Aguardando próximos capítulos e o encerramento breve!!!...
SERAPHINA é muito fraca e idiota,Catherine manipula ela fácil fácil, eu ia lá se sacrificar por uma pai uma família que sempre me tratou mal, eles que se virem...
Escritora por favor, melhora isso aí, Sera fez o ex marido comer o pão que o diabo amassou, botou homens na cara dele, agora a cobra da irmã dela baixa o espírito de Santa e Sara na primeira oportunidade já vai abraçar, me poupe, mais criatividade por favor...
Quando Sera vai descobrir a peste falsa e manipulador que lucian é?? Ele ainda foi embora com o amor da vida dele e ainda deixou a Sera responsável pelos negócios dele, Sera é muito idiota,...