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Minha irmã roubou meu companheiro e eu a deixei romance Capítulo 146

PERSPECTIVA DO KIERAN

A essa altura, provavelmente a Sera estava convencida de que eu a estava seguindo. E, com a frequência com que continuávamos nos encontrando nos lugares mais improváveis, eu não a culpava.

Só para deixar claro, não era o caso.

Byron era um velho amigo. Ele já me servia drinks muito antes de eu ser Alfa, muito antes de eu me achar intocável. Na verdade, ele nem sabia exatamente quem eu era e algo nessa anonimidade sempre tirava um peso dos meus ombros quando eu estava com ele.

Quando ele me convidou para a comemoração do aniversário do seu bar, eu disse a mim mesmo que seria suficiente aparecer, apertar a mão dele, talvez pagar uma bebida como uma forma de dar os parabéns e ir embora.

Eu não estava com humor para multidões ou bate-papo, não com a seriedade das responsabilidades que eu aceitara no TFL, e a minha cabeça zumbia com pensamentos e emoções conflitantes.

Ainda por cima, a Celeste tinha voltado para casa na noite anterior, após o segundo desafio, com um humor terrível, pior do que o comum.

Ela passou o dia inteiro batendo portas e resmungando raivosamente sobre 'líderes insolentes' e 'rivais indignos', seja lá o que isso significasse.

Normalmente, eu buscaria paz e sossego no Luna Noire, mas, esta noite, senti a necessidade de me afastar de tudo relacionado aos lobos.

O que era irônico, pois até o mundo humano estava imerso na SDS e no TFL.

Byron me avistou no momento em que entrei. Seu cabelo escuro tinha mais fios grisalhos agora, mas reparei que os seus olhos castanhos ainda carregavam aquele brilho familiar de travessura enquanto ele se aproximava de mim.

Ele deu um tapinha forte no meu ombro. "Quanto tempo, velho amigo. Finalmente decidiu sair da toca, hein?"

"Eu não moro numa toca," murmurei.

"Poderia muito bem morar," ele riu. "Vamos, sente-se. Toma uma bebida. Parece que você tá precisando."

Ele não estava errado.

Deixei que ele me conduzisse até um assento escondido no canto, onde as sombras eram tão densas que eu mal conseguia distinguir os outros clientes que, por sua vez, não me viam. Exatamente como eu queria.

Ele me deslizou um copo de whisky antes mesmo que eu pudesse pedir.

"Por conta da casa", disse ele. "E melhora essa cara. Parece que você andou mastigando vidro a semana toda. A noite foi feita pra gente se divertir, Kieran. Deixa de lado essa responsabilidade toda e relaxa."

Falar é fácil.

Byron não insistiu, como sempre. Ele nunca insistia e esse era um dos motivos pelos quais continuamos amigos por tanto tempo, apesar das diferenças de idade e de... espécie.

Ele se certificou de que as bebidas continuaram vindo enquanto mantinha uma conversa leve, até que senti parte do aperto no peito desaparecer.

Por um momento, o papel que eu teria que desempenhar no dia seguinte deixou de existir. A raiva e a ansiedade que me aguardavam em casa se dissiparam. Pensamentos intrusivos sobre um certo enigma de olhos azul turquesa escorregaram da minha mente.

E eu podia simplesmente... respirar.

Mas o Byron tinha outros planos.

"Vamos lá", anunciou, depois de cerca de meia hora, levantando-se enquanto virava o resto do seu whisky.

Levantei uma sobrancelha, saboreando o meu terceiro copo de whisky. "Como é?"

Ele sorriu e se inclinou para a frente, segurando meu braço. Com um puxão firme, ele me tirou da cadeira.

Ele era surpreendentemente forte para um homem na casa dos cinquenta anos e, embora eu pudesse resistir facilmente, a minha curiosidade permitiu que ele continuasse me puxando.

E então, antes que pudesse entender o que estava acontecendo, ele me direcionou para o palco, me empurrando firmemente e me deixando de frente para o público.

"O que diabos você tá fazendo, Byron?" eu murmurei baixo.

Ele me ignorou e começou a falar no microfone.

"Há vinte anos, eu e a minha esposa abrimos as portas deste bar", ele começou com um sorriso de saudade. "E escolhemos este dia porque era também o nosso décimo aniversário de casamento." Ele riu. "Pensamos... por que não comemorar os dois de uma vez? Um casamento e um bar. Ela sempre disse que ambos eram sobre amor, confiança e um pouco de teimosia pra mantê-los funcionando."

Meu peito apertou quando o sorriso dele vacilou, brevemente tocado pela lembrança, antes de ele se recompor.

"Então, todo ano nessa data, eu gosto de brindar a minha Lillian e todos vocês que mantêm este lugar vivo com risadas e histórias. E, como manda a tradição, agora vem a parte que vocês estavam esperando: é hora do nosso sorteio de aniversário. Vamos ver quem aqui tá com sorte essa noite!"

Meu breve momento de emoção sumiu e eu revirei os olhos, pensando em sair do palco imediatamente.

Assim que o Byron começou a chamar os vencedores do sorteio para se juntarem a nós no palco, meu olhar se fixou na saída, e eu estava a dois segundos de sair correndo quando ouvi o nome dela.

"Seraphina Blackthorne!"

Minha respiração parou. Certamente eu tinha ouvido errado. Ele não poderia ter dito...

"Seraphina Blackthorne," Byron repetiu. "Cadê a nossa vencedora sortuda?"

As luzes do bar estavam baixas e os holofotes do palco dificultavam a visão da multidão, mas mesmo assim, os meus olhos a encontraram, como se fossem ímãs atraídos por moedas.

Ela estava sentada no bar, parecendo tão surpresa quanto eu, e hesitou por uma fração de segundo. Mas, então, os aplausos e assobios da multidão e o empurrão suave da bartender a impulsionaram para frente.

Ela se moveu pela multidão como uma visão conjurada pelos deuses. As luzes refletiam em seu cabelo claro, revelando tons hipnotizantes de vermelho e azul.

Graças aos treinamentos na SDS, o corpo dela estava bem definido e o macacão que ela usava destacava isso como se fosse um prêmio.

Precisei de toda a minha força de vontade para afastar os pensamentos das minhas mãos passeando naquele corpo, seja no meu carro, no iate, no chão da villa...

"Concentra, vai," eu me repreendi.

Então, ela levantou o olhar e os nossos olhos se encontraram. Ela hesitou e os seus belos olhos se arregalaram.

Por um instante, o bar desapareceu e éramos só nós dois no salão, no mundo inteiro.

Exatamente como quando a encontrei no refeitório da SDS, havia centenas de coisas que eu queria dizer para ela. E, assim como naquela vez, eu sabia que nada do que eu dissesse ia importar. Não mais.

Limites.

Por um momento, pensei que ela fosse se virar e ir embora. Seria a coisa sensata a fazer, a coisa que ela vinha tentando fazer nos meses desde nosso divórcio: manter a distância, me manter longe.

Mas ela não fez isso. Ela endireitou os ombros, ergueu o queixo e subiu no palco.

Uma dúzia de emoções lutaram dentro de mim, entre elas alívio, medo, desejo e culpa.

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